Terça-feira, 22 de Junho de 2021
INVESTIGAÇÃO

MPE-AM pediu quebra de sigilo bancário de Elisabeth Valeiko

Ministério Público apura suposta participação da primeira-dama na evolução patrimonial e 'elevada soma de valores movimentados'. Pedido foi negado



elisabeth-valeiko-covid-19-1_75D68D97-4CD2-4E4E-9EB9-C5F615A6E9F6.jpg Foto: Divulgação/Semcom
18/12/2020 às 18:47

O Ministério Público do Amazonas (MPE-AM) pediu, em setembro, a quebra do sigilo bancário da primeira-dama de Manaus, Elisabeth Valeiko, da filha dela, Paola Valeiko, e do marido de Paola, Igor Gomes. O pedido foi negado, mas a Justiça concedeu a quebra do sigilo bancário das contas de Paola e Igor, além do pai e do filho de Igor e de pessoas jurídicas ligadas aos investigados.

Paola Valeiko e Igor Gomes foram alvos, nesta sexta-feira (18), da operação Boca Raton, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), braço do MPE.



O MPE apura suposta participação da primeira-dama na evolução patrimonial e “elevada soma de valores movimentados” pela filha e genro entre 2017 e 2020, período em que Elisabeth presidiu o Fundo Manaus Solidária. 

o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que deu base à operação, os procuradores Yara Rebeca e Flávio Mota, destacam, que desde que Elisabeth Valeiko assumiu a presidência do Fundo Manaus Solidária, em maio de 2017, com uma remuneração de R$ 15 mil, adquiriu um “veículo avaliado em cerca de R$ 176 mil e apartamento pelo valor aproximado de R$ 218 mil”. 

Para dar base ao pedido de quebra de sigilo bancário, os procuradores citam que Elisabeth Valeiko recebeu duas procurações, uma em 8 de maio de 2017 e outra em 27 de fevereiro de 2020, de Paola Molina e de Igor Gomes para, “em conjunto com Lourival Gomes Ferreira Filho, pai de Igor Gomes Ferreira, ou isoladamente tratarem de todos os negócios de interesse do outorgante”.

O Gaeco suspeita de que a “grande soma de recursos movimentados aliada às diversas operações em espécie de forma fracionada e operações de câmbio e depósito de valores no exterior” pode configurar indícios de crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens.

Segundo o PIC, Elisabeth Valeiko possui procuração para representar a filha em instituições financeiras e para tratar de todos os negócios de interesse do marido da filha. 

Na medida cautelar dirigida à juiza da central de inquéritos policiais de Manaus, alega que as provas coletadas por meio de outros procedimentos de investigação não são suficientes, até o presente momento, para “fixar de maneira precisa a autoria e a materialidade dos delitos possivelmente perpetrados”.

“No entanto, a forma dissimulada com que as condutas ilícitas são praticadas, exige que as provas já apuradas sejam corroboradas por outras, consistentes em certas medidas de investigação que devem ser cobertas pelo manto do sigilo, a fim de que não seja prejudicada ou mesmo inviabilizada a apuração em andamento”, sustentou no pedido o órgão ministerial. 

Em nota, a prefeitura de Manaus disse que nenhum representante da gestão municipal foi alvo da operação e acrescentou que o município está à disposição para colaborar com os trabalhos dos órgãos competentes.


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