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Manaus
'MAUS CAMINHOS'

'Mouhamad Moustafa foi muito útil ao governo', diz ex-chefe da Casa Civil

Raul Zaidan prestou depoimento à Justiça Federal na tarde desta sexta-feira (9)a favor do médico Mouhamad Moustafa 09/06/2017 às 18:38 - Atualizado em 09/06/2017 às 18:50
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(Foto: Clovis Miranda)
Janaína Andrade Manaus

Até pouco tempo do primeiro escalão do governo estadual, o ex-secretário de Administração do Governo (Sead) Evandro Melo (Pros), o ex-secretário de Saúde (Susam), Wilson Alecrim e o ex-chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, prestaram depoimento a Justiça Federal na tarde desta sexta-feira (9), em favor do empresário e médico Mouhamad Moustafa, preso durante a operação “Maus Caminhos” acusado de liderar organização criminosa que desviou R$ 110 milhões do Fundo Estadual de Saúde. À reportagem, o ex-chefe da Casa Civil declarou antes de seu depoimento que Mouhamad “foi muito útil ao governo”.

Em seu depoimento, Alecrim afirmou conhecer Mouhamad e que o médico eventualmente lhe procurava na Susam para tratar de pagamentos do Instituto, referente a serviços prestados a pasta.

"Não houve qualquer manifestação negativa (Sobre os serviços do INC durante a gestão). Tenho a certeza que em minha gestão não fiz nada de negativo para a saúde. Se há alguma dúvida aqui de alguém, digo que não fiz nada para prejudicar ninguém em toda minha carreira. Conheço o Mouhamad, é médico. Ele me procurava, assim como outros contratados da Susam me procuravam, mas para tratar sobre pagamento, somente",  sustentou Alecrim.

Questionado pelo procurador da República Alexandre Jabur, responsável pela operação Maus Caminhos, se costumava ter reuniões externas, em almoços ou jantares com empresários, como Mouhamad, Alcrim disse: "A minha vida pessoal é muito reservada, não me sinto a vontade com isso. Isso não dá certo. Ele (Mouhamed), não sei se pelo meu jeito, nunca ousou me oferecer nada".

Em seus depoimentos, tanto Zaidan quanto Evandro Melo afirmaram que eram procurados por Mouhamad na Sede do Governo a respeito do atraso nos pagamentos.

"O Mouhamad esteve lá várias vezes pedindo para falar com o governador (José Melo) a respeito dos atrasos. E na época me recordo que os pagamentos estavam atrasados há seis meses. Eu o ouvia como ouvia a todos, mas ele nunca foi levado até o governador (José Melo). Tínhamos uma relação muito cordial, nos aproximamos durante as Olimpíadas porque ele nos ajudou muito com as tendas de UTI, ambulâncias. O Mouhamad foi muito útil ao Estado",  falou Zaidan.

Na mesma linha respondeu Evandro Melo. "Ele nos procurava na Sede. Muitas vezes nos reclamou dos atrasos",  disse.

Pela manhã foram ouvidos, também em defesa de Mouhamed, o ex-presidente da ALE-AM, deputado Josué Neto (PSD), o ex-titular da Susam, Pedro Elias e o ex-subcomandante da Polícia Militar (PM-AM), Aroldo Ribeiro.

O deputado estadual Josué Neto foi questionado em seu depoimento sobre a tramitação e aprovação de um projeto de lei ordinário, de autoria do Executivo Estadual, que regulamentava a contratação de organizações sociais da Susam, que beneficiava o Instituto Novos Caminhos. A proposta foi aprovada em 23 dias, tempo este para o MPF "extremamente exíguo se comparado a qualquer projeto de lei de complexidade semelhante". O parlamentar afirmou ter considerado normal e que respeitou os tramites da Casa.

Pedro Elias respondeu sobre a origem dos recursos para pagar institutos como a que Mouhamad comandava. E afirmou ainda que falava com Mouhamad somente quando era procurado a respeito de pagamentos de serviços prestados pelo Instituto e que nunca recebeu presentes ou conviveu em festas com o réu.

O ex-comandante da PM, Coronel Aroldo, assumiu que foi contratado por Mouhamad para realizar, junto com um grupo armado formado por policiais civis e militares, para realizar a segurança do médico e seus familiares, sob seu comando. O grupo estava sempre a disposição de Mouhamad.

O presidente da Comissão Geral de Licitação do Governo do Estado (CGL), Epitácio de Alencar e Silva Neto, e o ex-presidente do Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (ICEA), Julio Cezar Furtado de Queiroz, também convocados como testemunhas de Mouhamad, foram dispensados pelos advogados, que entenderam que o depoimento da dupla não era mais necessária.

Os depoimentos ocorreram na sala de audiência da 4 Vara da Justiça Federal, na avenida André Araújo, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul. O staff testemunhou a favor de Mouhamad no processo que tramita na 4ª Vara Criminal da Justiça Federal e que tem como relatora a juíza federal Ana Paula Serizawa Silva Podedworny.          


(Foto: Arquivo/ AC)             

Dinheiro da saúde
A operação Maus Caminhos foi deflagrada no dia 20 de setembro de 2016 e desarticulou, segundo denúncia do MPF, uma organização criminosa que teria desviado verbas públicas por meio de contratos da Susam com o Instituto Novos Caminhos para gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Campos Sales, Zona Norte, a maternidade de Tabatinga, e o centro de reabilitação em dependência química em Rio Preto da Eva. O esquema, de acordo com as investigações, era comandado por Mouhamad, que está preso. Segundo a PF, os desvios ocorriam desde abril de 2014. O médico foi apontado como o líder do bando. Durante as investigações, a PF descobriu que a organização criminosa tinha constituído um braço armado que seria comandado pelo coronel da Polícia Militar Aroldo Ribeiro.

Defesa
Advogado de defesa de Mouhamad, Ravik Ribeiro, que é de um escritório em Brasília, afirmou que todos os depoimentos, em maior ou menor grau, são o caminho para se chegar a verdade”. Segundo ele, o próximo passo agora será no dia 26 deste mês, quando as testemunhas de outros réus no processo também serão ouvidos. Entre eles, Priscila Marcolino Coutinho, que também é sua cliente e foi presa durante a Operação.

Priscila que é advogada é considerada, segundo as investigações, o braço direito de Mouhamad no esquema de desvio de recursos públicos.

MPF
O procurador da República Alexandre Jabur, responsável pela operação Maus Caminhos, declarou que não ficou “impressionado, nem preocupado” com as falas das testemunhas de defesa de Mouhamad.

“Tudo foi dentro da normalidade. (As testemunhas de defesa) Esclareceram alguns fatos laterais que na verdade não são o foco principal da denúncia, mas isso faz parte do rito da defesa, que busca esse tipo de esclarecimento. Agora vamos aguardar a audiência do dia 26, onde serão ouvidas o restante das testemunhas de defesa e sendo concluída essa fase poderemos iniciar o interrogatório dos réus, que neste processo são quatro – Mouhamad, Priscila, Jennifer Nayara Yochabel Rufino Correa da Silva e Alessandro Viriato Pacheco”, disse Jabur.

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