Domingo, 08 de Dezembro de 2019
EM AÇÃO

Movimentos e pesquisadores protestam em prol da educação e da Amazônia

Grupos na Praça da Saudade fizeram duras críticas ao governo Bolsonaro em relação a cortes em pesquisas e queimadas na Amazônia



amaz_nia_2_FF39F75E-02CB-47C5-863F-F03EF333F389.JPG Foto: Jair Araújo
07/09/2019 às 16:58

Unidades sindicais, centrais acadêmicas e frentes sociais protestaram em prol da educação e da preservação da Amazônia na tarde deste sábado (7), na Praça da Saudade, Zona Sul de Manaus. Com um mini trio elétrico, adesivos e faixas, o grupo se organizou em passeata direcionando o ato contra o governo de Jair Bolsonaro.

Por causa do feriado da Independência, a praça estava com pouco fluxo de pessoas e veículos. Quebrando o silêncio, gritos como "tsunami" e "contra os cortes" juntando com marchinhas improvisadas com instrumentos de percussão concentraram a atenção de quem passou no local.



Vestidos de preto, a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Amazonas (Sinteam), Beatriz Calheiro, disse que a cor é usada como resposta ao chamado do presidente de desfilar pela Independência com as cores da bandeira nacional. "O presidente pede para vir de preto e amarelo como provocação à nossa independência. Ele não tem nada de nacionalista quando bate continência aos Estados Unidos, quando corta os incentivos à pesquisa e não dialoga com as diferenças", comentou.

O corte de 5.613 bolsas de pesquisa em pós-graduação até o fim do ano anunciadas pelo Ministério da Educação (MEC) foi altamente criticado. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), outra agência federal de financiamento de pesquisadores, também suspendeu processo de seleção de bolsistas no Brasil e no exterior, por falta de recursos. O cálculo é um déficit de R$ 330 milhões no orçamento.

A passeata andou até a Praça da Matriz, na avenida Sete de Setembro, como estratégia para picos de mobilização devido à localização ser a entrada do festival Passo a Paço. A ligação das pautas pela Amazônia e Educação serão atreladas nos próximos movimentos, Beatriz acrescentou.

"São incentivos ao mesmo objetivo. Quanto mais pessoas se capacitarem para defender de forma sustentável a fauna e a flora da Amazônia, através da pesquisa científica, estaremos reconhecendo os anseios das comunidades do interior, desenvolvendo a nossa região. Estamos contra as queimadas de propriedades privadas que querem transformar a floresta em pasto", explicou.

Aluna de mestrado em Química, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Priscila Duarte disse que teve colegas que iniciaram os estudos no segundo semestre do curso que não receberam as bolsas de incentivo. "A minha está garantida a princípio, mas o governo pode bem cancelar no mês que vem. Estão tirando recursos já definidos no orçamento, o MEC remaneja aquilo que não tem compromisso. Estão asfixiando a pesquisa", protestou.

Ela conta que formar para simplificar o ensino da Química às escolas em geral. Com o sonho de ser professora, Priscila disse que não pensa em fronteiras para ser professora. "Onde me chamarem, pretendo ensinar. Quando perguntam de Química, quase ninguém sabe nada. Quero ajudar a desenvolver esses conceitos", concluiu.

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Jornalista
Formado pela Faculdade Boas Novas. Pós-graduando em Assessoria de Comunicação e Imprensa e Mídias Digitais. Com passagens por outros veículos locais, hoje atua nas editorias de política e economia de A Crítica. Valoriza relatos humanizados e contos provocativos do cotidiano.

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