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Manaus
ENTREVISTA

‘Não é caça às bruxas, e sim fazer tudo diferente’, diz deputado estadual Luiz Castro

Peça chave no futuro governo de Wilson Lima no Amazonas, o político acredita que o diálogo e o respeito mútuo serão decisivos para assegurar apoio no Parlamento Estadual 05/11/2018 às 09:03
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O deputado define sua posição no atual cenário político do Amazonas (Foto: Jorge Lhach/Freelancer)
Náis Campos Manaus (AM)

Com 36 anos de vida pública, o deputado estadual Luiz Castro (Rede) é considerado por pessoas próximas ao governador eleito do Amazonas, Wilson Lima (PSC), como um dos articuladores políticos que, por sua experiência de prefeito de Envira por duas vezes, secretário de estado (Sepror) e cinco mandatos parlamentares, contribuirá com o chefe do Executivo em tomadas de decisões estratégicas. Entre os itens que considera fundamentais para o desenvolvimento do Estado, Castro defende a pressão do Amazonas junto ao governo federal pela pavimentação da BR-319, e fiscalização para que a obra não seja realizada “de qualquer jeito”.

O deputado estadual afirma que parte de seus antepassados se afastaram da política, em São Paulo, por não concordar com práticas políticas que envolviam corrupção, daí suas posições e defesa concretas de valores. Nesta entrevista, Luiz Castro define sua posição no atual cenário político do Amazonas e que contribuições pretende dar na futura gestão do governador eleito.

AC- Como sua experiência como ex-prefeito, ex-secretário  e deputado por cinco mandatos pode contribuir para a gestão no novo governo?

A minha experiência de vida pública como um todo estará a serviço do governo Wilson Lima, com muita humildade, pois devemos respeitar sempre o fato de que a dinâmica da sociedade e da política não é apreendida por um único momento. Não é uma fotografia, mas um processo em movimento. Do ponto de vista dessa experiência, quero contribuir, com o Wilson e seu vice, Carlos Almeida, respeitando o fato de que a escolha do povo foi por eles, e não por mim, já que a minha candidatura foi ao Senado. Vou integrar esforços para que o governo deles seja exitoso.

Trago contribuições desde o meu tempo de agricultor, professor e de gestor (aos 24 anos fui eleito prefeito de Envira), e num universo muito menor do que do Wilson, eleito governador, havia o mesmo preconceito. Diziam, “mas esse Luiz Castro nem é daqui, não conhece a nossa cidade, não tem experiência, é muito novo”.

AC- É, então, uma quebra de paradigma?

 Eu vi muito desse preconceito contra o Wilson Lima durante a campanha do governo. Esse paradigma de querer classificar uma pessoa porque ela tem que obedecer um determinado padrão foi rompido nessa eleição. Há um momento de transição, a população cansou da velha política, dos acordos de conchavos que predominaram em nosso estado por 38 anos.

AC- O senhor tem um papel de ação definido nesse novo governo?

Nós temos, até agora, diálogos, tanto com o governador como seu vice, mas ainda não foi batido o martelo. O “time” é do governador e não o meu. No momento correto e após um entendimento recíproco ele irá anunciar o seu secretariado, os seus assessores e as pessoas que vão atuar diretamente dentro do governo. É bom que se entenda que uma governança pública não se restringe ao governo do estado, pois há a  interação com a sociedade civil, entidades de classe, iniciativa privada e movimentos sociais. O meu papel ainda não está definido de forma completa. Temos alguns indicadores, mas caberá ao governador, no momento que ele entender, dizer qual será o meu papel e como irei colaborar no seu governo.

AC - O seu partido, Rede, tem reservas quanto a BR-319? E o senhor?

A Rede compartilhou os seus valores e princípios com a candidatura do Wilson e Carlos Almeida, mas sem imposição de nada, foi natural. Uma decisão de três políticos e de três partidos pequenos e trabalhar para melhorar as condições do nosso povo. Aliás, a Rede vai ter que agora fazer uma grande discussão interna. Eu tive divergências com algumas pessoas em relação à BR-319 e assumo claramente a minha posição a favor da rodovia. Coloquei isso em um documento e assinei junto com o governador Wilson Lima e Carlos Almeida.

AC - Como deputado, o senhor avalia fazer uma ponte entre o governo e a Assembleia? Ou isso será um papel delegado a uma outra pessoa?

Posso dizer que tenho um bom relacionamento com todos os colegas, praticamente a maioria absoluta dos parlamentares. Respeito, mesmo quando discordo. Eu posso ajudar nisso aí, mas penso que não deve ser a minha tarefa principal. Acho que a minha tarefa deve ser ajudar a organizar uma governança em determinada área ou áreas conforme o governador Wilson compreender.   Acho que posso colaborar nesse sentido, mas não vejo e não tenho o interesse de ser um articulador permanente junto à Assembleia. Eu, pessoalmente acho que o meu ciclo de parlamentar se encerrou. Tenho mais a oferecer ao futuro governo Wilson Lima e Carlos Almeida na área de administração pública porque em todos esses anos estudei, li, interagi e visitei vários locais do Brasil e do mundo tendo acesso a muitas informações e experiências exitosas.

AC - O cenário que se formou com os 11 colegas seus que retornam à ALE e 13 novos deputados, o senhor vê nesse quadro uma oposição ferrenha?

Acredito que o diálogo do governador com os deputados reeleitos, deputados eleitos pela primeira vez e os que voltaram como a deputada Therezinha Ruiz, vai ajudar a construir um bom ambiente na Assembleia. No meu entendimento não serão criados grandes problemas porque o Wilson tem essa característica de dialogar. Ele realmente gosta e sabe ouvir, é paciente, perseverante, não tem excesso de vaidade, é objetivo. Essas qualidades vão ajudar no diálogo com a Assembleia.

AC - A deputada reeleita Alessandra Campelo tem o perfil para ser a líder do governo na ALE?

Alessandra Campelo, Serafim Corrêa, Josué Neto e vários o outros que apoiaram o Wilson no segundo turno. Houve outros parlamentares que fizeram de forma mais discreta chamando sua equipe e anunciando o apoio. Esses foram os que mais participaram da campanha, mas houve outros que ajudaram, principalmente, houve os que não atrapalharam. A escolha de um líder, presidente e vice-presidente da Casa Legislativa tem que ser feita com muito diálogo e cuidado. O governador Wilson vai dialogar com todos eles. Os deputados reeleitos da base do governador Amazonino Mendes também serão muito bem recebidos pelo Wilson Lima. Não há restrição ao diálogo com nenhum deputado.

AC- Há alguma barreira a ser vencida para a aproximação com o presidente eleito Jair Bolsonaro?

Sou um político inspirado em grandes exemplos de políticos. Sou descendente de José Bonifácio Andrada e Silva (patrono da Independência do Brasil), minha mãe é Andrada e Silva e nasci em uma família em que se discutia a dignidade da política desde a infância. A maior parte dos Andrada se afastaram da política, em São Paulo, por não concordar com práticas políticas que envolviam corrupção lá atrás. O José Bonifácio Andrada e Silva era um homem de profundos valores. Dom Pedro I o respeitou tanto que, quando teve que partir do Brasil,  mesmo tendo ideias divergentes dele, o chamou para ser o tutor do jovem Dom Pedro II.  A minha trajetória é em comum porque levo a sério essas coisas, levo a sério a história do meu avô, do meu bisavô. Por esse raciocínio, o presidente Bolsonaro vai dialogar até tomar a sua decisão.

AC - Como o senhor avalia a fusão de ministérios em relação à Zona Franca?

 A fusão do Ministério do Planejamento com o da Fazenda pode ser prejudicial à Zona Franca e pode também não ser. Depende muito do presidente e do seu ministro da Economia. O que nós precisamos, principalmente, do presidente é um sinal de que a Zona Franca será protegida. A Zona Franca é uma conquista do nosso povo e da nossa sociedade através da Constituinte. Acredito que o presidente o fará. Temos pessoas das Forças Armadas e políticos que conhecem profundamente a Amazônia. Todo presidente se aconselha e ouve os principais assessores e não será diferente com o Bolsonaro. O ministro da economia tem algumas ideias que concordo e outras que apresento receio. Isso é natural.

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