Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
PELAS REDES

Mulheres montam rede de apoio contra violência em Manaus

Grupos utilizam as redes sociais para construir rede de apoio para mulheres vítimas de abuso na capital



1567222_9E36234B-D123-494B-9AB0-AAB727977085.jpg Foto: Divulgação
03/02/2020 às 08:50

Sororidade: a união entre mulheres. Se fosse possível resumir a história da professora de artes visuais Djane Senna a uma palavra, esta seria a escolha. A artista contou que viveu 13 anos em um relacionamento abusivo, foi vítima de violência doméstica e teve de enfrentar dores físicas e emocionais. Foi com a ajuda de um grupo secreto de mulheres no Facebook que Djane conseguiu, aos poucos, se libertar.

“Lendo os textos do #MeuExAbusivo resolvi compartilhar um pouco da minha experiência. É importante que cada vítima de abuso saiba que essa mudança não é da noite para o dia, pois o processo de violência psicológica destrói você. Eu estava isolada do mundo e, por isso, acreditava no que ele me dizia sobre mim, e que se ele me machucava era porque se importava comigo. Se ele me machucava era porque me amava”, contou.



Quando começou a frequentar o grupo nas redes sociais, viu sua história refletida em outras mulheres, que nunca chegou a conhecer, mas juntas, davam forças umas às outras. 
Relatos como esse não são casos isolados. O Amazonas registrou, entre janeiro e setembro do ano passado, que 3.055 mulheres vítimas de violência  procuraram apoio em uma rede de atendimento social, de acordo com o Serviço de Apoio Emergencial a Mulher (Sapem).

Com a estatística, cresceu também a preocupação por parte de ongs e instituições em oferecer a essas mulheres apoio emocional, jurídico, social e psicológico.

Acolhida

Fundada em 2016, a frente de apoio feminista 8M nasceu com esse propósito. O grupo é formado por advogadas, psicólogas, assistentes sociais, filósofas e professoras. Segundo a professora de filosofia Erika Carmo, a ideia é que seja um ambiente coletor de mulheres em situação de vulnerabilidade.

“Criamos um grupo e ele se tornou naturalmente uma rede de apoio. Quando há uma mulher que está com algum problema em relação à necessidade de uma advogada, por exemplo, ser acolhida de alguma forma, quando está correndo risco de morte ou numa situação de abuso extremo a gente vai lá e resgata essa mulher”, explicou.

Ainda segundo Erika, são feitas cotas para pagar hotel, ou essas mulheres podem ser hospedadas na casa das voluntárias que fazem parte da rede de apoio. Há uma página nas redes sociais em que elas podem enviar sua mensagem. “Logo entramos em contato para analisar como podemos ajudar essa mulher”, finalizou.

Recomeço

Reinserir essas mulheres na sociedade, bem como ajudá-las a reconstruir sua autoestima também é uma das premissas de organizações de apoio. A Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais é um exemplo disso. Fundada em 2006, ano em que a Lei Maria da Penha foi criada, a rede atua em várias esferas, trabalhando a inclusão de mulheres vítimas de violência doméstica no mercado de trabalho. Segundo dados da organização, mais de 400 mulheres já foram impactadas com as ações, que acontecem continuamente. São realizadas palestras em igrejas, bairros e comunidades.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.