Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
Manaus

Mulher pode ficar cega após ter sido atingida por bomba de gás na Banda do Galo de Manaus

Bomba foi arremessada por policiais militares que faziam a segurança do evento e atingiu o rosto de Ivaneide, na região da têmpora esquerda. Ela será operada amanhã



1.jpg Mulher pode ficar cega após ter sido atingida por bomba de gás na Banda do Galo de Manaus
10/02/2016 às 19:26

A empregada doméstica Ivaneide Oliveira Fonseca, de 46 anos, está com risco de ficar cega. Ela foi atingida no olho esquerdo por uma bomba de gás lacrimogêneo, ontem, durante a Banda do Galo de Manaus, tradicional bloco realizado na avenida das Torres e que reuniu cerca de 200 mil pessoas.

A bomba de gás foi arremessada por policiais militares que faziam a segurança do evento e atingiu o rosto de Ivaneide, na região da têmpora esquerda. “O rojão foi no olho esquerdo, explodiu no rosto dela. Os estilhaços também pegaram na minha perna e no meu braço”, disse o vigilante Narciso Luciano Bahia de Souza, 37, marido de Ivaneide e que também estava no Galo.



Ivaneide está em observação no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, em Manaus, desde a noite de ontem, quando foi internada. Ela deverá passar por cirurgia no olho nesta quinta. “Ela fez vários exames. Fizemos raio X, tomografia e agora o médico oftalmologista disse que vai operar amanhã de manhã, para fazer a sutura do corte que tinha acima do olho e também fazer a limpeza no olho, que tem corpo estranho, algum estilhaço”, disse o marido. “Pela avaliação do médico, ele acha muito difícil que ela retorne a ver”.

A bomba de gás que atingiu Ivaneide foi uma das muitas que foram arremessadas pela Polícia Militar em direção aos foliões na Banda do Galo, entre as 21h e 23h, já no fim do bloco. Testemunhas informaram ao Portal A Crítica que a PM usou as bombas para “dispersar” o público e apartar brigas, e também houve alguns disparos de arma de fogo.


Ivaneide e amigos no Galo de Manaus. Arquivo pessoal

Ivaneide e Luciano foram à Banda do Galo à procura de diversão, na companhia de vizinhos. “Chegamos (no Galo) ia dar cinco da tarde. Isso aconteceu umas nove e meia. Estávamos voltando e tinha uns paredões (veículos com aparelhagem de som) na avenida. Paramos lá para ouvir e quando, de repente, houve uma briga”, contou Luciano.

“A Rocam (Ronda Ostensiva Cândido Mariano) tentou prender um cara, aí teve gente que jogou garrafa de vidro e já fomos nos afastando e correndo. Quando vimos a polícia jogando as bombas de efeito moral. Depois estourou (no rosto de Ivaneide) e ela disse que não estava enxergando, e o sangue escorrendo muito do lado esquerdo, acima do olho”, explica o marido da vítima. “Outro rapaz que estava com a gente desmaiou e disse que não estava ouvindo em um dos ouvidos”.

Pedido de socorro

Após a bomba explodir no rosto de Ivaneide, ela e o marido ainda sofreram para conseguir socorro médico. Eles só chegaram ao Hospital 28 de Agosto após implorarem para que um motorista que passava no local os levasse à unidade de saúde. Luciano reclamou que não teve ajuda da polícia e que não encontrou nenhuma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) nas proximidades.

“Fomos subindo a rua (avenida das Torres) e ninguém ajudada. Foi na hora que fomos a um carro da polícia estacionado. Pedi ajuda e eles não quiseram ajudar. Depois fui a um agente do Manaustrans e ele disse que não tinha ambulância. Ficamos atrás de um táxi, e não tinha. Aí imploramos para um motorista nos levar. Ele disse que estava indo ao encontro de uma pessoa, mas que podia nos levar ao 28 de Agosto”, relatou o marido de Ivaneide.

Denúncia

O marido de Ivaneide foi ao 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP) na manhã desta quinta-feira para registrar denúncia contra ação dos policiais, porém foi informado por funcionários que não era necessário fazer Boletim de Ocorrência, e sim ir à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), o que ele fez no início desta tarde. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da PM, que até o momento não respondeu.

Ambulâncias

Sobre a falta de unidades do Samu na Banda do Galo, a Secretaria Municipal de Saúde informou que enviou duas ambulâncias para o local. “Quando foram lançados gás lacrimogêneo, o Samu transportou cinco pessoas aos hospitais.

As ambulâncias somente saíram do local quando estavam socorrendo pessoas ou quando no tumulto, jogaram pedras nos veículos. Todos as pessoas que acionaram o Samu foram atendidas, tanto pelas ambulâncias que ficaram de prontidão no local, quanto pelas pessoas que chamaram pelo 192”.

Resposta

A Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas informou, por meio de nota enviada à imprensa, "que os familiares da mulher atingida registraram denúncia e também foram ouvidos, nesta quarta-feira (10), pela equipe da instituição".

"A Corregedoria-Geral informa ainda que, será feita instauração de inquérito administrativo e que o caso também será encaminhado à Polícia Militar do Amazonas (PMAM) para instauração de inquérito policial militar", conclui.


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