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Mulher pode ficar cega após ter sido atingida por bomba de gás na Banda do Galo de Manaus

Bomba foi arremessada por policiais militares que faziam a segurança do evento e atingiu o rosto de Ivaneide, na região da têmpora esquerda. Ela será operada amanhã 10/02/2016 às 19:26
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Mulher pode ficar cega após ter sido atingida por bomba de gás na Banda do Galo de Manaus
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

A empregada doméstica Ivaneide Oliveira Fonseca, de 46 anos, está com risco de ficar cega. Ela foi atingida no olho esquerdo por uma bomba de gás lacrimogêneo, ontem, durante a Banda do Galo de Manaus, tradicional bloco realizado na avenida das Torres e que reuniu cerca de 200 mil pessoas.

A bomba de gás foi arremessada por policiais militares que faziam a segurança do evento e atingiu o rosto de Ivaneide, na região da têmpora esquerda. “O rojão foi no olho esquerdo, explodiu no rosto dela. Os estilhaços também pegaram na minha perna e no meu braço”, disse o vigilante Narciso Luciano Bahia de Souza, 37, marido de Ivaneide e que também estava no Galo.

Ivaneide está em observação no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, em Manaus, desde a noite de ontem, quando foi internada. Ela deverá passar por cirurgia no olho nesta quinta. “Ela fez vários exames. Fizemos raio X, tomografia e agora o médico oftalmologista disse que vai operar amanhã de manhã, para fazer a sutura do corte que tinha acima do olho e também fazer a limpeza no olho, que tem corpo estranho, algum estilhaço”, disse o marido. “Pela avaliação do médico, ele acha muito difícil que ela retorne a ver”.

A bomba de gás que atingiu Ivaneide foi uma das muitas que foram arremessadas pela Polícia Militar em direção aos foliões na Banda do Galo, entre as 21h e 23h, já no fim do bloco. Testemunhas informaram ao Portal A Crítica que a PM usou as bombas para “dispersar” o público e apartar brigas, e também houve alguns disparos de arma de fogo.


Ivaneide e amigos no Galo de Manaus. Arquivo pessoal

Ivaneide e Luciano foram à Banda do Galo à procura de diversão, na companhia de vizinhos. “Chegamos (no Galo) ia dar cinco da tarde. Isso aconteceu umas nove e meia. Estávamos voltando e tinha uns paredões (veículos com aparelhagem de som) na avenida. Paramos lá para ouvir e quando, de repente, houve uma briga”, contou Luciano.

“A Rocam (Ronda Ostensiva Cândido Mariano) tentou prender um cara, aí teve gente que jogou garrafa de vidro e já fomos nos afastando e correndo. Quando vimos a polícia jogando as bombas de efeito moral. Depois estourou (no rosto de Ivaneide) e ela disse que não estava enxergando, e o sangue escorrendo muito do lado esquerdo, acima do olho”, explica o marido da vítima. “Outro rapaz que estava com a gente desmaiou e disse que não estava ouvindo em um dos ouvidos”.

Pedido de socorro

Após a bomba explodir no rosto de Ivaneide, ela e o marido ainda sofreram para conseguir socorro médico. Eles só chegaram ao Hospital 28 de Agosto após implorarem para que um motorista que passava no local os levasse à unidade de saúde. Luciano reclamou que não teve ajuda da polícia e que não encontrou nenhuma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nas proximidades.

“Fomos subindo a rua (avenida das Torres) e ninguém ajudada. Foi na hora que fomos a um carro da polícia estacionado. Pedi ajuda e eles não quiseram ajudar. Depois fui a um agente do Manaustrans e ele disse que não tinha ambulância. Ficamos atrás de um táxi, e não tinha. Aí imploramos para um motorista nos levar. Ele disse que estava indo ao encontro de uma pessoa, mas que podia nos levar ao 28 de Agosto”, relatou o marido de Ivaneide.

Denúncia

O marido de Ivaneide foi ao 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP) na manhã desta quinta-feira para registrar denúncia contra ação dos policiais, porém foi informado por funcionários que não era necessário fazer Boletim de Ocorrência, e sim ir à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), o que ele fez no início desta tarde. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da PM, que até o momento não respondeu.

Ambulâncias

Sobre a falta de unidades do Samu na Banda do Galo, a Secretaria Municipal de Saúde informou que enviou duas ambulâncias para o local. “Quando foram lançados gás lacrimogêneo, o Samu transportou cinco pessoas aos hospitais.

As ambulâncias somente saíram do local quando estavam socorrendo pessoas ou quando no tumulto, jogaram pedras nos veículos. Todos as pessoas que acionaram o Samu foram atendidas, tanto pelas ambulâncias que ficaram de prontidão no local, quanto pelas pessoas que chamaram pelo 192”.

Resposta

A Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas informou, por meio de nota enviada à imprensa, "que os familiares da mulher atingida registraram denúncia e também foram ouvidos, nesta quarta-feira (10), pela equipe da instituição".

"A Corregedoria-Geral informa ainda que, será feita instauração de inquérito administrativo e que o caso também será encaminhado à Polícia Militar do Amazonas (PMAM) para instauração de inquérito policial militar", conclui.

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