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Motoristas de ônibus transformam o cotidiano dos usuários mais ‘leves’

Com gentileza, bom humor e um sorriso no rosto, eles conseguem fazer de uma rotina insalubre de esperas, calor e ‘pregos’ uma viagem agradável 06/09/2015 às 15:47
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Há seis anos Ismael Rosa, mais conhecido como ‘Rosinha’, se veste de Papai Noel e enfeita o ônibus em que trabalha no mês de dezembro. No resto do ano ele distribui gentileza
luana carvalho ---

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O calor, a demora e as péssimas condições de parte dos ônibus em Manaus fazem com que qualquer viagem se torne desgastante para o usuário. Para piorar, a falta de cordialidade de alguns motoristas chateia ainda mais quem necessita do transporte público. Mas, em meio a uma frota de 1.507 ônibus e pouco mais de três mil motoristas, existem aqueles que se destacam e conquistam o carinho dos passageiros. São os famosos “motoras gente boa”.

O motorista da linha 515, Ismael Rosa, 56, mais conhecido como “Rosinha”, esbanja sorrisos para todos os passageiros que entram no ônibus. “Portas fechando e ar ligado”, brinca, depois de desejar um bom dia e dar as boas vindas a 12 usuários que entraram de uma só vez no coletivo.

“Outro dia dei ‘bom dia’ para um rapaz e ele não me respondeu. Uma semana depois o encontrei e ele veio falar comigo, pediu desculpas e disse que estava num dia ruim, mas que aquele meu ‘bom dia’ tinha levantado o dia dele. Isso foi bom, porque eu nunca desejo um bom dia esperando ser retribuído”.

Além da educação e simpatia, Rosinha é um velho conhecido da população manauara. Há seis anos ele se veste de Papai Noel e enfeita o ônibus em que trabalha. O mês de dezembro é o mais esperado por ele e pelas crianças, que aproveitam para levar cartinhas e tirar fotos com o bom velhinho do “busão”.

“Tive essa ideia quando eu era taxista e via aquelas crianças que não podiam tirar foto no shopping porque era pago. Pra mim aquilo era uma coisa ruim e, por isso, resolvi levar o Papai Noel para todos”, conta.

O sonho de ser motorista começou quando ele ainda era uma criança. “Eu amo minha profissão e são essas pessoas que estão aí que fazem meu dia valer a pena. Às vezes são os mesmos, que já sabem o horário e já estão na parada esperando o ônibus. Eu gosto do que eu faço porque eu faço com amor”.

Questionado se o forte calor, aliado ao trânsito da cidade, não o tirava do sério, calmamente ele respondeu que não. “Você precisa ver o Papai Noel no meio desse ‘calorão’. Passamos o nosso dia mais dentro do coletivo do que em casa. Então, se você faz o melhor em casa por que não faz o melhor no trabalho para que seu dia fique, pelo menos, 99% bem? Quando termina o dia, só agradeço”.

‘Gente boa do 651’

Mesmo tendo que dirigir durante quase três horas em uma única viagem que faz, o mato-grossense Antônio Bento, 45, não reclama e diz que ama seu trabalho. “Sempre foi um sonho ser motorista de ônibus, mas era muito difícil porque eu não tinha oportunidade. Aí um colega me disse para mandar currículo para essa empresa e, graças a Deus, fui bem sucedido”, relembra.

Como nem tudo são flores, para Antônio, o respeito e a compreensão são essenciais no trânsito. “Nós temos que proteger os carros pequenos, mas eles também têm que ter consciência de ver o lado da gente. Dar um apoio. Às vezes estamos querendo sair da parada e ninguém olha ou dá passagem. Todos precisam se conscientizar”.

Sensibilidade feminina é o diferencial

“É a minha vida que está aqui e a vida dos meus passageiros. É muita responsabilidade e tenho consciência que eu estou conduzindo, então eles estão esperando de mim o melhor pra eles”, diz a motorista da linha 118, Camila Costa, de 32 anos.

A “motora” é tão querida que, no seu último aniversário, os passageiros e os colegas de trabalho organizaram uma festa surpresa no final da linha. “Foi uma surpresa muito boa. Sinto que sou muito querida pelos meus passageiros”.

Camila é exemplo de que não existe o “sexo frágil”. Mas ainda assim, sensibilidade é um diferencial na hora de conduzir o ônibus. Até água ela divide com os passageiros. “Eu amo de dirigir. Comecei trabalhando no transporte especial e pensei ‘ainda é pouco, quero ir para o urbano’. Tenho paciência para congestionamentos, não brigo com passageiros e procuro dar sempre o meu melhor. A partir do momento que eu sentir que estou me estressando, eu largo o trabalho. Porque não é possível estar nessa profissão e não gostar do que faz”.

Por ser mulher, ela conta que ainda sofre preconceito. “A mulher ainda sofre muita discriminação. Todo mundo nos critica. Já teve passageiro que, quando entrou no ônibus e viu que era uma mulher, desceu. Mas continuo firme e forte, pois este é o meu sonho”.

Frota

Atualmente a cidade de Manaus conta com uma frota operante de 1.507 ônibus e pouco mais de três mil motoristas atuando em dez empresas de transporte coletivo, segundo informações obtidas com a SMTU e Sinetram.


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