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Mulheres esperam até cinco dias para realizar curetagem no Instituto da Mulher Dona Lindu

Familiares reclamam da demora no atendimento e na longa espera pelo procedimento, que consiste em retirar o matéria placentário do útero após aborto. Direção afirma que não há riscos às pacientes 19/08/2015 às 16:48
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Pacientes reclamam da demora no atendimento no Instituto da Mulher Dona Lindú
alexandre pequeno Manaus (AM)

Um grupo de pacientes reclamaram ontem (18) da demora no atendimento para realização do procedimento de curetagem no Instituto da Mulher Dona Lindu, localizado na avenida Mário Ypiranga Monteiro, Zona Centro-Sul de Manaus. A curetagem é um método médico que consiste em retirar o material placentário do útero. A função principal desse procedimento é limpar os restos de um aborto. Segundo os pacientes, os enfermeiros alegam falta de leito para a execução do procedimento.

Luana Gomes deu entrada com sangramento no Instituto, na última quinta-feira (13), quando foi constatado que ela havia perdido o bebê. A paciente foi internada, e em seguida medicada para o início do procedimento. O marido, Frank Willians, afirmou que o médico solicitou com urgência a curetagem, que seria realizado na sexta-feira (14). Por conta de superlotação nas salas de cirurgia, a curetagem foi adiada para o domingo (16) e, em seguida, para esta segunda-feira (17). Até a tarde desta terça-feira (18), o procedimento ainda não havia sido realizado.

Frank relatou que, indignado, acionou os policiais do 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para tentar resolver a situação. Após isso, algumas mulheres foram conduzidas para um setor onde os acompanhantes não têm acesso. “Não dão notícia de nada, a gente tenta perguntar eles dizem que não sabem de nada, dizem que é de outro setor e fica por isso mesmo. Desde quinta-feira estamos aqui, hoje já é segunda e nada foi feito”, disse.

Acompanhando a cunhada, que também teve um aborto, Jéssica Abraão contou que a paciente chegou no instituto no sábado (15) e até a tarde de ontem ainda não haviam dado nenhuma uma posição sobre o que seria feito com sua cunhada, Taiane Santos.

“As mulheres precisam ficar de jejum pra realizar esse procedimento, então elas ficam aqui com fome sem poder se alimentar. Faz horas que estão esperando e não deram retorno. Eles dizem que não têm material para realizar os procedimentos”, afirmou.

Vânia Teixeira teve um abordo espontâneo na tarde desta segunda-feira (17) e deu entrada no hospital por volta das 15h. A irmã dela, Daniele Souza disse que foi realizada uma ultrassom para comprovar a perda do bebê e uma série de outros exames, que terminaram por volta das 22h. Após isso, ambas foram avisadas para que a paciente voltasse ontem ao hospital para a realização da curetagem.

“Chegamos aqui às 8h e recebemos um prontuário com um grau de prioridade no atendimento. Eles colocaram o verde, que simboliza ‘pouco urgente’. Como é pouco urgente se a mulher tá com resto de abordo dentro dela?”, indagou Daniele.

A assessoria de imprensa do Instituto da Mulher Dona Lindú informou que são realizados cerca de trinta partos ao dia e que todas as maternidades de Manaus estão lotadas. Informou ainda que a maioria dos procedimentos de curetagem acabam sendo atendidos como parto, o que vai atrasando os atendimentos. O instituto afirmou que, pelo fato das mulheres estarem internadas, não existem riscos maiores.

Sobre as pacientes citadas na matéria, o instituto informou que os procedimentos já estavam sendo feitos sendo feitos e que a demora se justifica por conta da dilatação do colo uterino de duas delas.

Em nota, a direção do Instituto da Mulher Dona Lindu informou que nos últimos dois dias (18 e 19) foram realizadas 11 curetagens – incluindo as das pacientes Taiana dos Santos e Luana Gomes, que ocorreram ainda na terça-feira (18), e a da paciente Vânia Teixeira, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (19). Há, no momento, quatro pacientes em preparação para o procedimento. "A direção salienta que o tempo de espera, nesses casos, está associado ao processo prévio de dilatação do colo uterino, pelo qual as pacientes precisam passar para realizar o procedimento", finalizou.

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