Segunda-feira, 26 de Outubro de 2020
SAUDADES

Nas redes sociais, artistas lamentam morte de Klinger Araújo

O Furacão do Boi, como era conhecido, foi uma das maiores influências para a popularização do Boi Bumbá nos anos 90. A morte precoce do cantor, aos 51 anos, causou manifestações de pesar de artistas e agremiações folclóricas



awe_E81A7946-DA16-46BE-9D70-F0389A8D4269.JPG Foto: Divulgação/Boi Caprichoso
29/09/2020 às 14:08

A morte do levantador de toadas Klinger Araújo, aos 51 anos, confirmada na manhã desta terça-feira (29), provocou diversas manifestações de artistas e companheiros que fizeram parte da vida do Furacão do Boi e do Boi Bumbá. Vítima de complicações da Covid-19, o cantor que fez história nos bois Garantido e Caprichoso deixa, além de saudades, um importante legado na popularização do movimento de toadas do Boi Bumbá parintinense.

Por meio das suas redes socais, o boi bumbá Caprichoso, pelo qual Klinger atuou a maior parte de sua carreira como cantor de apoio e levantador de toadas, se manifestou em pesar pela perda do artista. A nota oficial do bumbá azul é assinada pelo presidente Jender Lobato.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nota de pesar A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso lamenta profundamente a morte do toadeiro Klinger Araújo, ocorrida nesta terça-feira (29/09), em Manaus, devido a complicações causadas pelo Coronavírus. O presidente Jender Lobato e o vice Karu Carvalho, ainda impactados com a notícia, se irmanam, neste momento de dor e perda, com familiares e amigos. Ao mesmo tempo, decretam luto de 3 dias na Agremiação Cultural, em respeito à memória desse grande artista que muito contribuiu para a exaltação da toada e divulgação do Festival Folclórico de Parintins. No dia em que lembramos nove meses da partida do Pop da Selva, Arlindo Júnior, o Furacão do Boi, Klinger Araújo, resolveu ao lado dele e de Emerson Maia, cantar as toadas azuladas no firmamento azul. Ficam nas nossas memórias os grandes momentos e o encontro desses amigos no teatro da vida, como a emocionante flauta de Klinger Araújo acompanhando a interpretação de Arlindo Júnior, no Teatro Amazonas. A última apresentação de Klinger Araújo, em Parintins, pelo boi Caprichoso, foi durante o Carnaboi 2020, onde comandou a Nação Azul e Branca e ainda foi homenageado no Carnailha pelo bloco Fax Clube. De alegria contagiante e de um humor extraordinário, Klinger saiu de Parintins para trabalhar em Manaus. Como radialista foi o pioneiro a tocar toadas de boi-bumbá nas emissoras da capital amazonense, evidenciando artistas e os bumbás de Parintins. Como artista, defendeu as duas cores e ainda representou o nosso folclore em programas de TV nacionalmente. Hoje, Klinger, sua flauta se silencia. Seu bailado chora. Seu palco está vazio. E mesmo com as cortinas do palco da vida se fechando sem termos a oportunidade da despedida, o aplaudimos de pé! O Boi Caprichoso, sua diretoria e a Nação Azul e Branca se despendem com um MUITO OBRIGADO por tudo!

Uma publicação compartilhada por Boi Bumbá Caprichoso (@boicaprichoso) em

A homengem do Boi Caprichoso foi acompanhada momentos depois pelo Boi Garantodo. Fábio Cardoso, presidente do 'bumbá vermelho' assinou nota de pesar nas redes sociais do Garantido lamentando a morte do 'Mestre'.

 

O também lendário levantador de toadas David Assayag se manifestou também pelo seu instagram. Segundo ele, a morte de Klinger deixa a cultura do Amazonas em luto.


Klinger e David Assayag participaram de live com Chico da Silva. Foto: Reprodução/Internet/BNC Amazonas

A cantora Márcia Novo também lamentou a perda nas redes sociais e relembrou momentos junto ao cantor.

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A exatamente um ano atrás nós estávamos juntinhos gravando meu novo trabalho e você nos dando a honra de além de gravar junto com a Vanessa o nosso backing vocal do disco, liberar a sua música para gravação. Tínhamos tantos planos juntos para esse ano, inclusive o videoclipe que não conseguimos gravar... a vida é muito curta! Você foi o primeiro cantor do boi a me dar oportunidade. Saiba que eu sempre aprendi muito com sua humildade, alto astral e irreverência, eterno furacão da Amazônia! Te amo meu irmão, mestre e astro, Klinger Araujo, que saudade! Obrigada por tudo! PS: Meu repúdio à imprensa feroz e voraz que não esperou nem a família receber a notícia e já publicou seu falecimento em diversos blogs e jornais. #LUTO #meuastro #teamo #saudades #furacaodaamazonia #klingerAraújo

Uma publicação compartilhada por Marcia Novo (@marcianovocantora) em

 

Importância histórica

Para o presidente do conselho de artes do Caprichoso, Ericky Nakanome, Klinger teve participação fundamental na popularização do Boi Bumbá acontecido no início da década de 1990.

“Klinger Araújo é um dos nomes que marcam o movimento que vai amalgamar a cultura da toada de boi bumbá dentro do estado do Amazonas. Parintins, aqui na fronteira com o Pará, faz com que essa toada ganhe essa força identitária forte a partir de artistas como Arlindo Júnior, David Assayag, Klinger Araújo, dentre outros que surgiram na década de 90 e que fizeram da toada esse movimento, fazendo com que outros eventos do estado, dentro da conjuntura do carnaval, como o aniversário de Manaus, ecoassem a toada de boi bumbá para além da sua lógica de pertencimento do parintinense. Essa cultura passa então a ser vista até mesmo como um novo estilo musical, fazendo com que a toada pudesse caminhar para outros sentidos para além da razão e da lógica folclórica. O Klinger tem essa força e participação ativa nesse movimento que foi muito importante para a divulgação do Festival Folclórico de Parintins.

Carreira

Sua trajetória artística começou em 1986, quando ele atuava como radialista na Rádio Alvorada, em Parintins. Alguns anos depois, foi DJ e locutor dos noticiários da emissora local. Já na capital manauara, Klinger teve passagens pelas rádios Tropical (Rádio Cidade), Amazonas FM, Ajuricaba, Difusora do Amazonas, FM do Povo e Novidade FM. Klinger também trabalhou em rádios locais do Pará e do Ceará.

A ascensão do cantor como levantador de toadas aconteceu em 1990, quando ele se apresentou pela primeira vez com o Boi-Bumbá Garantido. Anos depois, Klinger foi convidado para cantar no Boi-Bumbá Caprichoso, onde se firmou nas raízes folclóricas do “boi azulado”.

Seu sucesso foi tão grande que em 1996 o artista foi convidado por um grupo de empresários para divulgar a cultura do boi-bumbá pelo Brasil. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram seu destino, onde participou de vários programas como Planeta Xuxa, Ana Maria Braga, Faustão, Ratinho, entre outros. Seu trabalho também atravessou as fronteiras do país, com turnê internacional em Las Vegas, Dallas, New Orleans, New York, entre outros países.

Klinger Araújo era levantador de toadas e backing vocal do Boi-Bumbá Caprichoso, além de mestre de cerimônias de diversos eventos em Manaus. Possuia um programa digital em sua fan page chamado “Amazônia é boi bumbá”.


Klinger Araújo foi uma das principais influências para a popularização do Boi Bumbá nos anos 90. Foto: Arquivo/AC 24/08/1993

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