Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
TERRA NOVA

Motoristas, cobradores e passageiros sofrem com assaltos seguidos em Manaus

População sofre com assaltos feitos pelos mesmos ladrões já conhecidos da comunidade



ONIBUS02222.jpg Estação das linhas 500 e 550 é alvo de nove assaltos por semana. Foto: Evandro Seixas
24/04/2017 às 21:06

“Trabalho aqui há cinco anos e nesse tempo inteiro  fui assaltada mais de 50 vezes. A gente vem para cá, mas ficamos com o coração na mão porque não sabemos se vamos voltar para casa”. Esse é o relato de uma cobradora de ônibus de 45 anos que trabalha  no terminal das linhas 500 e 550, localizado na avenida Tenente Roxana Bonessi, no bairro Colônia Terra Nova, na Zona Norte. Todos os dias, segundo ela, que pediu para não ter o nome revelado por medo da violência, algum tipo de assalto acontece dentro dos ônibus ou com os passageiros no meio da rua.

Para as vítimas, a avenida do Passarinho tem se tornado um dos principais alvos de ataque de criminosos que não escolhem o dia nem o horário para atacar. A todo momento os assaltantes  surpreendem tantos os funcionários da empresas de transporte coletivo quanto  os próprios passageiros. Na maioria das vezes, os criminosos são bastante agressivos e não pensam duas vezes antes de ameaçar as vítimas.



“Sempre que saio de casa eu entrego a minha vida na mão de Deus e abençoo os meus filhos porque não sei se voltarei. A única certeza que temos é  de que algum colega vai ser vítima desses bandidos”, relatou a cobradora. De acordo com ela, a cada semana eles registram uma média de nove assaltos na estação do 500 e 550.

 Só nos três primeiro meses deste ano, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) registrou 842 assaltos nos coletivos das dez empresas que operam no transporte coletivo de Manaus. O número indica um crescimento de 37,5%  nos casos no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Quadrilha do ‘Foguinho’
Um motorista, que também pediu para não ser identificado por medo de represálias, contou que os bandidos são sempre os mesmos. Alguns deles inclusive chegaram a ser presos, mas dias depois voltam às ruas   e continuam aterrorizando os passageiros e funcionários das empresas. “A quadrilha do ‘Foguinho’ é a mais violenta. É uma família inteira envolvida em crimes e muitas vezes eles param os ônibus no meio da rua para assaltar. A gente conhece todos eles e, claro, ficamos com medo sempre”, destacou.

De acordo o motorista,  geralmente a quadrilha ataca usando revólveres, facas e até barras de ferro para ameaçar as vítimas.  “Temos colegas que já foram agredidos por eles”, contou.

Para os motoristas e cobradores, a situação tem piorado a cada dia. Mesmo que as viaturas passem ao longo da avenida, os assaltantes sempre voltam mostrando que pouco temem as ações policiais, que até os prendem. “Muitas vezes a empresa acha que a gente forjou o assalto para que o seguro cubra o prejuízo, mas só nós sabemos o quanto é difícil passar por uma situação dessas”, relatou outra cobradora, que também pediu para não ser identificada por medo dos bandidos.

Estação e paradas preferidas
Além dos frequentes assaltos na estação das linhas 500 e 550, há uma parada de ônibus “preferida”, ainda na avenida Tenente Roxana Bonessi. Ela fica a poucos metros da estação, mas por estar próxima ao igarapé e a uma porta, a fuga dos criminosos é facilitada. “Aqui tem assalto todo dia. Nós ficamos assustados”, contou uma estudante de 16 anos.

O comerciante João Romão Neto, 65, afirmou que quem mora ao longo da avenida vive preocupado com os assaltos frequentes, mas se diz impossibilitado em fazer algo. “A gente não pode fazer nada porque é a nossa segurança que está em risco. A gente sabe quem são essas pessoas  muitas vezes, mas como a polícia não fica 24h na nossa porta, não podemos falar nada”, disse.

Modalidade em alta
 Dados do Sinetram indicam que só nos três primeiros meses de 2017, houve um crescimento de 37,5% nos casos de assaltos a coletivos.  Ano passado, o sindicato registrou 612 assaltos contra 842 casos, em 2017. O prejuízo das empresa somam aproximadamente R$ 240,1 mil. Conforme o Sinetram, os assaltos acontecem de forma aleatória e as linhas que operam nas Zonas Norte e Leste  são as que concentram o maior número de casos de roubos.

Roberto Assunção - Motorista
Eu fui assaltado mais de 20 vezes. A última vez, no Carnaval deste ano, eu percebi que três homens estavam rondando o terminal e eu o meus parceiros entramos no ônibus, para nos esconder. Os bandidos estavam a pé, disfarçaram andando na rua e depois voltaram e bateram na porta. Um deles estava armado. Ele pediu o celular e ameaçou  atirar em mim, caso eu não entregasse o aparelho. Como eu não tinha celular para dar, ele exigiu  todo o dinheiro da catraca. O jeito foi entregarmos porque ou era isso ou ficávamos sem vida. Depois que eles pegaram o dinheiro, saíram correndo por dentro do igarapé. A gente fica se sentindo impotente diante disso, porque todos os dias somos vítimas desses criminosos e ninguém faz absolutamente nada.

 

 


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