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Manaus
Problema mototaxistas

Muitos perigos rondam o transporte feito por mototáxis

Sem regulamentação, mototáxis ' multiplicam' riscos a usuários que optam por usar este tipo de transporte alternativo em Manaus 05/06/2013 às 07:23
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Cena comum nos bairros de Manaus, um mototaxista transporta, com o capacete 'solto', uma criança
Jéssica Vasconcelos Manaus

A população de Manaus cresceu e, com ela, o número de “gargalos”, especialmente nas áreas da mobilidade urbana e transporte público, alvos de constantes reclamações e que vêm obrigando quem quer fugir dos congestionamentos e da longa espera pelos ônibus a buscar alternativas, como um problema que cresce desordenadamente na capital: os mototáxis.

Segundo dados do presidente da Central Única dos Mototaxistas de Manaus, Paulo Falcão, dos 15 mil mototaxistas que atuam na capital altuamente, 10 mil podem estar trabalhando sem possuir Carteina Nacional de Habilitação (CNH).

Em 2011, quando o projeto de emenda à Lei Orgânica do Município que autoriza a atividade na capital amazonense foi aprovado pela Camâra Municipal de Manaus (CMM), cerca de 10 mil  mototaxistas atuavam na cidade, sendo 2 mil vinculados às associações. Hoje, esse número deve chegar a 15 mil, com 5 mil atuando nas 627 associações existentes, de acordo com Falcão. Um aumento de 2,5 mil profissionais por ano.

Apesar do grande número de mototaxistas circulando na cidade, a falta de regularização do serviço de transporte de passageiros faz com que os usuários convivam com a sensação de insegurança.

O diretor-presidente do Departamento de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Leonel Feitoza, estima que aproximadamente 170 mil motocicletas circulam em Manaus e, segundo ele, as principais infrações cometidas pelos condutores desses veículos são o excesso de velocidade, direção perigosa e a falta de uso de capacete.

Os dados do Sistema de Informações de Mortalidade, criado pelo Ministério da Saúde apontam que o número de mortes em acidentes de trânsito envolvendo motocicletas  no Brasil aumentou 263,5% em dez anos. Em 2011, foram 11.268 mortes no País, contra 3,1 mil usuários de motos mortos em 2001.

A técnica em enfermagem Rose Dias, 25, que utiliza o serviço de mototaxi para ir ao trabalho, conta que apesar de usar o serviço regularmente,  tem medo. “Já ouvi muitas histórias de pessoas que sofreram acidente, foram assaltadas”, diz Rose.

Moradora do bairro Novo Israel, na Zona Norte, Rita Alencar, 35, também trocou os ônibus por mototáxis, mas apenas para poupar tempo. Ela diz se sentir insegura. “Uso porque não temos muita opção, o ônibus é caro e demora, além de andar lotado e ficar preso no congestionamento. Mas sei que é um risco que corro diariamente. Já andei com mototaxista sem capacete, falando ao celular e até com um menino que não deveria ter mais que 16 anos, mas ou era com ele, ou eu não ia a lugar nenhum”, reclamou.

Protesto

A discussão sobre regularização dos mototaxistas em Manaus ganhou mais um capitulo ontem, com a passeata realizada pela categoria até a sede da prefeitura. Os mototaxistas querem que o prefeito Artur Neto envie à Câmara Municipal o projeto que regulariza a profissão.

Aproximadamente 1,8 mil mototaxistas participaram da passeata. Eles partiram da avenida Itaúba, no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste, e seguiram pelas avenidas das Zonas Norte, Centro-Sul e Oeste, chegando até a sede da prefeitura.

Segundo Orlando Bindá, presidente da União Estadual dos Mototaxistas, o maior objetivo da passeata é regulamentação do serviço. “Com a regularização vai ser possível controlar quem está trabalhando corretamente e punir quem tem praticado crimes, se passando por mototaxistas”, explicou Orlando.

Apesar de desde 2009 estar regulamentado o serviço de mototaxi no Brasil, em Manaus ainda não foram definidos critérios como a identificação e as áreas da cidade por onde eles poderão circular.

Projeto em fase de elaboração

Um projeto de regulamentação dos mototaxistas que atenda às exigências e os requisitos para a atuação da categoria está sendo elaborado pela prefeitura, de acordo com o secretário de governo da prefeitura, Humberto Michiles, responsável pelo projeto, junto com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) e a Procuradoria do Município.

Nesses cinco meses de gestão de Artur Neto, já foram realizadas  reuniões  para discutir o tema com a categoria, segundo ele. “Essa discussão leva um tempo e não pode ser feita de qualquer jeito”, explicou.

Segundo ele, é preciso avaliar critérios como tempo de serviço, multas e formação dos condutores.

O secretário de Comunicação do município, Marcio Noronha, afirmou que a prefeitura está aberta para o diálogo com as lideranças dos mototaxistas, basta que eles agendem uma audiência com o prefeito. O prefeito classificou o protesto como “político”.

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