Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
MEIO AMBIENTE

Nível de poluição na bacia do Educandos transforma Rio Negro em lixão

Dejetos jogados na bacia do Educandos por moradores, principalmente, ‘emporcalham’ a orla, considerada porta de entrada de Manaus por via fluvial



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17/11/2019 às 06:30

Considerada a porta de entrada de Manaus por via fluvial, a bacia do Educandos está ocupada pelo lixo despejado por moradores das chamadas casas flutuantes e resíduos trazidos de outros bairros pelo Igarapé do 40. É o que afirmam habitantes do bairro, alarmados com o nível de poluição do local. Segundo um morador que pediu anonimato, a sujeira que chega no período da cheia tomou dimensões preocupantes, nas margens e embaixo da ponte, onde o acúmulo de resíduos é maior.

A situação fica evidente durante as chuvas, quando dejetos de todo tipo podem ser vistos flutuando junto a embarcações até o rio Negro. “É uma camada de quase dois metros de lama e lixo. Além disso, as oficinas de conserto naval passam jogando óleo no rio”, disse. “No dia em que o prefeito (Artur Neto) esteve aqui para anunciar as obras de revitalização da ponte (do Educandos), uma equipe começou a fazer a limpeza do local, mas deixaram um monte de sujeira e nunca mais retornaram”, revelou.



Ele afirmou que, desde então, moradores começaram a construir palafitas ao lado da estrutura com o objetivo de receber indenizações pelas reformas. “Essa área devia ser o cartão-postal da cidade, porém, reúne tudo o que há de mais feio e degradante”, lamentou.

O morador contabilizou cerca de 40 casas de madeira e 30 vigias (espécie atracadouro para canoas e voadeiras) instaladas na área. Estas últimas estariam sendo utilizadas no comércio de drogas. “O movimento é intenso durante a madrugada, pois no rio não existe policiamento”, afirmou. “Isso demonstra que a cidade está abandonada, causando uma péssima impressão no turista”.

Em sua opinião, a Prefeitura de Manaus não tem interesse em promover ações de educação ambiental na área, no sentido de assegurar o convênio entre o poder público e a empresas que recolhem os dejetos, provenientes do rio Negro, em balsas.

Proprietário de um porto próximo à Manaus Moderna, o empresário Demétrio Sales disse que encarregou um funcionário de recolher os sacos de lixo trazidos pelas águas.

“Ele passa o dia inteiro limpando”, afirmou. “Quando chove, é possível ver até geladeira descendo na correnteza do igarapé”. Há cerca de um ano, dona Albalina Oliveira resolveu fechar o restaurante que funcionava em sua residência por causa do mau cheiro intenso na área. “Muitas pessoas frequentavam o local, a gente tinha que colocar as cadeiras na rua”,  relembrou. “O problema é que só fazem a limpeza na área perto da Manaus Moderna”.

A reportagem solicitou ao Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) informações sobre as medidas que devem ser tomadas a respeito da sujeira na orla do Educandos. Até o fechamento desta edição, no entanto, ainda não havíamos recebido resposta.

Na avaliação do procurador do Ministério Público de Contas (MPC-AM)  Ruy Marcelo Alencar, a sujeira na bacia do Educandos é resultado da combinação de três fatores: déficit de habitação, falta de saneamento básico e ordenamento. “As habitações irregulares estão na beira dos igarapés. Os moradores não têm consciência do mal que causam ao jogar ao despejar os resíduos, agravando uma situação causada pela falta de opção, e o poder público não quer retirá-los de lá”, relacionou.

Segundo o procurador, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) está realizando uma ação para analisar a proliferação de casas flutuantes no local. “Com base no laudo desse estudo, vamos verificar se há omissão dos governantes em relação ao problema”, explicou. “O rio é um patrimônio público, e essas  moradias precisam de autorização para serem construídas ali”.

Alencar ressaltou que as empresas também devem colaborar, junto ao poder público e à sociedade, para diminuir o impacto gerado pelo lixo, conforme previsto pela Lei Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/10). “Cobramos investimentos em infraestrutura e saneamento básico, mas sabemos que isso não será resolvido da noite para o dia. Os custos são altos e o déficit de moradia popular é grande. Temos que melhorar nossos índices de sustentabilidade”, finalizou.

Tráfico de drogas

Se não bastasse o problema do lixo despejado diariamente nas águas do rio Negro, próximo a orla do Educandos, o comércio paralelo do tráfico de drogas tem crescido no bairro da Zona Sul de Manaus devido a falta também de policiamento na área. As atividades ilícitas ocorrem, geralmente, no período da madrugada, conforme relatos de moradores.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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