Domingo, 15 de Setembro de 2019
INFRAESTRUTURA

Motoristas reclamam que vias principais de Manaus estão com ‘mondrongos’

A má qualidade do asfaltamento e os buracos causam transtornos, doenças e elevam os custos de manutenção dos veículos



ve_culos.JPG Desnível é causado pela má qualidade do asfaltamento de avenida. Fotos: Márcio Silva
24/07/2017 às 23:46

Motoristas reclamam diariamente dos buracos nas ruas dos bairros da cidade, mas os problemas vão além de prejuízos financeiros com a manutenção dos veículos. Após obras de tapa-buracos, avenidas principais  ganham elevações, conhecidas popularmente como “mondrongos”, que causam até acidentes  dentro  de ônibus do transporte coletivo.

A rua Laguna, localizada no bairro Lírio do Vale, passou há um mês, segundo moradores, por obras, mas o desnível permaneceu. O comerciante Cesar Leão, 32, contou que há acidentes semanalmente principalmente quando motoristas precisam desviar e entram na contramão.

“Parte da rua está lisa, bem recapeada, mas o trecho do campo de futebol até o posto de gasolina Atem está horrível, os motoristas tentam desviar e entram na contramão causando acidentes, toda semana alguém bate o carro”, disse.

Na mesma zona, a rua Gurupi, no bairro da Paz, é o principal alvo de reclamação. Segundo o mecânico Marcos Viana, 42, a rua apresenta elevações em toda extensão, mesmo passando por ações de tapa-buracos frequentes, o que prejudica o tráfego de veículos e o asfalto é arrastado pelas águas da chuva.

Problema semelhante é vivido por motoristas de ônibus na avenida Passarinho, no Monte das Oliveiras, Zona Norte da cidade. Segundo o motorista Manuel Batista, apesar de andar em baixa velocidade na rua, usuários e cobradores sofrem com o “pula-pula” ao passar pelos buracos.

Apenas nas últimas duas semanas, quatro pessoas caíram dentro do ônibus que ele trabalha e a cobradora reclama todos os dias de desconforto na coluna. “Faço o possível para não andar em alta velocidade, mas mesmo assim quatro pessoas se desequilibraram e caíram, graças a Deus não foi nada mais grave”.

O universitário Andrey Campos, 21, foi uma das vítimas da buraqueira há um mês. Após pagar a passagem e rodar a catraca, o jovem se desequilibrou e foi ao chão quando o motorista tentou desviar de um buraco. “Se eu caí fácil, imagine um idoso. É preocupante”, contou.

Motoristas também reclamam de problemas com elevações no asfalto na avenida Ephigênio Sales, principalmente no sentido Centro-Coroado, em frente da empresa de telefonia Oi.

Seminf promete obras

A Secretaria Municipal de Infraestrutura informou que  tem um novo lote de obras para o segundo semestre e que as ruas Laguna e Gurupi estão na programação, mas a avenida Passarinho e Ephigênio Sales estão sendo estudadas para receberem serviços.

No cronograma

Com relação ao Núcleo 4 da Cidade Nova, a Secretaria informou, por meio de nota, que  na última sexta-feira realizou ações de tapa-buraco na rua 68 e a previsão é que nesta semana a rua 69, solicitada na semana seja atendida pelos operários.

Prejuízos com manutenção de veículos

Segundo o mecânico Stanley Sampaio, 21, com os buracos e desníveis das ruas, os motoristas têm um gasto de cerca de R$ 1 mil apenas com a troca do amortecedor. “Um amortecedor, em média, é trocado com 45 mil quilômetros, mas com essa buraqueira esse tempo cai pela metade”.

Os motoristas gastam, há cada três meses, em média, R$ 500 com o amortecedor e mais R$ 400 com o serviço de Stanley, mas o gasto pode ser ainda maior, dependendo da marca do carro, segundo Stanley. “É ruim para eles, mas bom para mim. Todo dia a gente troca amortecedor, suspensão e faz alinhamento e balanceamento”, afirma.

Moradores clamam por obras na Cidade Nova

Há quase um ano, moradores do Núcleo 4 sofrem com os buracos nas ruas do bairro. Eles fizeram um ofício solicitando da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) o recapeamento das ruas do bairro, mas permanecem no esquecimento.

Segundo o aposentado José Isaque Pazuello, 71, a rua mais prejudicada é a 69, principal rua do conjunto. No local, os moradores presenciaram acidentes. “Fica muito perigoso, eles (motoristas) desviam dos buracos e batem os carros em outros e nas calçadas. Até os pedestres correm risco de serem atropelados”, disse.


A situação no Núcleo 4 do conjunto Cidade Nova é ruim, mas secretaria garante que está atuando nas ruas da região

Conforme o aposentado, há cerca de três meses ele foi à sede da Seminf e solicitou o recapeamento das ruas por meio de um ofício, mas até ontem nenhum funcionário havia ido ao bairro. “Falaram que em 15 dias viriam aqui, mas até hoje não passou de promessas. Nós não queremos tapa-buraco, o que nós queremos é a remoção desse asfalto e que façam o recapeamento”.

O também aposentado Franklin Essuy, 60, reclamou que o problema no bairro é antigo e as ruas mais prejudicadas, além da principal, são as ruas 56 e  57. Segundo ele, há um ano o Núcleo 4 não passa por obras.

Para tentar amenizar o problema, os próprios moradores se unem e tampam os buracos com entulhos, mas acabam sofrendo com problemas respiratórios. Segundo o aposentado, após no máximo dois dias após o entulho ser colocado e com o fluxo de carros eles sofrem com a poeira.

“A gente tenta resolver uma situação, mas outro problema surge. Fora o risco de acidentes, que são diários, a gente tem problema com a poeira que sobre quando os carros passam. Então, a gente precisa mesmo que eles venham aqui e façam um serviço direito, que não preciso ser feito novamente dias depois”.


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