Sábado, 20 de Julho de 2019
POLÍCIA

Mouhamad Moustafa é um dos responsáveis pelo 'Fim de Semana Sangrento', diz PF

Na análise do celular da esposa de Moustafa, a polícia encontrou mensagens de WhatsApp  em que ele diz ter pago R$ 20 mil por “cabeça” dos responsáveis pela morte do sargento da Polícia Militar Afonso Camacho



moustafa.JPG Foto: Divulgação
22/12/2017 às 21:32

As investigações da Polícia Federal no curso da operação Custo Político, um desdobramento da operação Maus Caminhos, detectaram que o médico Mouhamad Moustafa, acusado de desviar mais de R$ 110 milhões da saúde pública do Amazonas, está no centro da matança ocorrida em julho de 2015, no episódio que ficou conhecido como “Fim de Semana Sangrento”, em Manaus. Para a Polícia Federal, o médico pode ter participação na chacina e chegou oferecer recompensa de R$ 20 mil por “cabeça”.

Na análise do celular da esposa de Moustafa, a polícia encontrou mensagens de WhatsApp  em que ele diz com todas as letras que pagou R$ 20 mil por “cabeça” dos responsáveis pela morte do sargento da Polícia Militar Afonso Camacho. O assassinato de Camacho deu origem à série mortes daquele fim de semana. O policial militar foi vítima de uma “saidinha de banco”, no estacionamento de uma agência bancária do bairro Educandos, na Zona Sul. Camacho pertencia à equipe de segurança do médico, que era chefiada pelo coronel Aroldo Ribeiro. Veja as conversas no final da matéria.

Segundo uma das mensagens enviadas por Mouhamad Moustafa à esposa, o policial integrava a equipe que prestava serviços de segurança para o médico. Ele também diz não aceitar que “mexam com gente dele” e completa: “não quero ninguém preso, vai pro inferno”. Em outro trecho da conversa, Moustafa fala que uma “cabeça” já foi dada a ele e completa que ainda faltam outras duas.

“Já achamos um e vamos achar os outros dois já ofereci 20 por cabeça (sic)”, disse ele à mulher por mensagem.  “E se mexerem com alguém da nossa família, acabo com a família toda de quem ousar”, diz o médico, em tom ameaçador.

Na mesma conversa, o médico ainda comenta com  a esposa  sobre o saldo das mortes ocorridas em Manaus durante a noite do dia 17 para 18 de julho. “20 mortos e 32 baleados, saldo em decorrência da morte do PM”.  Essa troca de mensagens chamou a atenção da Polícia Federal, que não descarta a possibilidade dele ter envolvimento com a ordem para matar.

O delegado federal Alexandre Teixeira, responsável pela  operação Custo Político, explicou que o possível envolvimento do médico com a matança  do fim de semana sangrento não era objeto da investigação da Delegacia Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros, mas os indícios reforçam a conduta criminosa de Mouhamad Moustafa. “Nós detectamos essa conversa e enviamos à Justiça Federal para que dê encaminhamento à Vara Estadual, onde está o processo que investigou essas mortes”, explicou o delegado.

Dos mais de 30 assassinatos registrados no “Fim de Semana Sangrento”, pelo menos 20 são atribuídos a policiais militares que foram presos na operação Alcateia, deflagrada em novembro de 2015. Na ocasião, 11 policiais foram presos suspeitos de integrarem um grupo de extermínio.

Grupo de extermínio denunciado

A sequência de mais de 30 mortes e mais 13 de tentativas de homicídios  ocorreram entre os dias 17 e 19 de julho de 2015, após o assassinato do sargento da Polícia Militar Afonso Camacho, vítima de latrocínio. Quatro meses depois a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) deflagraram a operação Alcateia, que investigou e prendeu pelo menos 11 policiais militares envolvidos na série de assassinatos. 

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) ofereceu denúncia à Justiça sobre o caso, afirmando os policiais formavam um “grupo de extermínio”. A denúncia afirma que os integrantes se autodenominavam “motoqueiros fantasmas” e que durante as suas ações usavam máscaras de caveira e equipamentos da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM). A corregedoria da SSP-AM também apontou que os policiais  matavam traficantes para roubar os entorpecentes e revendê-los.

O processo da operação Alcateia ainda está em fase de instrução, na 3ª Vara do Tribunal de Júri. Os acusados podem ser levados à Júri Popular.

As mensagens


Moustafa, o contato em azul, inicia  conversa com a esposa, o contato em verde, dizendo que o policial morto era de sua equipe e que, pela vingança, já ofereceu “20 por cabeça”. Um dos responsáveis já teria sido identificado.

 


O médico, então, manda uma imagem do policial militar morto, conta que ele foi vítima de uma saidinha e tacha o crime de covardia. “Na covardia deram a fita que o policial estava carregando dinheiro”, escreveu ele.

 


Na sequência das mensagens, enviadas na noite da morte de Camacho, ele diz que “uma cabeça” já deram para ele. “Faltam duas”, escreveu. “Mexeu com gente minha, não quero ninguém preso, vai para o inferno”, completou.

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