Publicidade
Manaus
Manifestação

Mototaxistas irregulares exigem mais vagas e denunciam venda de concessões na internet

Trabalhadores alegam que querem se regularizar, mas encontram dificuldades, enquanto a SMTU afirma que não há como aumentar número de vagas. Irregulares denunciam esquema de vendas de motos licitadas 22/06/2016 às 21:23 - Atualizado em 22/06/2016 às 21:29
Show moto
Grupo de mototaxitas denuncia a prática ilegal da atividade (Foto: Clóvis Miranda)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Os mototaxistas que atuam ilegalmente em Manaus, conhecidos como ‘piratas’, querem se legalizar, mas encontram dificuldades para isso. “Não somos irregulares porque queremos, mas sim porque não nos dão oportunidade”, disse Júnior Silva, 30, que trabalha no ramo há nove anos. Nesta quarta-feira (22) eles fizeram uma manifestação na avenida André Araújo, Zona Centro-Sul, e denunciaram a venda de concessões em classificados na internet.

O titular da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, deixou claro que não há como aumentar o número de vagas ofertadas.  “Existe uma lei que estabelece a quantidade de motos prestando esse serviço de acordo com o número da população. Não me parece tecnicamente viável aumentar a quantidade, porque os próprios permissionários que estão operando reclamam que a praça está ruim. Não está fácil e não há motivo para aumentar”, frisou.

Porém, os mototaxistas alegam que existem muitos permissionários que estão empregados e que alugam os veículos, “tirando a oportunidade de quem quer estar na rua” e desrespeitando o edital. “Tem pai de família que trabalha todos os dias e é abordado com truculência pelos fiscais. Enquanto tem gente que ganhou a licitação, mas está vendendo a placa no OLX, tirando a vaga de quem quer trabalhar”, salientou Elielson Ramos, 33.

‘Moto a venda’

No classificados online OLX há alguns anúncios de motos caracterizadas sendo vendidas, alugadas, e até trocadas por moto ou sítios. Um anúncio postado na última segunda-feira, de uma moto de marca Yamaha Fazer, que no mercado custa menos de R$ 10 mil, com matrícula MT 1360, está sendo comercializada por R$ 23 mil, com a placa e matrícula para ‘rodar’. O anúncio diz que a moto nunca foi usada para serviço de mototáxi.

A equipe de reportagem ligou no número fornecido e uma mulher que se identificou como Luciana informou que o marido não está mais trabalhando como mototaxista porque arrumou  outro emprego. Porém, ao invés de transferir a concessão, eles querem vender. “ O interessado tem que fazer um curso no Detran e depois me liga de volta que conhecemos uma pessoa na SMTU que pode colocá-lo como auxiliar do meu marido. Depois de um ano, no recadastramento, essa pessoa pode se cadastrar”.

Pedro Carvalho informou que é impossível fazer a venda de concessões. “Dá para transferir, mas vender não é permitido. Até porque a cada um ano nós fazemos o recadastramento novamente para ver quem está operando, quem está empregado e quem está parado”.

Concorrência

Por outro lado, os mototaxistas regularizados reclamam da concorrência com os ‘piratas’ e pedem mais fiscalização.  O superintendente da SMTU, Pedro Carvalho, informou que as fiscalizações acontecem diariamente. Em julho, 170 motos apreendidas com mototaxistas piratas serão leiloadas pelo órgão.

Publicidade
Publicidade