Publicidade
Manaus
Trocando de lado

Motoristas e cobradores sentem, na pele, o que é ser um cego, idoso e cadeirante

Simulação fez parte de aula prática do curso de qualificação; funcionários enfrentaram as dificuldades do dia a dia de idosos e pessoas com necessidades especiais que utilizam o transporte coletivo em Manaus 13/04/2016 às 06:30 - Atualizado em 13/04/2016 às 08:41
Show naocort9
Na simulação, o motorista Walreny Evangelista atuou como um cadeirante, passando por várias situações no coletivo / Fotos: Winnetou Almeida
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Ontem, por alguns minutos, motoristas e cobradores mudaram de lado e sentiram, na pele, as dificuldades enfrentadas no dia a dia de idosos e pessoas com necessidades especiais que utilizam o transporte coletivo diariamente em Manaus. A simulação fez parte da aula prática do curso de qualificação promovido pela Prefeitura de Manaus, sob a coordenação da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), que visa aprimorar o atendimento prestado aos usuários especiais do sistema.

A atividade ocorreu na Empresa do transporte coletivo Expresso Coroado (rua Raimundo Assunção Borges, 279, Conjunto Tiradentes, Coroado 2, Zona Leste), com os funcionários utilizando cadeiras de rodas, bengalas, pesos nas pernas e outros itens visando lhes dar a percepção das dificuldades enfrentadas pelos usuários especiais, como a mobilidade reduzida.

O destrato ao idoso e ao deficiente nos coletivos é uma das principais reclamações dos usuários de Manaus junto ao serviço de atendimento ao cliente (Sac) da SMTU (fone 118). “Estamos tentando minimizar esse problema potencializando as campanhas educativas, indo às escolas, terminais coletivos, paradas estratégicas para orientar o usuário quanto aos seus direitos e deveres”, explicou Arlene Menezes, chefe de Divisão Social da SMTU.

O motorista Walreny de Souza Evangelista, 40, não esperava encontrar tanta dificuldade mesmo em uma rápida simulação. Na atividade, ele se comportou como um cadeirante e acessou o coletivo tanto entrando pelo elevador do veículo quanto via porta da frente do ônibus (utilizada quando da inexistência da referida plataforma eletrônica).

“Sempre procuro tratar bem os cadeirantes, mas nesse momento estou sentindo na pele o que um cadeirante sofre por não se locomover de maneira tranquila. É muita dificuldade”, disse ele, natural de Atlamira (PA).

Já o cobrador Diego Thomé fez as vezes de um cego utilizando uma máscara de dormir e uma bengala. “A sensação não é nada agradável pois você passa a contar com a ajuda de outras pessoas”, relata o funcionário”.

Com o motorista Edgar Monteiro, 37, a simulação foi feita com ele utilizando um par de muletas. “Fatos como esse nos fazem perceber que se deve ter mais paciência com esse tipo de usuário”, reforça o condutor.

“Nós passamos a ter consciência do que eles passam no da a dia ”, explica a auxiliar administrativo Rayane Rodrigues, 26, que apesar de não ser motorista nem cobradora, também fez questão de participar da simulação.

BLOG

Arlene Menezes

Chefe Divisão Social SMTU

Esse trabalho tem como objetivo  possibilitar aos operadores de coletivos urbano  uma mudança de atitude, comportamento e hábito, e melhorar a interação entre eles e os usuários de coletivos, principalmente os idosos e pessoas com deficiências. É preciso pensar muito bem antes de se destratar alguém. Temos que nos colocar no lugar do outro. Em fevereiro fizemos essa vivência na empresa Vega e na Via Verde, e até final de maio estaremos aqui na Expresso Coroado e, em seguida, iremos para as demais empresas.

Vítima

Dentre os funcionários da Expresso Coroado presentes à simulação, uma em especial observava tudo ainda mais atento: o jovem Júlio César Alnário Ferreira, 21. Cobrador há 9 meses, ele é portador de necessidade especial desde 2011, quando foi agredido por criminosos no Jorge Teixeira 4, e ficou com a perna esquerda atrofiada e sequelas na fala.

Acima, o cobrador Júlio César Alnário Ferreira, 21, que é cobrador na Expresso Coroado

Publicidade
Publicidade