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Manaus
MISTÉRIO

Mulher de 51 anos é presa pela Polícia Federal e alega que não sabe o motivo

Morando em uma casa alugada no bairro João Paulo, Dulcirene de Oliveira, acredita que teve os documentos falsificados e usados para abrir empresas 01/12/2018 às 10:24 - Atualizado em 03/12/2018 às 08:25
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A mulher leva uma vida simples e alega inocência (Foto: Jair Araújo)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Uma mulher simples, que mora em uma casa alugada na rua Mastruz, bairro João Paulo, Zona Leste, é sócia de pelo menos duas empresas em Manaus. Ela é Dulcirene de Oliveira, 51, que na tarde do dia 21  de novembro foi surpreendida por agentes da Polícia Federal que deram  cumprimento a um mandado de prisão contra ela. Sem saber por que estava sendo presa, não ofereceu resistência e foi levada para a Superintendência da Polícia Federal, no Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste.

De acordo com o advogado da dona de casa, Euler Carneiro, que aceitou fazer a defesa dela gratuitamente, Dulcirene teve o seu nome e os documentos usados por criminosos. Eles abriram uma linha de crédito na Caixa Econômica Federal (CEF) e empresas no nome dela.

No site da Justiça Federal,  Dulcirene aparece processada pelos crimes de sonegação fiscal e falsificação de documento particular, além de ser, supostamente, sócia de pelo menos duas empresas de importação. Empresas essas que ela diz desconhecer.

Carneiro disse que na segunda-feira vai à Justiça Federal pedir mais informações sobre a prisão da mulher, pois ela estava com o mandado de prisão expedido desde outubro de 2009, mas até ontem, a dona de casa não sabia o real motivo da sua prisão.

Abalo emocial

Ainda abalada emocionalmente, ela  contou o que  chama  de “provação de Deus”. No dia da prisão, ela estava voltando para casa, quando encontrou  três agentes da PF que deram voz de prisão e disseram ter ido buscá-la para prestar esclarecimento. A mulher entrou no carro e foi levada para a Superintendência da Polícia Federal. “Eu pensei que seria ouvida e liberada, mas ninguém falou comigo”, contou.

Na sede da PF, ela disse que foi fotografada e no início da noite, levada para uma cela. “Esse foi o pior momento. A cela era suja, fedorenta, e com quentinhas e garrafas espalhadas pelo chão. As paredes eram  todas pichadas com marcas de facções criminosas. Eu ajoelhei ali e orei repreendendo todos  os  maus espíritos que tivessem por ali. O clima era pesado e senti que ali havia presenças estranhas”, contou, ao afirmar inocência.

Dulcirene também contou que não conseguiu se alimentar e que passou mal, por ser diabética e ter pressão alta.

Dona de casa diz que ficou constrangida

No dia seguinte a prisão, na semana passada,  Dulcirene foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML), no bairro Cidade Nova, na Zona Norte,  para realizar exames e, depois disso, foi levada para a penitenciária feminina, localizada na BR-174.  “Quando eu vi que eles tomaram o rumo da estrada fiquei triste, mas não reclamei, sabia que Deus estava cuidando de mim”, afirmou ela.

De acordo com Dulcirene, assim que chegou à cadeia, foi algemada com as mãos para trás e deixada no setor de triagem. Dois dias depois,  foi levada para uma cela no pavilhão A, onde havia outras seis internas, e foi bem recebida por elas.  Só na última terça-feira ela foi colocada em liberdade, mas o que lhe incomoda é não saber o verdadeiro motivo da prisão, assim como o constrangimento que passou.

Vida simples

A mulher foi criada na comunidade Paraná do Guarida, no interior do município de Manacapuru,  vive em Manaus há 15 anos e sempre morou no bairro João Paulo.  Conforme ela,  a sua renda mensal é de R$ 229, oriunda do programa federal Bolsa Família. Ela também conta com a ajuda da família e não trabalha.

Empresas

Triss Importação e Exportação Ltda. é uma das empresas que Dulcirene aparece como sócia junto com Maria Lúcia da Silva Queiroz. Outra empresa é a Flite Importação e Comércio Ltda., localizada na rua 1, conjunto Duque de Caxias, Flores. No local uma casa de muros altos e ontem não havia ninguém. Vizinhos disseram que no imóvel mora uma mulher identificada como Vera e que ela passa a maior do tempo fora. 

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