Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
Manaus

Movimento na web ajuda a recolher verba para tratamento de estudante que tem câncer raro

A dificuldade financeira é o principal obstáculo para que José Monteiro possa acompanhar o filho no tratamento. E para ajudar, os amigos da família lançaram a campanha “Ajude Luiz Eduardo Monteiro - Graacc” na rede social Facebook



1.jpg José Monteiro, segurando o cartaz da campanha que está no Facebook, conta com a volta da saúde do filho Luizinho
25/07/2012 às 07:52

Há dez meses que os dias do autônomo José Luiz Monteiro, 34, são os mais difíceis da vida dele. Em setembro do ano passado, o filho Luiz Eduardo, à época com 10 anos, teve diagnosticado  uma forma rara de câncer, o “Sarcoma de Erwing”. A expectativa de ver o filho de volta à Manaus curado é o que motiva José Monteiro  a continuar lutando pelo tratamento de 18 meses em São Paulo.

A dificuldade financeira é o principal  obstáculo para que José Monteiro possa acompanhar o filho no tratamento. É com a renda da pequena lanchonete onde trabalha, na área externa de uma rede de atacado, e com a ajuda de amigos que ele  se esforça para pagar despesas de Luiz Eduardo e da mãe, Priscila Negreiros, em São Paulo.



E para ajudar José  Monteiro a cobrir as despesas do filho em tratamento, os amigos da família lançaram a campanha “Ajude Luiz Eduardo Monteiro - Graacc” na rede social Facebook. Em solidariedade ao pequeno Luizinho, as doações podem ser em qualquer quantia.

Agora, com 11 anos, Luizinho, como também é chamado pelos amigos e familiares, vem se submetendo a sessões de quimioterapia no Instituto Oncológico Pediátrico de São Paulo e é amparado pelo Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graac) na capital paulista. O dinheiro que José Monteiro consegue enviar paga, principalmente, alimentação e transporte.

O custo de vida alto na cidade, permitiu que apenas a mãe do garoto acompanhasse o tratamento.

O autônomo conta que, diante das dificuldades de acesso aos remédios que fazem parte do tratamento, em Manaus, viu a esperança de ver o filho curado em São Paulo, tendo que suportar a dor da saudade. “Por ser uma doença rara, aqui não tem todos os remédios que ele precisa. E os que tem, são mais caros que lá”, relata o pai. Os medicamentos disponíveis em Manaus custam em torno de R$ 7 mil a R$ 8 mil. “Não tem como ficar correndo da sala pra cozinha pra arrecadar todo final de semana R$ 8 mil. Tem semana que eu posso conseguir e outras não. Mas se trata da vida do meu filho”, desabafou.

Quando fala do filho, o autônomo não consegue segurar as lágrimas de tristeza por saber que Luiz, ainda garoto, tem que suportar a dor da saudade de casa, dos amigos, da família, da escola e da rotina ativa que tinha. “Ele é um garoto tão esperto. Sempre brincalhão, animado, solidário”, contou.

José Luiz ainda conta com a solidariedade dos amigos próximos, além do apoio da organização não-governamental Instituto Alguém, em Manaus.

Diagnóstico após aniversário
O diagnóstico do câncer de Luiz Eduardo foi confirmado no dia 26 de setembro de 2011, um dia após o aniversário dele. Foram várias tentativas em unidades de saúde públicas para saber porque o garoto se queixava de dores na região entre o ombro e o cotovelo esquerdo. A confirmação só foi possível por meio da visita de uma equipe médica especializada num hospital particular de Manaus. “Certa noite o Luiz me pediu pra dormir com a cabeça encostada no ombro dele. No dia seguinte, estava um pouco inchado mas achávamos que tinha sido por causa disso. Alguns dias se passaram e ele continuou se queixando de dores na região do braço. A partir daí, foram vários exames em unidades particulares. Os exames custavam em torno de R$ 2 mil e R$ 3 mil. Mas só pensava no meu filho livre da doença”, relatou.

As expressões de José são de um pai constantemente preocupado com a distância do filho. “Nunca fui visitá-lo em São Paulo por conta das despesas. Mas desde que eles foram pra lá vieram apenas duas vezes a Manaus”, contou.

Quimioterapia
O Sarcoma de Erwing é uma forma rara de câncer mais frequente na faixa etária entre 10 e 20 anos, sendo mais raro em mulheres. É uma forma de tumor ósseo. O tratamento, em todos os casos, consiste em quimioterapia.






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