Domingo, 19 de Maio de 2019
JUNTANDO AS PARTES

Mutilação dos corpos das vítimas do Compaj dificulta trabalho dos peritos

Reconstrução e identificação das vítimas do massacra do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim vai da impressão digital ao exame de DNA



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Perita examina arcada dentária de detento assassinado no Compaj. Fotos: Gilson Mello/Free Lancer
06/01/2017 às 05:00

A mutilação dos corpos das vítimas do massacre do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) dificulta o trabalho dos peritos do Instituto de Polícia Técnica e Científica do Estado (DPTC). Eles gastam tempo para compor um corpo que chegou decapitado, sem olho, rim, coração, pulmão e fígado, alguns totalmente carbonizados para depois entregar aos familiares, informou, nesta quinta-feira (5), o diretor do DPTC, Jefferson Mendes.

Num balanço geral, até ontem 34 corpos já haviam sido liberados para os familiares sepultarem. Só nesta quinta foram 16 liberados. Um total de 49 corpos estão identificados e 11 ainda sem identificação. Ao todo, atuam 38 peritos criminais e legistas, além de uma equipe de peritos legistas, peritos criminais e técnicos para atendimento em situações de DVI (Identificação de Vítimas de Desastres) que foram treinados seguindo o protocolo da Interpol.

Segundo Jefferson, as identificações estão sendo feitas por meio de impressão digital, pela arcada dentária e, em último caso, por meio de exame de DNA. Assim que os corpos chegaram ao IML foi feita uma seleção dos cadáveres, pois havia muitos deles mutilados, com a equipe nem imaginando a dificuldade que teria para identificá-los.

“O nosso objetivo aqui é identificar a causa da morte, a identificação técnico e científico para entregar o corpo à família”, disse o diretor. Dos mortos, 38 morreram decapitados; os demais por ferimentos causados por estoques e tiros. A maioria dos corpos chegou sem coração, sem intestino, sem fígado, sem rim, sem pulmão e até sem o olho. Os órgãos das vítimas foram recolhidos no local do crime, levados para o IML, onde foram identificados a que corpo pertenciam e colocados neles, o que causou demora na reconstrução dos corpos e a liberação .

Moa
O corpo do ex-policial militar Moacir Alves da Costa, o “Moa”, foi um dos que a perícia teve dificuldade para identificar. Ele foi decapitado e o cadáver estava totalmente carbonizado.

Sua identificação só foi possível por meio da arcada dentária e de exame de DNA feito com material coletado do tecido. De acordo com Jefferson, o exame do DNA foi feito para que não houvesse nenhuma dúvida de que era ele mesmo.

O corpo foi identificado na quarta-feira e entregue à família para ser sepultado. Moa estava preso havia aproximadamente dez anos após ter sido condenado por crimes de homicídio, entre eles o do traficante de drogas Cleomir Pereira Bernardino, o “Caçula”, executado com 17 tiros de pistola calibre 380 em janeiro de 2007, em frente à casa onde morava, na rua Ambrósio Aires (antiga rua da Cachoeira), em São Jorge.

Trabalho começou no domingo
De acordo com Jefferson Mendes, o trabalho dos peritos começou no domingo mesmo, quando ainda não havia informações sobre a existência de óbitos no local. Com a notícia da rebelião, foi designada uma equipe de peritos criminais no local de prontidão e, quando chegou a informação de que havia mortos, outra de necropsia já estava preparada no IML para esse procedimento e a liberação.

Da mesma forma foi colocada outra equipe de peritos no Instituto de Identificação preparada para fazer identificação dos possíveis mortos. Seis carros-tumbas do IML foram enviados ao Compaj para fazer a remoção dos corpos. “Na verdade, ninguém imaginava que seria nessas proporções”, disse o diretor.


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