Sábado, 20 de Julho de 2019
Mototaxistas no centro

Mototaxistas invadem o centro de Manaus

Até a calçada da praça da matriz foi transformada em ponto de embarque



1.jpg Placa indicando o serviço irregular mostra que os profissionais estão muito à vontade para estacionar seus veículos em lugar de passagem de pedestre
28/08/2013 às 07:36

Os mototaxistas invadiram as ruas do Centro de Manaus e transformaram os pontos turísticos em estações de embarque de passageiros. Em frente aos prédios históricos é comum ver motos estacionadas aguardando passageiros que optam pelo transporte irregular.

A regulamentação da profissão de mototaxista foi aprovada no dia 14 deste mês pelos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A lei nº 282/2013 garante a 6,4 mil mototaxistas o direito de trabalhar em todas as zonas da cidade. A regra aguarda a sanção do prefeito, prevista para acontecer até o fim desta semana.

Na entrada da Igreja da Matriz um grupo de mototaxistas aguarda o chamado de clientes. O mesmo ocorre do outro lado da rua. Na entrada do porto municipal, outro grupo de mototaxistas se posiciona para esperar os clientes. A parada é estratégica, pois funciona como ponto de encontro de pessoas que vão ao Centro em busca de compras ou que chegam de viagens.

Em menos de 50 metros, ainda no calçadão da igreja da Matriz, está definido outro ponto de mototaxi. Os profissionais das motos paradas entre os camelôs seguram placas indicando: “ponto de mototaxi”, e abordam as pessoas que circulam pelo Centro.

Contradição

Na praça do relógio, um grupo de mototaxistas sentados em cadeiras de sol aguarda a chegada de clientes.  O local foi alvo de uma ação da prefeitura no começo do mês quando oito restaurantes e bares foram retirados para facilitar e dar mais segurança ao tráfego de pedestres.

O valor da corrida não obedece a uma tabela específica e a falta de taxímetro também dificulta a fixação de valores.

Segundo informou a assessoria da Prefeitura de Manaus, um grupo técnico da Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) estuda os itens que estarão presentes na regulamentação e no processo de licitação de placas. O anúncio de todos os itens necessários para a atuação da categoria só serão anunciadas dias após a sensação da lei pelo prefeito, ainda sem data definida.

“A lei nos dá 60 dias para que entre em vigor depois de sancionada, mas faremos isso (o anúncio das regulamentações) bem antes. A SMTU já trabalha na regulamentação da categoria”, disse o diretor-presidente do órgão, Pedro Carvalho, por meio da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom).

Serviço rápido, barato e inseguro, na Zona Leste

O transporte feito por mototaxistas é considerado primordial pelos moradores do bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste. O bairro, onde só passam duas linhas de ônibus, é um dos líderes em quantidade de mototaxistas que chegam a cobrar R$ 0,75 a menos do que nos coletivos.

A autônoma Sibéia da Silva é uma das usuárias do serviço de mototaxi. Ela conta que chega a esperar uma hora pelos ônibus para sair do bairro. “A gente opta mais por andar em mototaxi aqui dentro do bairro mesmo. É barato e mais rápido”, disse Sibéia. O valor médio de um trajeto dentro do Colônia Antônio Aleixo é de R$ 2, preço abaixo da tarifa do coletivo.

A dona de casa Icléia Costa disse que a falta de transporte público no bairro foi o mote para a mudança de emprego do marido. “Meu esposo trabalhava como professor e era pastor da igreja, mas ganhava pouco. A gente percebeu que tinha muito cliente aqui por conta da dificuldade em pegar ônibus e então ele decidiu ser mototaxista”.

Lucas Pereira, 30, é um dos mototaxistas que atuam no bairro. Ele conta que  outros cem motoqueiros optaram por trabalhar na profissão. “Aqui tem muito mototaxista. Ganhamos mais quando fazemos corrida para fora do bairro. Uma corrida ao Terminal 5, por exemplo, custa aproximadamente R$ 10. Para o Centro, R$ 40 por corrida”, disse Lucas.

Mesmo antes da regulamentação ser aprovada, outras irregularidades são comumente vistas. Durante os trinta minutos em que a reportagem esteve presente no bairro, nenhum mototaxista apresentava capacete para o cliente-passageiro que estava exposto a acidentes e perigos.

Excesso será tirado das ruas

A lei que regulamenta a profissão de mototaxista prevê que apenas os condutores sem condenação judicial e habilitação com mais de dois anos poderão concorrer ao processo licitatório para a vaga de mototaxista. A previsão é que o lançamento de edital de concorrência ocorra em outubro e deve deixar de fora mais de nove mil pessoas que hoje atuam na profissão.

Entre os outros pré-requesitos estabelecidos por lei, os mototaxistas precisarão ter mais de 21 anos completos e ser aprovado em cursos especializados disponibilizados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contram).

Coletes retrorreflexivos estabelecidos pelo Contran são um dos itens de seguranças que precisam ser adotados.  Além disso, precisam apresentar atestados de sanidade mental assegurando que estão aptos para transportar pessoas.

A declaração de contribuinte com o INSS e seguro de vida também são necessários.

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