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Manaus
SEGURANÇA NOS POSTOS

Motoristas devem ser proibidos de ficar em veículo durante abastecimento de gás

Projeto de Lei aprovado pela Câmara Municipal de Manaus proíbe que condutores permaneçam dentro de veículo movido a GNV durante abastecimento; em caso de flagrante, motorista pode ser multado em até R$500 05/12/2017 às 22:30 - Atualizado em 10/12/2017 às 09:35
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Correto é aguardar o abastecimento fora do veículo, aponta a ANP. Foto: Antonio Lima
Danilo Alves Manaus (AM)

Motoristas que utilizam veículos movidos a Gás Veicular Natural (GNV) devem ser proibidos de permanecer dentro do veículo durante o processo de abastecimento. O projeto de lei (PL) que propõe a medida foi aprovado na Câmara Municipal de Manaus (CMM) na última segunda-feira (04) e segue para sanção do prefeito. Ele prevê multas de até R$ 500 para os proprietários de postos de combustíveis que sejam flagrados permitindo que clientes permaneçam no carro durante o abastecimento, podendo dobrar quando reincidente.

Conforme o autor da lei, o vereador Raulzinho (DEM), que é presidente da Comissão de Assuntos Sóciocomunitários e Legislação Participativa (Comaslep), o objetivo do PL nº 111/2017 é manter a segurança dos motoristas e prevenir acidentes, como explosões. Ele explicou que, em outros estados, diversos acidentes foram registrados, quer pela falta de manutenção dos cilindros que armazenam o gás no interior do veículo, quer por falhas de manutenção nas bombas dos postos que fornecem o serviço.

“Não podemos esperar uma tragédia acontecer para tomar providências. Temos que olhar para o futuro, resguardando e preservando a vida da nossa população. Muitos motoristas já foram flagrados desrespeitando o procedimento correto. Os proprietários dos postos GNV também são orientados a realizar o abastecimento”, disse.

Padrões ignorados

De acordo com o químico Demetrius Reis, existem padrões de segurança durante abastecimento, que são exigidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), mas nem sempre eles são seguidos. Por causa da pressão elevada, o “bico” de um equipamento chamado dispenser pode ser danificado na hora do abastecimento e causar falhas graves na válvula do carro. Dessa maneira, o motorista perde tempo e dinheiro para consertar o kit, que tem um investimento de R$ 4 a 5 mil.

“Vale salientar que os kits são projetados para funcionar, com segurança, em sistema com pressão de até 220 kgf/cm², uma unidade de medida que mensura a quantidade de ar dentro do cilindro. Quando há danos no equipamento, o risco de explosão é muito maior”, alertou.

Mesmo apresentando riscos, Demetrius afirmou que o gás natural é mais seguro e barato que os combustíveis líquidos, que também demandam cuidados na hora do abastecimento, como não fumar nem falar ao celular - regras comumente descumpidas. “O risco de combustão (do gás) é menor (que dos líquidos), pois o gás só se inflama a 620°C, acima da temperatura de combustão do álcool (400°C) e da gasolina (200°C)”, explicou.

Avisos

O artigo 2º do projeto de lei determina  ainda que é obrigatória a fixação de avisos alertando sobre a proibição nos postos de combustíveis, com indicação do número e data da lei, em letras legíveis e de fácil visualização, contendo os seguintes dizeres: “É proibido o abastecimento de gás natural veícular - GNV, enquanto houver alguma pessoa no interior do veículo, sob pena de multa”.

Taxistas que seguem as normas

Trabalhando como taxista há 10 anos, Paulo Santos, 53, abastece o carro movido a Gás Veicular Natural (GNV) todos os dias. Diferente de muitos condutores, ele garante que pratica as normas de seguranças do abastecimento.

 No entanto, segundo o taxista, com apenas seis postos com GNV em Manaus, alguns não possuem condições adequadas para abastecimento de veículos.
“Enquanto alguns postos são muito bons, outros estão caindo aos pedaços. O posto da rotatória da Suframa, na Zona Sul, por exemplo, é uma vergonha. O equipamento é antigo e pode ser um perigo”, alertou.

Já o taxista Alfredo Reis, 50, cumpre a lei e espera que condutores irregulares também sejam punidos, uma vez que expõem outros ao risco. “Não adianta só multar o dono do local, é preciso que a multa seja justa para todos, já que ambos cometeram o erro”.

ANP fornece orientações em seu site

Após três meses pesquisando sobre o GNV, o cinegrafista  Davis Alberto, 38, optou pelo combustível por conta do preço, hoje comercializado a R$ 2,85 -  bem mais em conta que a gasolina, que chega a R$ 4,15. Ele explicou que, antes de trocar o sistema do veículo, leu as orientações de segurança no site da Agência Nacional de Petróleo. “Não precisava nem de lei pra obrigar isso. Segundo a ANP, é dever do motorista sair do carro enquanto abastece”.

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