Publicidade
Manaus
Manaus

Mutirão Maria da Penha: homicidas de mulheres foram julgados e condenados

A maioria dos crimes aconteceu em casa. Os julgamentos da  campanha “Pela Paz em Casa”, tem como objetivo priorizar a tramitação e o julgamento de ações relacionadas à violência doméstica, com base na lei Maria da Penha 04/08/2015 às 21:16
Show 1
'Bocuda' assassinou a adolescente Geise de Sousa Silva durante uma briga de rua em outubro de 2011, na rua São Raimundo, bairro Val Paraíso, Zona Leste.
Joana Queiroz Manaus (AM)

Homicidas de mulheres tiveram pena branda nos dois casos que foram julgados na manhã de ontem na 1ª e 3ª Vara do Tribunal do Júri. Alex do Nascimento Matos foi condenado a quatro anos de reclusão em regime aberto pela morte da ex-mulher Elizângela Gonçalves.  Gleicy Kelly Bandeira da Silva, a “Bocuda”, foi sentenciada a cumprir sete anos e seis meses de prisão pela morte da adolescente Geise de Souza Silva.

De acordo com os magistrados Eliezer Fernandes e Mauro Antony, os julgamentos dos réus fazem parte da campanha “Pela Paz em Casa” que foi lançada na última segunda-feira pela presidente do Tribunal de Justiça (TJAM), Graça Figueiredo, e até a próxima sexta-feira dez pessoas que mataram mulheres vão sentar no banco dos réus.

Pela 1ª Vara foi julgou Alex pelo crime de homicídio. O julgamento foi presidido pelo juiz Eliezer. A acusação ficou por conta da promotora de justiça Clarisse Moraes; a defesa foi feita pelo defensor público Antônio Ederval Filho, que defendeu a tese de homicídio privilegiado por violenta emoção.  Os jurados acabaram acatando o argumento da defesa e decidiu condenar o réu por quatro anos de prisão.

 No final do julgamento, o juiz explicou que Alex cometeu o homicídio quando era menor de idade e por isso o crime prescreveu em dez anos. O réu confessou o crime e alegou ter sido motivado por ciúmes. Os dois viveram juntos durante três anos, tiveram um filho, mas viviam brigando e acabaram se separando, porém a criança já vivia com os pais do réu.

Alex contou que no dia do crime ele saiu com Elizângela para um balneário de nome Amarelinho e quando retornavam encontraram uma amiga da vítima e durante uma conversa ela disse que não sabia por que a vítima vivia traindo Alex com outros homens. Horas depois, o réu pegou uma pistola calibre 765 e atirou na nuca da vítima que morreu na hora.

Depois da leitura da sentença o réu ficou emocionado e deixou o plenário chorando abraçado com o pai. De acordo com o magistrado, Alex estava em liberdade, é réu primário, tem profissão e está criando o filho, inclusive já contou que matou a sua mãe e pediu perdão.

Briga de rua

A ré, conhecida como Bocuda, também chorou depois da leitura da sentença pelo juiz da 3ª Vara do Tribunal do Júri Mauro Antony. Ela estava presa havia mais de um ano e ainda ficará por aproximadamente mais dois anos. 

De acordo com os autos, ela assassinou a adolescente Geise de Sousa Silva durante uma briga de rua em outubro de 2011, na rua São Raimundo, bairro Val Paraíso, Zona Leste.

Motivos

De acordo com os magistrados a motivação predominante para os crimes é a não aceitação, por parte dos acusados, do fim do relacionamento, seguido do ciúme. Os namorados, companheiros e ex-companheiros aparecem como os principais autores dos crimes.

Crimes domésticos

A maioria dos crimes aconteceu em casa. Os julgamentos da  campanha “Pela Paz em Casa”, tem como objetivo priorizar a tramitação e o julgamento de ações relacionadas à violência doméstica, com base na lei Maria da Penha.

Tese: homicídio privilegiado

No julgamento de ontem, Gleicy Kelly foi defendida pelo defensor público Eduardo Augusto da Silva que sustentou a tese de homicídio privilegiado, que é quando é praticado sob o domínio de uma compreensível emoção violenta, compaixão, desespero ou motivo de relevante valor social ou moral, que diminuam sensivelmente a culpa do homicida, e legítima defesa; a acusação foi feita pelo promotor de Justiça Rogério Marques. 

De acordo com os autos, a vítima tinha ido a uma taberna comprar cigarros e no caminho encontrou-se com a ré. As duas conversaram um pouco e logo em seguida travaram uma luta corporal, mas foram separadas por moradores. A vítima já estava indo para casa quando foi perseguida pela Gleicy que estava armada e desferiu três golpes de punhal na vítima.

Geise ainda chegou ser socorrida e levada para o Pronto-Socorro Dr. Platão Araújo, Zona Leste, mas não resistiu aos ferimentos.

 


Publicidade
Publicidade