Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
Proibido

Mulheres tentam entrar nos presídios com produtos proibidos em Manaus

Droga, arma branca, celulares, droga e e bebida alcoólicas são apreendidos durante a revista em visitantes



CDPM_-_Sabrina__2_.jpg Bebida alcoolica escondida em garrafa pet e os celulares ecnontrados na cavidade do corpo são encontrados com visitantes (divulgação)
14/08/2016 às 07:00

Detectores de metais, aparelhos de raios-x e raquetes eletrônicas são alguns dos equipamentos usados para fazer revistas em pessoas que entram nos presídios para visitar um detento. Mesmo com toda essa tecnologia empregada, todas as semanas visitantes se arriscam a entrar nas unidades prisionais com objetos proibidos acabam presas também.

A maioria dessas pessoas são mulheres: mães, esposas, irmãs e namoradas dos internos que, embora cientes das regras rígidas de segurança, ainda tentam burlar a fiscalização.  No início deste mês, Sâmea Beltrão Zacarias, 30, esposa do preso Paulo Sérgio Arruda dos Santos, foi presa ao tentar entrar, com nove sacos com bebidas alcoólicas dentro de um recipiente de plástico coberto com vatapá, no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), no Km 8 da BR-174.



“Muitas vezes, elas são forçadas e até ameaçadas e levarem o material que o preso pede”, disse o titular da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio.

Cocaína escondida na banda de tambaqui, pratos de comida com fundo falso, cartelas de ovos de galinha recheado com droga, bebida alcoólica dentro de garrafa de água congelada, chip de celular na costura das roupas e até celulares dentro das partes íntimas. Essas mulheres fazem de tudo para atender ao pedido dos familiares presos, especialmente quando se trata do marido ou companheiro, conta o secretário. As cobranças são feitas pelas lideranças dos presídios, que nunca pedem “favores” de seus próprios familiares, mas dos parentes dos presos sobre os quais exercem autoridade.

“Os internos reclamam que são extorquidos e oprimidos pelo Estado e pela polícia, mas lá dentro eles fazem isso uns  com os outros” disse o secretário.

Demandas

Bebidas alcoólicas, drogas, celulares, carregadores, chips e dinheiro são os objetos “encomendados” com mais frequência pelos presos. De acordo com o secretário, apenas roupas e comidas têm passe livre no sistema penitenciário.

Para entrar com os objetos proibidos, as mulheres tentam dificultar a ação dos servidores que fazem a revista e buscam as formas mais inusitadas para escondê-los. A mais comum são nas cavidades do corpo, como a vagina ou o ânus, que servem de “esconderijo”. “Há quem já tenha tentado entrar com o celular no ânus de uma criança”, relatou o titular da Seap.

BOX

Pedir que familiares entrem nos presídios com objetos proibidos não é a única ordem comum entre  “chefes” do crime a detentos. Lavar a roupa e o banheiro também são situações às quais os presos abaixo na hierarquia são submetidos, revelou o secretário Pedro Florêncio.

“E quando eles não obedecem são punidos: a punição mais comum é ficar correndo na quadra. Quando descobrimos as agressões,  temos que interferir e o caso vai para a delegacia. Todos os dias temos problemas de ameaças e brigas internas”, disse.  

Nem mesmo o risco de prisão e a suspensão das visitas inibe esse tipo de infração, diz o secretário. Segundo ele, quando é feito o cadastro da pessoa que vai visitar o interno, elas são orientadas sobre como devem proceder e os materiais que elas podem ou não levar para dentro dos presídios. “E, claro, ficam cientes do risco que estão correndo”, esclareceu Florêncio.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.