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Manaus
INVESTIGAÇÃO

Mr.Catra será ouvido por suposta relação com traficantes da facção Família do Norte

Carta precatória com perguntas da DRCO AM foi enviada para Polinter, do Rio de Janeiro, para que o funkeiro responda; vídeo em que ele aparece exaltando traficantes da FDN foi divulgado com exclusividade pelo Portal A Crítica 12/07/2017 às 21:53 - Atualizado em 12/07/2017 às 22:18
Show catra 123
Foto: Reprodução/Internet
Rafael Seixas Manaus (AM)

O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) Amazonas está investigando o possível envolvimento do funkeiro Mr. Catra com traficantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), após a divulgação de vídeo em junho deste ano pelo Portal A Crítica. O titular da DRCO, delegado Guilherme Torres, informou que após coletar novos indícios do caso enviou uma carta precatória para a Polinter, do Rio de Janeiro, solicitando que o cantor seja ouvido sobre a denúncia.

Junto com o documento foram enviadas perguntas para que Mr. Catra responda, mas cabe a ele querer ou não. “Designei uma equipe para fazer o registro de inteligência policial. Foram coletados novos vídeos, datas e locais de outras pessoas que estariam envolvidas. Quando o relatório chegou a mim, fiz uma carta precatória que ele pode ou não responder”, explicou o delegado Guilherme Torres.

Ainda de acordo com ele, dependendo das respostas – ou não – será feita uma nova análise juntamente com os demais elementos coletados. Sobre o pedido de prisão preventiva do artista, o delegado não descarta essa possibilidade, mas destaca que sua preocupação é elucidar os fatos.

“Depende muito do tipo penal do qual é o crime. A gente só poder fazer (algo) após a conclusão das investigações. Vamos ver qual o tipo de envolvimento dele com a organização criminosa. Posso adiantar que queremos é esclarecer os fatos”, afirmou.

“Ele tem o direito de não responder minhas perguntas, assim como do juiz. Mas de acordo com o que estamos coletando, vamos fazer uma análise se há indícios de autoria diante da materialidade. A partir disso, tomaremos uma atitude ou outra. Ele não responder não tira a faculdade e a interpretação de outros elementos. Essa é uma oportunidade dele falar sobre a sua versão dos fatos”, finalizou.

Entenda o caso

No dia 21 de junho deste ano, a reportagem do Portal A Crítica teve acesso a um vídeo do cantor de funk Mr. Catra no qual ele exalta traficantes da Compensa, bairro apontado pela polícia como berço do tráfico de drogas em Manaus. No início do funk, Catra cita nomes de “Ronny” e “Coquinho”, aliados do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos conselheiros e líderes da Família do Norte, facção que comanda o tráfico no Amazonas.

Os dois nomes citados por Catra são, segundo a polícia, de mandantes de homicídios na cidade e também pistoleiros. Ronny e Coquinho foram presos pela polícia com armas sem registro em maio deste ano.

Catra já foi enquadrado por ter nas letras de seus raps e funks trechos com apologia ao tráfico de drogas, prostituição e incentivo à violência. Em 2014, ele teve o show cancelado pelo Ministério Público do Paraná.

Vídeo da FDN

No vídeo ao qual A Crítica teve acesso, Catra está sentado e joga versos sobre o bairro da Compensa, dizendo: "osso duro de roer". Em uma parte, o funkeiro fala que não deve-se meter com a Compensa e que se deve prestar atenção e não pode vacilar. O funk também exalta a facção criminosa como sendo “responsa” e “presença”, além também de incentivar o relacionamento de mulheres com membros da Família do Norte.

O cantor carioca, de 48 anos, é fenômeno em todo o Brasil, onde se apresenta em diversas cidades. Entretanto é polêmico e já foi processado por apologia ao crime. Os dois aliados de João Branco, Ronny e Coquinho, são considerados de alta periculosidade pela Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai).

Eles e mais dois integrantes da facção foram capturados em um condomínio de luxo, na Ponta Negra, e estavam também com veículos blindados, além de pistolas automáticas. A facção é responsável por milhares de homicídios com requintes de crueldade como esquartejamentos dos corpos de seus rivais, o Primeiro Comando da Capital (PCC), e é apontada como responsável pela chacina nos presídios do Amazonas, este ano, a segunda maior já registrada no país


Coquinho e Ronny citados no funk

Na época, a reportagem entrou em contato com o escritório de Mr. Catra, em São Paulo, e o mesmo informou, por meio de seus assessores, que não tinha ciência de que os nomes citados no funk feito por ele eram traficantes da capital amazonense. A nota enviada diz também que o vídeo foi feito após pedido de uma pessoa que queria que o cantor fizesse rima de funk para amigos. A assessoria não informou o nome da pessoa que encomendou o vídeo.

A assessoria de Mr. Catra informou ainda que a dedicatória da música foi para fãs do cantor.

Questionado sobre os trechos que falam dos "traficas da Compensa" e Família do Norte, a assessoria não respondeu mais.

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