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Mulheres dão à luz enquanto cumprem penas e criam seus recém-nascidos em celas especiais

De acordo com a Lei de Execução Penal (LEP) 7.210/84, bebês recém-nascidos têm direito de ficar com a mãe dentro de uma cela especial em unidade prisional até, no mínimo, seis meses de idade. Detentas encontram nas crianças chance para sair da vida do crime 27/07/2015 às 10:30
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Nos seis primeiros meses os pequenos convivem na cadeia, onde são amamentados e recebem todos os cuidados
FÁBIO OLIVEIRA Manaus (AM)

Sob a vigilância de uma agente penitenciária, as detentas Lúcia Alfaia de Souza, 24, e Erika Andreia Ramirez Gomes, 22, cuidam e amamentam seus filhos 24h por dia no Centro de Detenção Provisória Feminina (CDPF), no km 8, da rodovia BR-174. De acordo com a Lei de Execução Penal (LEP) 7.210/84, presidiárias com bebês recém-nascidos têm direito de ficar com a mãe dentro de uma unidade prisional até, no mínimo, seis meses de idade. Após esse período, ela é obrigada a dar seu filho a alguém de confiança da família.

Lúcia Alfaia responde pelo crime de tráfico de drogas. Ela foi presa em 18 de setembro de 2014, quando desembarcou com 80 quilos de maconha no aeroporto internacional Eduardo Gomes, vindo de São Paulo. Na cadeia, ela soube que estava grávida de Ana Gabriele, de dois meses. Hoje, a sua filha só pode ver grades de cela e paredes. Conforme a Lei, todos os presídios são obrigados a terem berçários para que detentas com bebês recém-nascidos possam amamentar e cuidar de seus filhos. No interior, a situação é mais difícil, pois não há berçários.

A única esperança que habita em Lúcia é o desejo de sair da cadeia antes que sua filha complete os seis meses de idade. "Tenho medo dela não se lembrar do meu rosto", disse. A colombiana Erika também tem esperança de sair antes. "Confio em Deus que antes desse tempo eu saia daqui para cuidar do meu filho na Colômbia. Erika também cumpre pena por tráfico de drogas. Ela foi presa com 280 quilos de cocaína, em 21 de março do ano passado, na avenida das Torres.


Ela estava grávida de seis meses de César Andreas que, hoje, tem apenas um mês de vida. Arrependida, ela não pretende mais voltar ao mundo do crime. Cercada por quatro paredes, ambas aproveitam o máximo. De acordo com Socorro Freitas Pinto, diretora adjunta do CDPF, as detentas da unidade são assistidas por médicos.

O CDPF tem capacidade para 190 detentas, sendo que há 90 a mais. No interior não há berçários, segundo o coronel Lousimar Bonates, secretário de Administração Penitenciária (Seap). Bonates explicou que as unidades do interior foram construídas há vários anos, quando não se tinha essa preocupação.

Tempo de arrependimento

A colombiana ainda aguarda julgamento por tráfico de drogas, porém ainda sem previsão. Ela confia em Deus para sair antes de seu filho completar seis meses. "Quero ver meu filho crescer e estudar. To muito arrependida. Quero sair daqui antes do tempo", explicou. Lúcia Alfaia também tem esperança de sair antes do tempo. "Tenho que mudar de vida. Sinto vontade de passear, mas não posso aqui".


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