Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
GREVE PETROLEIRA

‘Não estamos à venda’: grevistas de Urucu realizam ato em chegada a Manaus

Ao menos 35 petroleiros vieram da província petrolífera para a capital amazonense na noite deste domingo (16). Cerca de 90% da mão-de-obra da região aderiu à greve que critica demissões e a privatização Petrobras



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16/02/2020 às 22:37

Cerca de 90% da mão-de-obra da província petrolífera de Urucu, considerada a maior produção que abastece todos os municípios do estado do Amazonas, aderiu à greve, decidida pela categoria, em unidades instaladas nos estados do Amazonas, Pará e Maranhão. A decisão foi tomada em conjunto na última quinta-feira (13).

Somente na noite deste domingo (16), 35 trabalhadores da classe petrolífera desembarcaram no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, para promoverem um ato de repúdio às decisões tomadas pela Petrobrás. Sob gritos de “não estamos à venda” e “defender a Petrobras é defender o Brasil”, os grevistas criticaram a postura do governo brasileiro sobre a privatização da Petrobras.




Grupo desembarcou na noite deste domingo em Manaus. Foto: Antônio Lima

"Já venderam o gasoduto Coari-Manaus. Está à venda a província de Urucu e as termelétricas Tambaqui e Jaraqui, que ficam em Manaus", disse Gilberto, um dos trabalhadores.

"Nossas refinarias operavam em 100% das cargas. Hoje, obrigatoriamente elevaram nossos preços, na abertura do mercado para os Estados Unidos", Sílvio Cláudio Silva, diretor de política sindical do Sindipetro - PA/AM/MA/AP.

Demandas

De acordo com o diretor de imprensa do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), Bruno Terribas, a greve, que conta com um total de 100 trabalhadores efetivos da Província Petrolífera do Urucu, visa barrar a demissão dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados em Araucária (Fafen-PR) e do Sistema Petrobrás.

Ainda segundo ele, também está na pauta a luta contra a privatização das unidades da Petrobrás na região Norte; implementação do banco de horas antes do negociado; a alteração dos padrões para retirada de direitos; a precarização da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS); a mudança das tabelas de turnos; redução de efetivo nos terminais, além da demissão por baixo desempenho e precarização das condições de trabalho.

"No acordo coletivo de trabalho, você tem a discussão do banco de horas, que foi alterado de maneira prejudicial. Antes, todas as horas-extras eram pagas, então foi criado esse banco de horas. Houve uma comissão de negociação, que estava se reunindo, mas a empresa fez a mudança antes de terminar o ciclo de reuniões. Há também a questão das tabelas de turno, que envolve, principalmente, o pessoal da refinaria, que é a forma de calcular as jornadas e folgas; a empresa também implantou, de forma unilateral, sem que houvesse consolidada a negociação", enfatizou Terribas, acrescentando que há ausência de cumprimento das cláusulas do acordo, por parte da petrolífera.

Denúncias

A greve nacional dos petroleiros, que teve início no último dia 1º, segue para o seu 17° dia e conta com mais de vinte mil petroleiros em todas as bases de exploração de petróleo, segundo a sindicalista do Sindipetro, Elita Azevedo.

A direção do Sindipetro irá formalizar um dossiê, junto aí Tribunal Superior do Trabalho (TST), denunciando a contratação de mão-de-obra inapropriada para a parte operacional das termelétricas, com o objetivo de tentar coibir as possíveis consequências geradas pela paralização.

"O diretor-presidente chegou a chamar funcionários da unidade da Bahia para tentar 'furar a greve' dos trabalhadores aqui. Eles já até trabalharam aqui, mas já estão muito tempo fora da unidade e já não conhecem mais os parâmetros e já houve até relatos de que colocaram as instalações em risco", afirmou Elita.

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Repórter de A Crítica

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