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Manaus
IMPESSOALIDADE

Mudança de nome de bairro e bens públicos divide população, em Manaus

Enquanto alguns acreditam que a medida é correta ao deixar de promover certas personalidades, outros entendem que não influencia em nada 07/07/2017 às 05:00
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Amazonino Mendes é o campeão nas homenagens indevidas, batizando ruas, conjuntos, bairros e o bumbódromo de Parintins. Foto: Winnetou Almeida
Silane Souza Manaus

A decisão do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus de tirar os nomes de pessoas vivas de bens  e logradouros públicos, como recomendado pelo  Ministério Público Federal (MPF/AM), vai causar  polêmica entre a população envolvida. Enquanto alguns acreditam que a medida é correta ao deixar de promover certas personalidades, principalmente do meio político, outros entendem que não influencia em nada e  vai apenas causar transtornos em mudanças de endereços, por exemplo.

Moradora do bairro Alfredo Nascimento, na Zona Norte, a feirante Ana Coelho, 76, diz que por ela o nome do local onde vive desde que o bairro foi fundado não mudaria, haja vista que o aborrecimento já é grande com as alterações dos nomes das ruas. “É um troca-troca que ninguém sabe mais o nome da rua onde moramos. Para quê agora vão mudar o nome do bairro? Não importa se a pessoa está viva ou morta. Vota nela quem quiser”, avalia Ana Coelho.

O mecânico Geibson Oliveira de Souza, 34, morador do bairro Amazonino Mendes, também na Zona Norte, pensa da mesma forma. Para ele, as mudanças só dificultam a vida das pessoas envolvidas. “O endereço que consta hoje nas nossas correspondências é Novo Aleixo, mas se eu disser que moro no Novo Aleixo ninguém vai me encontrar porque todo mundo pensa que Novo Aleixo é apenas próximo a avenida das Torres. Imagina a confusão”, apontou.

Mas tem muitas pessoas com opiniões contrárias, como o microempresário Valdir da Costa, 52. Ele mora no conjunto Amazonino Mendes, Zona Norte, e se diz a favor da mudança de nomes. “Querendo ou não colocar o nome de uma pessoa viva no bem público ou logradouro torna essa pessoa  conhecida pela população. Isso pode influenciar positivamente essa pessoa ainda mais levando em conta que hoje tudo gera influência”, destacou.

Ainda na Zona Norte, há um conjunto chamado de Gustavo Nascimento, que faz referência ao nome do filho do deputado federal Alfredo Nascimento (PR). Quem mora no local não faz ideia do que ele fez de bom a cidade para receber tal homenagem. “Ninguém aqui sabe quem é Gustavo Nascimento. Nem o que fez ou faz pela população. Não sabemos nem se está vivo ou morto”, relatou a dona de casa Josiene Borges de Souza, 26.

Legislação clara
A Constituição Federal determina que a “publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção de pessoas de autoridade ou servidores públicos”.  A Câmara Municipal de Manaus (CMM)  tem algumas leis que tratam sobre o tema, mas as informações sobre elas só serão divulgadas hoje a pedido de A CRÍTICA.

Prática comum na política local
A prática de colocar nomes em locais públicos é considerada normal no Amazonas, o senador Omar Aziz, enquanto governador colocou o nome da mãe dele  em um hospital, o Delphina Rinaldi Abdel Aziz, na Zona Norte. 

O também ex-governador Gilberto Mestrinho fez o mesmo com a maternidade Balbina Mestrinho, na Zona Sul. Na Assembleia Legislativa do Amazonas, o ex-presidente Belarmino Lins colocou o nome do tio dele que foi deputado no século passado, mas que tem o mesmo nome dele.

Um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) e uma comunidade no km  2 da BR-174 (Manaus-Boa Vista) receberam o nome de Ismail Aziz, e uma Escola Estadual de Atendimento Específico, em Manaus, tem o nome de Mayara Redman Abdel Aziz,  homenagens ao pai e a filha de Omar Aziz, mas já falecidos.

 

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