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Na Manaus Moderna, canoeiros oferecem peixe barato em meio a lixo, entulho e muito cheiro ruim

A feira clandestina de peixes é mantida pelos canoeiros nas margens do rio, nas proximidades da balsa amarela do porto de Manaus, em meio ao lixo e sem infraestrutura 07/03/2016 às 16:52
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O grande atrativo é o baixo preço dos pescados
Isabelle Valois Manaus (AM)

Apesar do rio Negro está com uma cotação do volume de água de cinco metros inferior do mesmo período do ano passado, a feira clandestina de peixes que há anos  neste período de tempo fica ao lado do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, Centro, é mantida pelos canoeiros nas margens do rio, nas proximidades da balsa amarela do porto de Manaus, em meio ao lixo e sem infraestrutura.

Conseguiu algum pescado é só se encostar no meio das outras canoas para conseguir vender a mercadoria. De acordo com o vendedor Djavan de Oliveira Costa, 47, que há quase 30 anos trabalha com a venda de peixe no mesmo local, a procura sempre foi alta,até por causa dá diferença expressiva do valor do peixe.

“Aqui o freguês consegue levar 12 unidades de curimatã médio por R$10 enquanto dentro do mercado o freguês leva três unidades pelo mesmo valor”, revelou o vendedor.

Conforme Djavan não há diferença no peixe da feira clandestina e do mercado. “A única coisa diferente é que lá dentro, eles pagam o aluguel de onde trabalham, pagam o vigia, e retiram esse dinheiro do cliente. Aqui na beira do rio, o freguês além de conseguir comprar um bom número de peixe, ele ainda consegue levar pra casa a refeição completa, pois sobra o dinheiro para comprar um quilo de farinha e o limão. Logo, somos os mais procurados”, comentou.

O vendedor disse que há anos, a prefeitura tem buscado formas de acabar com a venda de peixes na feira clandestina, como foi o caso de colocar um portão ao lado do mercado para evitar o contato entre o freguês e o vendedor.

“Foi então que adotamos a sacola e a corda. O freguês faz o pedido, alguém fica em cima da ponte e joga a corda com a sacola onde colocamos a compra, eles puxam a sacola e depois entregam ao freguês, e a venda continua, por isso somos conhecidos como a feira Boca da Onça”, disse Djavan.

Para o vendedor Alfredo Rodrigues, 40, desde 90 os pescadores e vendedores da feira Boca da Onça sofrem com a falta de aceitação da prefeitura.

“Queremos apenas vender o pescado, se pelo menos tivéssemos um local apropriado, claro que seria melhor, porém não queremos perder os fregueses aumentando o valor para pagar vários impostos que nos são cobrados”, disse.

O autônomo José Aguiar Ferreira, 50, contou que semanalmente vai a busca de peixe nesta feira. Ele disse que há anos é cliente do local.

“O peixe desta feira é novo como costumamos dizer, praticamente pescado na madrugada e o preço é bem em conta, logo consigo comprar uma boa quantidade para servir a semana”, disse.

DESTAQUE

Os feirantes afirmaram que neste ano a situação se encontra complicada por causa da estiagem, pois neste mesmo período de tempo, em outros anos, estavam mais próximos da lateral do Marcado Municipal Adolpho Lisboa.

DESTAQUE

Até o fechamento desta edição a Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab) não havia se pronunciado se irá adotar algum procedimento relevante ao assunto abordado na matéria.

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