Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
ESTRATÉGIA DE DEFESA

‘Não há prova contra ele’, diz defesa de acusado de jogar o filho no rio Negro

Para a defesa de Josias de Oliveira Alves, 35, o que há é a palavra da mãe da criança contra a do réu. Josias será julgado amanhã (19) acusado de ter jogado o próprio filho de 4 meses no rio Negro, em 2015



show_1__2__19F797C8-3CA6-4A10-8EFE-35FC31BE70F2.jpg Foto: Arquivo/AC
18/02/2020 às 18:03

A ausência de provas técnicas no processo do canoeiro Josias de Oliveira Alves, 35, que vai sentar no banco dos réus, nesta quarta-feira (19), para ser julgado pela acusação de ter jogado o filho no rio Negro, poderá favorecê-lo, conforme disse o advogado de defesa Josemar Berçou Júnior. “Com base nos autos, não existe nenhuma prova contra ele. O que há são acusações da mãe da criança”, disse o advogado.

Conforme Berçou, o que existe no processo são duas pessoas que trocam acusações e o depoimento de pessoas que não presenciaram o momento que o bebê Pablo Pietro, de quatro meses de idade, foi jogado no rio Negro. De acordo com o advogado não há laudo de exame cadavérico, apenas uma certidão de óbito que não consta a causa da morte. O crime aconteceu em 2015. A criança, que há época tinha quatro meses, morreu. O fato teria ocorrido após uma briga entre Josias e a mãe da criança.



Para Berçou, a ausência de provas favorece ao réu. No depoimento da mãe do bebê, a dona de casa Cleudes Maria Batista, 25, ela conta uma versão fantasiosa, segundo o advogado. De acordo com ela, após ter jogado o menino no rio, o canoeiro tentou matá-la enforcada, a jogou no rio e depois tentou passar com o barco por cima dela, mas teria se arrependido e a levou par o porto São Raimundo.


Cleudes Maria Batista, mãe de Pietro. Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica

Pessoas que foram ouvidas no inquérito disseram que ela chegou ao porto com a roupa seca e não aparentava ter sido jogada no rio. Josias disse que a criança caiu das mãos dela no rio e que ele tentou resgatá-la, mas a escuridão da noite e das águas do Negro dificultou que ele resgatasse o filho.

Julgamento

O julgamento está marcado para iniciar amanhã, na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. A sessão de julgamento será presidida pelo juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Celso Souza de Paula, e está programada para iniciar às 9h, no plenário principal do Fórum Ministro Henoch Reis, bairro de São Francisco. Cinco testemunhas apontadas pelo Ministério Público e duas do Juízo da 1ª Vara serão ouvidas.

Josias de Oliveira foi denunciado pelo Ministério Público (MP-AM) por homicídio triplamente qualificado – pela morte da criança – nos termos do art. 121, 2.º, I (motivo torpe); III (meio cruel); IV (recurso que impossibilitou a defesa da vítima), combinado com art. 61, II, “e” (contra descendente) e “h” (contra criança), do Código Penal Brasileiro.

O réu é acusado, também, por tentativa de homicídio quintuplamente qualificado – em relação à ex-companheira – tendo sido enquadrado no art. 121, 2.º, I (motivo torpe); III (asfixia); IV (recursos que dificultou a defesa); VI (feminicídio); combinado com o art. 14, II, todos do Código Penal Brasileiro.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.