Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
CPI DOS COMBUSTÍVEIS

Motoristas de apps querem que Ministério Público investigue indícios de cartel

“Estamos aqui para pressionar o poder público para que diga quem são os responsáveis por este cartel”, destacou o motorista Tiago Amorim. Este é o segundo protesto da categoria em menos de uma semana



WhatsApp_Image_2020-01-28_at_10.52.18__1__60AD7703-47BA-42FD-A5A2-9C2F7411351D.jpeg Foto: Tiago Amorim / Arquivo Pessoal
28/01/2020 às 12:26

Motoristas de aplicativo de transporte particular protestaram pelo segundo dia consecutivo em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) nesta terça-feira (28). Entre as reivindicações da categoria, que afirma ter mais de 70 mil condutores autônomos atuando na região metropolitana de Manaus, está a cobrança de punição de possíveis envolvidos em cartel entre postos, tabelando o preço acima da média nacional, e que foram apontados em investigação apresentada durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis.

Na manifestação, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) foi citado pelo manifestantes como sendo o ‘único meio’ para pedir uma punição e o desmantelamento do possível cartel de combustíveis. “Nós vamos até o Ministério Público. Vamos exigir que eles apurem o resultado dessa CPI, e que também abra um diálogo com os motoristas”, afirma o representante da categoria, Alexandre Matias.



“Estamos aqui para pressionar o poder público para que diga quem são os responsáveis por este cartel”, acrescentou Tiago Amorim, motorista de aplicativo desde 2016 na capital. Ontem (27), cerca de 200 motoristas bloquearam durante 1h uma das faixas da Av. Mario Ypiranga, que dá acesso à Assembleia. Hoje (28), o trecho sentido bairro foi bloqueado parcialmente pelos manifestantes, causando congestionamento na área da Bola do Eldorado, no Parque Dez, Zona Centro-Sul. 

Investigação 

A CPI dos Combustíveis, instaurada em março do último ano, apontou indícios de uma possível formação de cartel entre os postos de combustíveis que atuam no Estado do Amazonas. No entanto, ninguém foi incriminado ao final do relatório.

À época, a presidente da CPI deputada estadual Joana Darc (PL) afirmou ao A Crítica que, apesar de ser perceptível a formação do cartel, não se podia criminalizar por não ter sido revelado elo ‘fatídico’ entre autores e o suposto crime.

“Não podemos condenar ninguém porque no que diz respeito à lei, é preciso comprovar a combinação fatídica dos preços, o que não conseguimos ter. Porém, apuramos pelo CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) que os proprietários de distribuidoras de combustíveis são irmãos, tios, filhos de donos de postos. Como que não vai haver uma combinação de preço, assim?”, indagou.

Pressão

Os manifestantes tiveram acesso ao relatório final de 155 páginas da CPI. De acordo com Matias, a leitura do material indica que existe o possível alinhamento de preços com distribuidoras e refinarias fora do estado. “É grave. Existem postos de combustíveis que alinham preços a partir do valor estipulado por refinarias e distribuidoras fora do Estado”. A reportagem de A Crítica não teve acesso ao documento citado por Alexandre. 

Em reunião com o deputado estadual Álvaro Campelo (PP), que atuou nos trabalhos da CPI, ficou acertada que uma comitiva de manifestantes o acompanhará ainda hoje até a sede do MP-AM, situado na Av. Coronel Teixeira, Zona Oeste de Manaus. O encontro deve ser realizado a partir das 14h30, com a promotora Sheyla Andrade.

“Hoje nós somos a maior categoria dentro do Estado, 75 mil cadastrados. Temos frota de 30 a 35 mil rodando diariamente, então nós impactamos diretamente no transporte público municipal”, explica Matias ao justificar a ida dos representantes até o MPAM. Eles esperam que o órgão dê respostas acerca das informações apuradas pela CPI.

O deputado Álvaro Campelo afirmou que presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sinalizou que o caminho para a redução no preço dos combustíveis é o fim do monopólio da Petrobras. “Sem concorrência não há preço justo e viável para o consumidor. Não há como continuarmos com essa política de ‘monopólio da Petrobras’ e com a existência dos 'atravessadores', que são as distribuidoras. Nós continuaremos a enfrentar preços abusivos e aumentos repentinos sempre", disse Campelo.

Preço

Entre as queixas dos motoristas, a falta de incentivos para o uso do Gás Natural Veicular (GNV), além da variação alta no preço dos combustíveis, ocupam o topo na lista de reivindicações que serão feitas ao MPAM.

Na última semana a Petrobras, principal fornecedora de combustível bruto para refinarias, anunciou redução de 1,5% no valor da gasolina. Apesar da redução anunciada, o preço do combustível mais usado pelos motoristas de app não sofreu redução e manteve a média de R$ 4,79 em Manaus, de acordo com dado divulgado na sexta-feira (24) pelo Programa de Proteção ao Consumidor (Procon-AM). 

Repórter

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.