Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
projeto de lei

Mototaxistas também querem espaço para trafegar nas Faixas Azuis de Manaus

Condutores das motocicletas dizem que pista exclusiva deveria ser liberada para que eles transportarem pessoas; via é destinada a ônibus e táxis, por exemplo, entre outros veículos de quatro rodas



kjhjkjk.JPG O mototaxista Evando Carlos Nascimento, 46, que defende a via exclusiva também para a sua categoria / Fotos: Winnetou Almeida
02/06/2016 às 21:21

A implantação da Faixa Azul em algumas vias da cidade nunca foi um consenso entre os condutores de veículos de quatro e duas rodas de Manaus. No entanto, desta vez é a categoria dos mototaxistas que reivindica, para sí, a inclusão no espaço da faixa exclusiva.

Além dos ônibus coletivos, podem trafegar na faixa exclusiva, táxis, veículos de transporte especial, veículos de transporte escolar, veículos de transporte de tropa e equipamentos bélicos das Forças Armadas, e veículos de remoção (guinchos), conforme regulamentação publicada no Diário Oficial do Município (DOM) no último mês de fevereiro.

“A Faixa Azul deveria ser liberada até para nós mototaxistas porquê nós prestamos serviços de grande importância para toda a sociedade. É claro que há problemas como em toda profissão, mas poderíamos ocupar também esse espaço, que às vezes fica sem ninguém trafegando”, disse Evando Carlos Nascimento, 46, ex-dirigente da categoria e um dos que reivindicam a vez na pista.  

O também mototaxista Rodrigo Costa Gama acha que a faixa deveria contemplar a categoria. “Acho que sim, deveríamos ter vez na Faixa Azul, pois assim como os taxistas utilizam ela para transporte rápido, e talvez seguro, nós também queremos evitar de passar tanto pelo lado dos carros, engarrafamentos, etc. Essa faixa exclusiva poderia muito bem ser utilizada para o transporte mais rápido pelos usuários de mototáxis e evitando acidentes, ou um transtorno maior ou coisa do tipo”, disse ele.

Ao ser questionado pela reportagem se não seria perigoso guiar um mototáxi no mesmo espaço que um ônibus coletivo, como os articulados, ele falou que esse risco realmente existe, mas é claro que os motoristas teriam que ter uma certa distância entre as motos e os veículos mais pesados. “As motos e os outros veículos não precisam ficar totalmente do lado. E também quando um carro parar, ele sempre vai dar a seta (sinalização) e vai dar para o mototaxista ver antes de estacionar”, analisa Gama.

O mototaxista Éferson Paula também concorda com seus companheiros de profissão, mas alerta quanto às leis de trânsito que determinam que “as motocicletas sempre devem andar pela direita da faixa”.

“Talvez isso gere um certo impasse nessa situação. E às vezes o mototaxista também trafega pelo meio dos carros, e na Faixa Azul, que é uma via expressa, mais rápida, Se na faixa normal o mototáxi já corre, na Azul ficaria pior ainda. É necessário ter consciência da velocidade certa com responsabilidade”, disse ele.  

Quatro rodas

Motoristas de quatro rodas ouvidos por A Crítica têm opiniões divergentes quanto à utilização da Faixa Azul nas vias da cidade.

O motorista de ônibus Edval Barros defendeu a visão de que a instalação da faixa azul só traz benefícios para os condutores do transporte coletivo local. Responsável por conduzir um dos ônibus da linha 448 (Cidade de Deus), ele comentou que a Max Teixeira, por exemplo, ficou mais livre para os coletivos.

“A via melhorou principamente quando saímos da Torquato Tapajós em direção aqui à Max Teixeira”, explica ele, entrevistado em um dos momentos de intervalo nas plataformas construídas para o sistema Expresso na avenida Max Teixeira.

O condutor de carro particular  Emerson Gomes relatou, por sua vez, que a Faixa Azul limita o trânsito das outras categorias que não são abrangidas por ela. Ele até sugere que os ônibus, por exemplo, “deveriam ser deslocados para a faixa direita da pista, liberando a parte esquerda para os outros carros"

Sinalização

As avenidas Torquato Tapajós e Max Teixeira encontram-se atualmente em processo de sinalização do Faixa Azul, em serviço que está sendo executado pelo Manaustrans.

Após a sinalização estar concluída, o que deve ocorrer dentro de duas semanas, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) deverá anunciar o início dos 30 dias que vão anteceder a fiscalização de trânsito no local. Esse procedimento foi adotado nas outras duas vias que tem faixas azuis e que estão com a fiscalização - Mário Ypiranga e Constantino Nery. Durante esse prazo, o órgão informa que vai trabalhar a divulgação das normas de circulação nas vias.

As faixas azuis das avenidas Constantino Nery e Mário Ypiranga já estão com a fiscalização em vigor. As avenidas Umberto Calderaro, Torquato Tapajós, Max Teixeira, Noel Nutels, Camapuã, Autaz Mirim e Alameda Cosme Ferreira possuem plataformas à esquerda, mas ainda não estão sendo fiscalizadas.

 As faixas azuis servem para priorizar o ônibus do transporte coletivo nas vias de maior fluxo de veículos da cidade. A implantação de corredores destinados ao transporte coletivo é uma iniciativa adotada nas principais capitais do pais e visa diminuir o tempo de viagem das linhas, consequentemente o tempo de espera do usuário e a lotação nos coletivos, informa a SMTU.

Segundo o órgão, após o início da fiscalização na avenida Constantino Nery, com uma redução do tempo de viagem entre 15 a 25 minutos, houve um aumento de 12 mil passageiros/ dia nas linhas que trafegam pela faixa azul. 

Em números

198/2015

É o número do projeto de lei do vereador Francisco da Jornada (PDT) que prevê a utilização das faixas exclusivas e corredores de ônibus por motociclistas entre 10h e 17h. Ele ainda está em tramitação na Câmara dos Vereadores.

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.