Domingo, 23 de Janeiro de 2022
Reivindicação

Motoristas de App criticam taxas de quase metade do valor da corrida em Manaus

Representante da categoria está tentando audiência pública na Câmara Municipal de Manaus para discutir taxa fixa



show_uber-diver-1_EA9E9CD8-386D-43E1-8CE0-5C55221B3DD3.jpg Foto: Reprodução/Internet
10/11/2021 às 16:08

Motoristas de aplicativo em Manaus reclamam das altas taxas que estão sendo cobradas pelas plataformas, para a realização dos serviços. A porcentagem pode chegar a quase metade (45%) do valor ganho nas corridas. Em um cenário de gasolina a R$ 6,59 na cidade, muitos já falam que não vale mais a pena trabalhar nessas condições.

As reclamações ganharam coro nesta terça-feira (9), quando o vereador Rosivaldo Cordovil (PSB) usou o espaço do plenário para dizer que os trabalhadores por aplicativo estão reclamando das altas taxas cobradas pelas plataformas. Ele destacou que irá marcar audiência pública para ouvir os motoristas e usuários, e assim poder chegar a uma conclusão do que fazer. Ainda não há data para esse encontro, mas Cordovil afirmou à reportagem que o dia deve ser divulgado ainda esta semana. 



Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA o presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo de Manaus (Ameap), Alexandre Matias, adiantou a reivindicação que será feita pelos trabalhadores. 

“Começaram a cobrar uma taxa de 45% quando passou a haver muita reclamação de cancelamento de viagem, tem uns seis meses. É porque agora o motorista vê a distancia para buscar, para deixar e o valor que vai receber. Por isso muitas vezes ele cancela a viagem”, reclamou ele.

Em nota a assessoria da Uber afirmou que não utiliza taxas como punição para excesso de cancelamentos de corridas. Segundo a plataforma, motoristas que aceitam levar um passageiro e depois abandonam a solicitação ficam sujeitos a banimentos. “Mesmo assim, são casos muito raros. Não é cancelamento 20 ou 30 corridas no mês que causa isso. É muito mais”, informou um assessor da empresa.

Taxa fixa

Alexandre explica que uma das maiores reivindicações dos motoristas é que haja uma taxa fixa, já que atualmente as porcentagens variam muito para trabalhadores e usuários. “Uma corrida de R$ 20, o App paga R$ 12 a R$ 15 para o motorista, existe essa variação. A taxa da Uber e do 99, por exemplo, vai de 25% a 45%”, conta o presidente da associação.

A proposta dos motoristas é que a taxa seja fixada em uma porcentagem que só mude uma vez por ano, corrigida pela inflação. Desta forma, o presidente da Ameap diz que pode garantir um valor mais justo aos usuários e aos motoristas.

Segundo a Uber, é difícil informar uma média de taxa cobrada pela plataforma, porque esse valor varia a depender da região em que a corrida está sendo realizada, além de outros fatores. Um assessor da empresa confirmou que a taxa pode ir de menos de 10% a até 45%, mas “o valor maior ganho na corrida é sempre do motorista”. 

“No passado, a taxa de serviço cobrada dos motoristas parceiros pela intermediação de viagens era fixa em 25%, mas desde 2018 ela se tornou variável para que a Uber tivesse maior flexibilidade para usar esse valor em descontos aos usuários e promoções aos parceiros”, diz nota da companhia. 

Interferência

Segundo Alexandre, o pedido maior é para que a Câmara Municipal ou a Prefeitura de Manaus intervenham nas empresas por aplicativo e determinem que essa taxa fixa seja aplicada. No entanto, de acordo com ele, a proposta não foi bem aceita.

“Ouvimos que as plataformas são empresa privadas, portanto, não podem sofrer interferência. Mas essa resposta não faz sentido se pensarmos que os táxis e os ônibus também pertencem a empresas e têm os valores mais controlados”, diz Alexandre. 

A reportagem perguntou ao vereador Rosivaldo Clodovil (PSB) se há possibilidade de interferência nas taxas cobradas pelas plataformas. Ele não negou que poderia ocorrer, mas disse que ainda precisam estudar o que está acontecendo e para isso quer primeiro ouvir os motoristas e usuários na audiência pública que ainda será marcada. 

“Precisamos verificar se temos esse poder, porque essas taxas entram em uma questão de contrato privado entre as empresas e os motoristas. Temos de verificar com a Procuradoria Geral do Município, Procuradoria da Câmara e junto ao Ministério Público”, esclareceu o vereador.


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