Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
MAUS CAMINHOS

Acusado de desviar R$ 100 milhões não tem R$ 468 mil para pagar fiança, diz advogado

Com os bens bloqueados na Justiça, Mouhamad Moustafa alega não ter como pagar valor arbitrado pela Justiça para liberá-lo



1249207.JPG Foto: Arquivo A Crítica
21/07/2017 às 14:10

No início desta semana, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, concedeu habeas corpus ao médico e empresário Mouhamad Moustafa, principal réu do processo da “Maus Caminhos” e acusado de chefiar um esquema que desviou mais de R$ 100 milhões da Saúde no Amazonas, e também à advogada Priscila Marcolino, outra ré no processo. A liberdade deles foi concedida sob uma condição: o pagamento de fiança de 500 salários mínimos, o equivalente a R$ 468.500, por Mouhamad, e de 300 salários mínimos, ou R$ 281.100, no caso de Priscila.

Porém, segundo o advogado Ravik Bello Ribeiro, que faz a defesa dos dois réus, os valores são altos demais e as famílias deles não têm dinheiro suficiente para pagá-los. Todos os bens tanto do médico-empresário quanto da advogada estão bloqueados na Justiça. “Nenhum deles, individualmente, tem condições de pagar, porque todo seu patrimônio, contas bancárias e até bens estão bloqueados pela Justiça. A família entende, e acho que com absoluta razão, de que a fiança, no quantitativo que ela foi imposta, é excessiva, um valor alto demais”, disse Ravik.

O interessante é que  os itens do patrimônio de Mouhamad bloqueados na Justiça “cobririam” facilmente o valor da fiança, como carros importados, avião a jato, helicópteros e imóveis de luxo, tudo de alto padrão e bancado, conforme as investigações, pelo esquema criminoso de desvio de verbas da Saúde, Entre os bens estão dois veículos Porsche, um valendo R$ 549,6 mil e outro R$ 399,7 mil; um veículo Toyota Hilux de R$ 228,1 mil; uma BMW de R$ 186,9 mil e um Ford Fusion de R$ 156,6 mil; além de, por exemplo, um terreno de R$ 2 milhões e um imóvel de R$ 2,5 milhões adquiridos pela esposa do médico.

Recurso para diminuir fiança

De acordo com o advogado Ravik Bello Ribeiro, ele vai recorrer na Justiça para tentar reduzir os valores das fianças. “Cheguei hoje a Manaus e vou conversar com ambos, mas a orientação inicial que já recebi, a conversa que já tive com familiares, é de que nós iremos recorrer. Vamos recorrer pedindo a redução do valor”, completou Ravik Bello Ribeiro. “Embora ainda não tenha sido feito, já é algo certo. Isso depende de alguns documentos, de alguns meios probatórios, que eu vim inclusive pegar e discutir aqui em Manaus, porém o fato de recorrer já é uma certeza”.

Atualmente, Mouahmad está preso na carceragem do Comando de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar do Amazonas, em Manaus. Caso consiga a liberdade, tanto ele como a advogada Priscila deverão cumprir algumas regras impostas pela Justiça, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de se ausentar de Manaus sem autorização judicial, proibição de manter contato com outros investigados e obrigatoriedade de se recolherem em casa no período noturno, de 18h às 6h. “Durante o dia eles não têm nenhuma obrigação de permanecerem em casa”, reforçou o advogado.

‘Maus Caminhos’

O esquema da “Maus Caminhos” foi divulgado pela primeira vez em setembro do ano passado, durante uma operação deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério da Transparência, pela Controladoria-Geral da União e pela Receita Federal com objetivo de desarticular uma organização criminosa que desviava recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas, liderada pelo médico-empresário Mouhamad Moustafa.

Segundo os órgãos, os envolvidos usavam uma entidade social, o Instituto Novos Caminhos (INC), para desviar recursos oriundos do Fundo Estadual de Saúde e destinados a hospitais e fundações do Amazonas. Ao todo, pelo menos R$ 112 milhões foram desviados e 19 pessoas estavam envolvidas no esquema.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.