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Na véspera do Dia da Pessoa com Deficiência, acessibilidade ainda é um sonho nas vias de Manaus

 Direitos humanos: Deficientes dizem o que falta para eles nas ruas da capital 02/12/2015 às 10:07
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Calçadas e vias adaptadas são o sonho de consumo dos cadeirantes neste dia de luta por direitos mínimos
Luana Carvalho Manaus (AM)

No plano diretor urbano e ambiental de Manaus, a palavra ‘acessibilidade’ é citada 34 vezes, mas na prática cotidiana  o que se encontra são calçadas obstruídas e fora do padrão na maioria dos bairros da cidade. Se já é difícil caminhar entre postes e carros estacionados nos passeios públicos, para o cadeirante é um verdadeiro desafio.

Betuel Cláudio de Andrade, de 53 anos, não tem muito o que comemorar no Dia Internacional da pessoa com Deficiência Física, celebrado amanhã. “Posso dizer com toda certeza que tudo continua muito difícil. Falta muita coisa para termos o mínimo de acessibilidade que precisamos”.

Vítima da violência, Betuel ficou paraplérgico há 10 anos, quando reagiu a um assalto e levou um tiro nas costas. “Eu estava indo fazer um pagamento da empresa onde eu trabalhava, no Tarumã, quando fui assaltado”, relembra.

Ele vive em uma residência adaptada no Conjunto Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. No entanto, da porta de casa para a rua, a realidade é outra. “A gente se depara, em todos os lugares que vamos, com calçadas obstruídas. Falta  rampas de acesso na maioria dos espaços, em bancos e até nos órgãos públicos”.

Usuário de transporte público, Cláudio até tenta ser independente, mas se depara, na maioria das vezes, em situações em que precisa pedir ajuda para subir no ônibus. “Vou de ônibus para todos os lugares, mas infelizmente,  90% das  rampas de acessibilidade não funcionam. Aí eu dependo da solidariedade e do tempo dos outros passageiros”, desabafa.

“Velhos problemas”

Há poucos centímetros de uma rampa de acessibilidade na avenida Brasil, na Compensa, Zona Oeste, um poste de iluminação pública atrapalha a passagem dos cadeirantes. A situação é comum, e segundo o presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas (Adefa),  Isaac Benayon, se repete em outros bairros.

“Falta uma autoridade que se faça cumprir as leis. Manaus é uma cidade sem fiscalização, onde as pessoas invadem e logo vira uma favela. No bairro da União (Zona Centro-Sul), por exemplo, é impossível, pois corremos o risco de sermos atropelados. O mesmo acontece no Mauazinho (Zona Sul) e em vários bairros onde não dão condições para as pessoas com ou sem deficiência se locomoverem”, reclama.

Segundo Benayon, o panorama continua o mesmo, com algumas  “doses homeopáticas de mudanças”. “Somente agora está se discutindo o Plano de Mobilidade Urbana. Esse é o grande momento de o ciadão evocar a Justiça. É o momento para se discutir, com propriedade, os direitos garantidos na Constituição a todos os cidadãos”.

Plano de Mobilidade

A garantia da acessibilidade universal autônoma e segura aos usuários do espaço urbano, priorizando as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e os pedestres, entre outras qualificações dos espaços públicos estão sendo discutidos nas audiências públicas sobre o Plano de Mobilidade Urbana da cidade de Manaus, nesta semana.

Campanha 

Uma campanha denominada de “Movimento Pela Reforma de Direitos”, que começou  a circular nas redes sociais na última segunda-feira, causou polêmica e indignação.  

O abaixo-assinado pedia a redução em 50% das vagas exclusivas pra deficientes, fim das cotas para deficientes em empresas,  redução em 50% de filas e assentos exclusivos para deficientes, entre outros. O movimento não foi bem aceito pelo público e só  210 pessoas assinaram a petição.

A campanha foi uma ação de marketing do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculado à Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba. Na mesma fanpage do movimento, no Facebook, um post e um vídeo com Mirella Prosdócimo, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, esclareceram a ação. O esclarecimento da publicidade foi feito na tarde de ontem.

Denúncias

O Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) informou que a obstrução dos logradouros públicos continua ocupando a lista entre as mais frequentes reclamações. De janeiro a 20 de novembro foram aplicados, referente a denúncias de logradouro público, pouco mais de mil notificações.

Mundo

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 10% da população mundial possui algum tipo de deficiência.

Amazonas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que existem aproximadamente 400 mil pessoas que possuem algum tipo de deficiência motora no Estado.


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