Sábado, 24 de Agosto de 2019
Manaus

Motoristas de veículos pesados de Manaus burlam regras do Código de Trânsito Brasileiro

Artigo 29 do CTB atribui ao motorista de veículos pesados a total responsabilidade pela segurança dos veículos menores nas ruas, prática que não acontece em Manaus



1.gif Carga mal amarrada em caminhão é uma responsabilidade do motorista, que, neste caso, ignorou o perigo real
02/10/2014 às 10:52

“Os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores”. É com ênfase no artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deixado de lado na rotina das ruas, que o educador de trânsito Francisco Rodrigues dos Santos explica como deve ser o procedimento ideal dos carreteiros nas ruas de Manaus. Na prática, contudo, A CRÍTICA flagra cotidianamente situações como o de uma carreta transportadora de açúcar que tombou em plena via pública após trafegar bom tempo dividindo a pista com outros veículos menores.

Francisco Rodrigues toca um projeto de levar os condutores de veículos pesados à sala de aula para relembrar as regras mais básicas de circulação de quem transporta carga pesada. Ele teve início quatro dias após duas pessoas morrerem esmagadas, num carro de passeio, por um contêiner que se desprendeu de uma carreta na avenida Grande Circular 2.

No final de semana que sucedeu o acidente, 42 veículos pesados foram apreendidos pelo Departamento de Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) com as mais variadas irregularidades. A maioria passíveis de acidentes fatais nas vias de Manaus, o que tem ocorrido com uma frequência cada vez maior.

“O inciso 12 de artigo 29 do CTB determina que os veículos maiores são responsáveis pela segurança dos menores. Portanto, os motoristas dos veículos maiores devem prezar pela vida, pela segurança dos motoristas dos veículos menores. Mas a gente nunca vê isso no trânsito. O veículo maior mete a cara e o menor tem que se segurar porque senão os maiores passam por cima dele. Essa regra fica esquecida no trânsito”, declarou.

Lembretes

Durante as aulas que ministra, Francisco Rodrigues também destaca que a CNH na categoria “E” é fundamental para o condutor conduzir um veículo com carga pesada. O curso da categoria “E” prepara os motoristas para os cuidados e riscos deste tipo de veículo. “Se o motorista tiver sem habilitação ele não pode dirigir. O produtor será levado para a via, o veículo pode ser abordado e, aquela carga que teria hora para chegar, não vai chegar”, declarou.

Rodrigues destacou na empresa, que a responsabilidade com o veículo de carga não se restringe apenas ao condutor. Quem inspeciona o veículo e o carrega tem que ter igual noção de responsabilidade com a segurança dos demais nas vias de trânsito. “A pessoa que faz a arrumação da carga precisa ter ideia do transito. O peso não pode pender par a um lado. Se ele arrumar inadequadamente o produto pode causar o acidente numa ladeira ou numa curva. O conduto, às vezes, com a nota fiscal no máximo sabe o produto que ele transportou mas não sabe como foi arrumado”, declarou. Foi exatamente o que aconteceu com a carreta transportadora de açúcar, que tombou em plena via pública.

Os responsáveis pela inspeção, diz Rodrigues, precisam treinar e fiscalizar se as instruções estão sendo executadas. “E isso não pode ser um dia sim e outro não. Tem que ser a rotina da empresa”, afirmou o instrutor.

Os detalhes importantes da inspeção, além da arrumação da carga, é se o contêiner está encaixado adequadamente na estrutura da carreta (cavalo). “O contêiner tem que estar preso na plataforma. As abas das barreiras não substituem o loqueamento. O contêiner tem que está presa por inteiro. Para não ter qualquer risco de deslocar e tombar em cima de alguém”, alertou o educador.

Empresa aposta na orientação

O supervisor de segurança do trabalho do Porto Chibatão Frank Williams afirmou que partiu da empresa a iniciativa de convidar o Manaustrans para participar da Semana de Instrução de Prevenção de Acidentes de Trabalho. “A semana discute temas gerais em relação à segurança de trabalho e qualidade de vida dos funcionários. O trânsito não podia ficar de fora desse tema”, declarou.

Frank afirmou que pelo menos 90 funcionários, entre motoristas e operadores de carga, participarão das aulas com o Manaustrans.

O agente de trânsito Francisco Rodrigues, que trabalha com Educação de Trânsito há dez anos, acredita que apenas pela conscientização dos condutores e uma rígida fiscalização da obediência às regras legais pode ajudar a melhorar o trânsito. O cursos, diz ele, é importante também para que os condutores lembrem da responbsabilidade que tem sobre os demais veículos e o trânsito em via pública.

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