Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2022
SOLIDARIEDADE E JUSTIÇA

Mulheres e homens se unem em Manaus em ato por Mari Ferrer

Protesto aconteceu no Largo São Sebastião, acompanhando mobilização nacional de repúdio à sentença que inocentou acusado de estuprar a blogueira



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08/11/2020 às 19:25

Atos por justiça no caso Mariana Ferrer aconteceram em diversas cidades do país, neste domingo (8). Em Manaus, um grupo de mulheres promoveu a manifestação ‘Solidariedade e Justiça por Mari Ferrer’ que, segundo as organizadoras, reuniu cerca de 200 pessoas, entre mulheres e homens, na tarde deste domingo, no Largo de São Sebastião, no Centro da capital amazonense.

Os protestos contra a violência de gênero, ocorridos em todo o país, foram motivados após a decisão do juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, que inocentou André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a blogueira Mari Ferrer, na época com 21 anos, em um evento em Florianópolis. A repercutida postura do advogado Cláudio Gastão de Rosa Filho, que humilhou a jovem durante audiência e causou indignação nas redes sociais, também foi motivo para os protestos.



Em Manaus, o ato iniciou por volta das 13h, com diversas intervenções artísticas, a exemplo da performance ‘Estuprador És Tu’, idealizada por mulheres chilenas e replicada pelas manifestantes durante o ato. Também houve oficina de cartazes, onde os manifestantes expressaram sua indignação e cobraram justiça por todas as mulheres vítimas de abuso sexual. “Eu também não tive provas suficientes”, escreveu uma manifestante em um dos cartazes.

De acordo com a professora de filosofia e militante feminista, Erika Carmo, a sentença que inocentou Aranha, considerando que não houve comprovação do dolo na atitude do réu, foi um atentado a todas as mulheres. “A única forma de mudarmos essa estrutura jurídica do país é através de políticas públicas construídas por mulheres e em favor das mulheres”, destacou a professora.

O ato público, que teve a participação de 18 movimentos sociais, se estendeu até às 18h deste domingo. Durante toda tarde, mulheres que sofreram algum tipo de abuso sexual também puderam se pronunciar e compartilhar experiências, denunciando seus agressores, em um momento de acolhimento, empatia e busca por justiça.

No local, as manifestantes também usaram como forma de protesto, bonecos de panos caracterizados de “Judas”, que representavam o juiz, o advogado de defesa e o acusado no caso Mari Ferrer.

Ainda segundo Erika Carmo, que participa de movimentos feministas desde 2006, é fundamental trazer a discussão sobre violência de gênero para o contexto local, ainda mais em um momento como este, de eleições municipais. “Essa é a oportunidade que temos para transformar a política em nossa cidade, elegendo mulheres que nos representem e que lutem pelas nossas causas. Não podemos deixar que pessoas acusadas de abuso sexual se reelejam para cargos públicos”, destacou.

Participaram do ato, o Coletivo de Mulheres da Educação, Coletivo Juntas, Articulação de Mulheres do AM, 8M/Manaus, Movimento de Mulheres em Luta, Marcha Mundial das Mulheres, União da Juventude Socialista, Levante Popular da Juventude-AM,Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (Mama), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), União Nacional do Estudantes (UNE), União Brasileira de Mulheres (UBM), União Nacional LGBTQIA+, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Amazonas Pela Democracia, GT Mulheres do SINTESAM e Centro de Defesa da Mulher.


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