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Manaus
Assaltos

Motoristas de executivos recorrem à segurança privada para não serem assaltados

Há micro-ônibus da linha executiva que está circulando com seguranças embarcados, ou rastreados pelo sistema GPS 31/07/2016 às 01:00 - Atualizado em 31/07/2016 às 10:15
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Motoristas de micro-ônibus do transporte executivo estão assustados com os vários assaltos que aterrorizam o transporte de passageiros (Foto: Márcio Silva)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Motoristas de micro-ônibus do transporte executivo estão assustados com os vários assaltos que aterrorizam o transporte de passageiros, principalmente nas linhas que circulam nas Zonas Norte e Leste. Por conta do aumento do índice da violência, empresários e cooperativas optaram por contratar segurança particular, alguns deles, armados, que andam à paisana entre os passageiros, mas que no momento de uma ameaça de assalto, não hesitam em puxar suas armas e atirar.

Há micro-ônibus da linha executiva que está circulando com seguranças embarcados, ou rastreados pelo sistema GPS. Outros contrataram os serviços de seguranças particulares que são acionados todas as vezes que o motorista desconfia que um dos seus passageiros seja assaltante. Ser jovem, estar usando boné, com mochilas e aparentemente nervoso são características que fazem os motoristas desconfiar.

Quando aparece um com essas características o cobrador aciona a segurança, que aparece como do nada, entram no veículo, revista os passageiros e quando encontra alguém armado, este é retirado do micro e entregue à polícia.

Pontos estratégicos

“Eles fazem a nossa segurança, fazem revista, e um desses já pegou três pessoas armadas dentro do micro-ônibus que eu estava dirigindo” conta a motorista da linha 827 (bairro Alfredo Nascimento) Ellen Cristine de Lima, 26. De acordo com os motoristas, os seguranças ficam em pontos estratégicos, como na avenida Djalma Batista, na entrada do conjunto Manôa, no Tancredo Neves, entre outros.

O analista de Logística Ronaldo Lima, 43, passageiro da linha 844, disse que estava voltando para casa quando foi surpreendido com dois desses homens e uma mulher que entraram no veículo que ele viajava; dois deles estavam armados com arma de fogo, vestiam roupas pretas e um colete semelhante ao da polícia.

“Eles disseram que havia um suspeito no micro-ônibus e que ele estava vestido de branco. Mandaram os homens levantarem e as mulheres abrirem as suas bolsas. Fomos todos revistados e não havia nenhum suspeito. Achei isso errado.”, disse Ronaldo. De acordo com ele, os demais passageiros se sentiram constrangidos e reclamaram da ação dos seguranças.

Além de contratar segurança particular, os donos de empresas e administradores de cooperativas orientam os motoristas que, ao suspeitar que haja assaltante dentro do veículo, é parar, mandar os passageiros descerem e não continuar a viagem. No primeiro semestre deste ano, aconteceu uma média de um assalto por dia, de acordo com os cooperados.

Blog: Ellen Cristine de Lima, Motorista da linha 827

“Fui assaltada no dia do meu aniversário. Estava sozinha, o cobrador tinha faltado. O ladrão entrou na parada de ônibus da Beneficente Portuguesa, na avenida Getúlio Vargas. junto com os alunos da Uninorte, estava bem arrumado com uma mochila nas costas. Sentou nos fundos e eu observei que ele estava me encarando pelo retrovisor.

Quando passou do Amazonas Shopping ele anunciou o assalto, botou a arma na minha cabeça, assaltou o passageiro e fugiu. Quando ele passava pela frente do meu ônibus, a sacola com dinheiro caiu e os passageiros gritavam para eu passar com o ônibus por cima dele, mas eu não tive coragem. Nesse dia eu parei, não consegui mais dirigir, fiquei em estado de choque.

Agora contratamos segurança privada para ver se a gente diminui os assaltos. São rapazes, não trabalham armados, só usam arma não letal, ‘taser’, mas intimida. Eles entram nos ônibus dizem que estão fazendo segurança, fazem revista. Numa dessas já pegaram três pessoas armadas com faca que estavam no meu carro”.

Assalto na linha 822: um morto

Os assaltos são frequentes, uma média de seis a sete por dia, conforme a presidente da Federação das Cooperativas de Transportes do Amazonas, Walderizia Rodrigues Melo. Alguns são violentos. O motorista Marcos César Castro de Albuquerque, 42, há 12 anos é motorista de ônibus executivo e foi assaltado quatro vezes, o último ocorreu há seis dias quando dois assaltantes, mais tarde identificados como Bruno Diogo Corrêa Chaves, 28, e Leonardo das Chagas Costa, o “Leozinho”, 21, por volta das 11h entraram em seu carro na parada que fica em frente ao Plazza Shopping, na avenida Djalma Batista, Chapada.

Marcos era o motorista da linha 822, retornava da terceira viagem e notou que um passageiro estava assustado. “Eu pressenti a situação, achei melhor parar o carro e mandar descer todo mundo, mas não tive esse tempo porque eles anunciaram logo o assalto”, contou. De acordo com o motorista, o veículo andou cerca de 500 metros e os criminosos entraram em ação. Uma pessoa que estava entre os passageiros reagiu ao assalto acertando cinco tiros em cada ladrão. Bruno sobreviveu e Leozinho morreu na hora.

O motorista disse que Leozinho encostou a arma em sua cabeça e mandou que ele entregasse a renda. Enquanto isso, Bruno recolhia os pertences dos passageiros e logo em seguida ouviu os disparos disparados por um passageiro. “A pessoa que atirou não posso falar, não o vi, só ouvi os tiros. Enquanto eu tentava ligar para a polícia o que atirou fugiu. ”, disse Marcos.

De acordo com Marcos, Leozinho caiu perto dele e o outro no corredor do micro-ônibus. Ele ficou esperando eles pararem de se mexer e os passageiros os arrastaram para fora do carro. “Fiquei nervoso, pensei na família, nos meus filhos. Não consegui trabalhar mais, fui pra casa da mãe para acalmá-la. Devo isso a Deus”.

Quem passou pela experiência não esquece

Rosivaldo Leão, 45, dirige o micro-ônibus da linha 827, uma das mais assaltadas, sendo três vezes só esse ano. A primeira foi em janeiro, na  avenida Max Teixeira, Zona Norte. “Pegamos um casal, sentaram atrás. Depois que percorri de  200 metros, o rapaz puxou um revólver e colocou na minha cabeça. A  moça estava com uma faca  e recolheu os pertences dos passageiros.

O rapaz que estava com o revólver ameaçava muito. Foi um terror. Nessa hora a primeira coisa que eu faço é orar e ter um pouco de atenção para quem entra no ônibus. O último assalto foi de um rapaz novo. Não registro os assaltos porque vira estatísticas e não muda a segurança. Não pego qualquer passageiro, já deixei quando  desconfiei. Os nossos carros são rastreado via satélite, procuro acionar a polícia. Peço mais segurança para os passageiros.

O motorista da linha Adimar Ferreira, 33, disse que foi assaltado quatro vezes. Ele recorda que em um desses momentos de terror, os ladrões entraram no coletivo em uma parada próximo ao Amazonas Shopping. Na avenida Sumaúma, no Monte das Oliveiras, Zona Norte, anunciou o assalto. Eles estavam armados e mandaram que o motorista desviasse a rota e entrasse em uma rua sem saída. Depois que assaltaram todos, um deles deu um tiro próximo do ouvido da vítima para intimidar. “A gente fica com medo de trabalhar porque pode ser assaltado a qualquer momento”, disse Ferreira.

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