Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
MANIFESTAÇÕES

Movimentos realizam atos contra Bolsonaro, racismo e fascismo no Centro

Este foi o terceiro ato dos manifestantes que conta com universitários, torcidas antifascistas, professores e integrantes do movimento negro e feminista



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13/06/2020 às 17:31

Movimentos sociais realizaram na tarde deste sábado (13), um terceiro ato em defesa da democracia na Praça da Saudade, no centro histórico de Manaus, Zona Sul. Os atos são contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o vice Hamilton Mourão. Segundo dados da Polícia Militar, a manifestação reuniu cerca de 60 pessoas.

Com discursos e palavras de ordem, os manifestantes criticaram o atual governo e o tratamento do estado em relação a pandemia de Coronavírus. Os presentes também lembraram e repudiaram falas recentes do presidente e o descaso com a educação.



Universitários, torcidas antifascistas, professores e integrantes do movimento negro participaram do ato, que inicialmente foi convocado ao público pelo movimento de torcidas organizadas antifascistas e obteve apoio dos outros grupos presentes.


Foto: Aguilar Abecassis

No dia último dia 2 de junho, o Movimento Amazonas pela Democracia (AMPD) promoveu um ato pró-democrático com uma caminhada pela Avenida Djalma Batista, Zona Centro Sul. Após cinco dias, o ato ‘vidas negras e indígenas importam’ tomou a Avenida Itaúba, na Zona Leste.

A professora Gleice Oliveira, da Oposição sindical ao Sinteam (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas), explicou que a unificação das lutas serve para dar continuidade aos debates e reflexões sobre a conjuntura vivida pelo país.

“Nós unificamos todas as organizações para fazer uma manifestação só e estamos dando continuidade a um calendário de lutas. Essa já é a terceira manifestação com duas bandeiras de luta centrais. A primeira é contra o governo Bolsonaro, por entendemos que o governo bolsonaro não está garantindo o combate ao Covid-19 para a população. É só ver a quantidade de mortos. É inaceitável”, disse Gleice.

“O governo também vem se opondo a harmonia entre os 3 poderes e ameaça a população brasileira para uma intervenção militar. A gente não pode deixar de se manifestar sobre isso. Segundo, contra o fascismo. Porque hoje, as pessoas que apoiam o Bolsonaro atuam da maneira que nós caracterizamos o fascismo”, explicou a professora da rede municipal.

O professor da Rede Municipal de Educação, Eudes Melo, defendeu que as manifestações querem propor debates para a luta contra o racismo, a discriminação contra indígenas mas também para ir contra o governo atual.

“Nós estamos aqui também reivindicando que a nossa categoria de professores precisa ser ouvida pelo secretário e pelo governo, que simplesmente está impondo o retorno sem ouvir a categoria e sem escutar quem menos interessa nesse momento”, alegou o professor.

Eudes lembrou também que todos os dias, professores enfrentam dificuldades para lecionar. “Nós, que convivemos no dia a dia na sala de aula, não temos o suporte necessário para trabalharmos com os materiais que nós precisamos, como por exemplo, um pincel”, lembrou.  

Segundo Jimmy Linhares, da representante da frente Amazonas Pela Democracia (AMPD), explicou que o grupo se sentiu obrigado a deixar suas casas e se manifestar, tendo em vista os cenário, classificado por ele como “vergonhoso”.

“Estamos enfrentando aqui no Brasil, um cenário que é vergonhoso. É um presidente deveria obrigatoriamente  defender tanto a constituição federal quanto os interesses nacionais. No entanto, ele só atua de modo a defender os seus interesses próprios, da sua família e da sua permanência no poder”, disse.

Mosani Santiago, professor e participante do movimento Rio Negro Antifascista disse que o movimento foi o primeiro, em Manaus. “Nós organizamos o ato e outros movimentos vieram somar e é importante que isso dê continuidade. Não é momento de ser omisso. Sabemos que muitos não puderam vir por questões de saúde mas, aqueles que podem estar na rua tem o dever de lutar contra o fascismo e em defesa da democracia”, defendeu.

Para o professor da Universidade Federal do Amazonas, Antonio Neto, o país vive um momento de crise econômica. “É sem precedentes na história do país e se agravou com a pandemia. Todos nós estamos cuidando das nossas vidas e infelizmente temos um governo que está fazendo de tudo para que a crise se agrave e que a quantidade de vidas sejam perdidas”, disse.

“Estamos no meio de uma crise e não temos um governo”, salientou.

Ruan wendell, estudante de Direito e presidente da União de Negros pela Igualdade do estado do Amazonas explicou que a entidade que se uniu às manifestações pela causa e luta do movimento negro. 

“As manifestações que vêm ocorrendo contra Jair Messias Bolsonaro e suas falas e atitudes. Mas, demonstra ainda a luta dos povos negros, indígenas e principalmente, em defesa da democracia. É importante frisar que essas manifestações para que de fato a gente não perca esse direito a democracia no nosso país”, salientou.

Ruan disse ainda que a liberdade de expressão possibilita esse debate. “Podemos falar um pouco dos rumos da política. O cenário é complicado por conta da pandemia e também o posicionamento de um presidente que incita a violência e isso nós não iremos aceitar”, frisou.

O trajeto deveria iniciar pela Rua Epaminondas, seguir pela Rua 10 de Julho e terminar na Praça do Congresso, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas (IEA). Mas, segundo representantes do ManausTrans, o pequeno número não permitiu a caminhada.

Segundo o Tenente-Coronel Navarro, a Polícia Militar orientou os organizadores a permanecerem na praça devido ao pequeno fluxo de pessoas. “Nós entramos em contato com a organização do evento, foram repassadas orientações e chegamos a um acordo para o uso dos carros de som até as 17h15, que foi obedecido”, disse Navarro.

O ato findou por volta das 17h30 com uma roda de conversa entre os manifestantes remanescentes.

 

 

 

Maria Luiza Dacio
Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

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