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Na Zona Leste, Maternidade Ana Braga não tem leitos para pacientes em trabalho de parto

A reportagem de A CRÍTICA conferiu de perto a apreensão, desespero e revolta de familiares de gestantes, que entraram para dar à luz e ficaram horas e até dias sem aparecer: pela falta de leito, precisaram ficar em locais que não autorizam visitas 11/02/2015 às 09:45
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Para Sebastiana (sentada, de azul), a falta de leitos na Maternidade Ana Braga complica o parto de muitas mulheres
Cynthia Blink Manaus (AM)

Horas de espera na recepção da maternidade Ana Braga, situada na alameda Cosme Ferreira, no bairro São José I, Zona Leste de Manaus. Ainda na tarde de sábado (7), a empregada doméstica Sebastiana Morais, mãe de Sabrina Morais, de 20 anos, ainda não viu a filha desde às 9h da última sexta-feira (6), quando a jovem entrou em trabalho de parto.

A partir de então, tudo o que Sebastiana ouve dos atendentes é que a filha e o bebê passam bem, mas a maternidade está sem leito, por isso ainda não é possível que Sabrina receba visita. “Já gastei uns R$ 100 indo e vindo para a maternidade, moro no bairro Grande Vitória e não podia faltar ao trabalho. Me dizem que está tudo bem, só que ainda não tem leito, então ela (Sabrina) está no centro cirúrgico e não posso entrar. Preciso ver minha filha para saber se está mesmo tudo bem”, preocupa-se Sebastiana, que não vê ou fala com a filha há cerca de 16 horas.

Traumático

Marciane Macedo deixou o repetido caminho do balcão de informações para a cadeira de espera na recepção da maternidade e, depois de 12 horas de espera, ela conseguiu ver a sobrinha Isabela, filha da sua cunhada, a universitária Débora Macedo, 26. “Só pude entrar depois de muita reclamação, quando finalmente conseguiram um leito para a minha cunhada”, revela Marciane.

“Ela disse que aplicaram a anestesia duas vezes, mas ainda assim não funcionou e precisaram dopá-la para fazer a cirurgia cesariana, depois, as enfermeiras colocaram a bebê em cima dela (Débora) e ela não estava bem para carregar a bebê, tinha acabado de fazer a cirurgia, mas ficou com a Isabela no colo, em uma maca no corredor por 12h”, conta Marciane.

A situação ficou bem depois que Marciane foi transferida para o leito improvisado, de acordo com Marciane.

'Não está na hora'

Fabiana da Silva Simões também deixou a recepção da maternidade quando sua irmã, Melissa da Silva Simões, 17, foi contemplada com um leito. Mas o alívio de conhecer o novo sobrinho não mandou embora o sentimento de revolta depois que ela soube como foi o tratamento dado a sua irmã durante o parto.


Fabiana ficou revoltada após descobrir como sua irmã foi tratada na maternidade

“Ela veio aqui na quarta-feira (4), estava com dores, mas disseram para ela ir para casa. Na quinta-feira (5), ela tentou ir em outra maternidade, mas não tinha mais vaga e ela precisou voltar para essa. Ela estava sangrando, mas o atendente disse que ainda não estava na hora dela entrar, só depois que ela já estava segurando a cabeça do bebê entre as pernas que a colocaram em uma cadeira de rodas e a atenderam.

Agora, ela está sofrendo com a região íntima inflamada, está internada desde quinta e não tem previsão de quando vai receber alta”, denuncia Fabiana, ela diz, ainda, que na noite de sábado (07) tinha cerca de 20 mulheres na espera por leitos vagos. 

Procurada pela reportagem tanto no sábado quanto no domingo, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) não foi localizada para comentar o assunto.


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