Domingo, 19 de Maio de 2019
EM MANAUS

Nível do Rio Negro já supera em dois metros a cota alcançada em janeiro de 2018

Em janeiro deste ano, o Rio Negro está subindo o equivalente a 7 cm/dia



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Prefeitura diz que ações paliativas depedem de alerta do CPRM. Foto: Winnetou Almeida
12/01/2019 às 02:55

Nas primeiras duas semanas de 2019, o nível do rio Negro subiu 78 centímetros, batendo a cota de 23,42 metros ontem, conforme a medição do Porto de Manaus. No dia 1º de janeiro, o  rio chegava a 22,72 metros.

Em comparação com mesmo período do ano passado, o nível registrado foi de 21,41 metros, uma diferença de dois metros em relação a ontem. “Estamos observando nesse início do ano que os níveis do rio Negro encontram-se acima do esperado para a atual época do ano”, disse a pesquisadora em Geociências Luna Gripp Simões, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

“Esse comportamento é uma resposta aos níveis do rio Solimões, que têm se apresentado acima do esperado para esse período do ano ao longo de toda a sua calha”, observou a especialista. Apesar disso, Luna Gripp ressalta que ao longo das outras estações do rio Negro, os níveis estão dentro da normalidade.

De acordo com o Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico do CPRM divulgado no dia 8 de janeiro, o rio Negro subiu cerca de sete centímetros por dia na última semana. “Nas estações do alto e médio Rio Negro, o rio tem apresentado variações de nível ao longo do seu processo de vazante. No Porto de Manaus, o rio encontra-se em processo de enchente, apresentando cotas altas para o período”, cita o boletim.

Chuvas não influenciam

É importante esclarecer que a enchente do rio em Manaus e as alagações ocorridas na capital por conta das chuvas são fatores diferentes. “Quem direciona o nível do rio Negro é o rio Solimões. Por isso as chuvas que caem diretamente em Manaus não influenciam na subida do rio. Quanto às alagações por causa de chuva é devido à estrutura da cidade, um bueiro entupido, ou a quantidade de lixo”,  ressaltou a pesquisadora Luna Gripp.

Ações dependem de alerta

Durante a cheia do rio Negro no ano passado, a Prefeitura de Manaus mapeou 15 bairros passíveis de alagação, sendo eles o Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara. 

Tendo como base a  subida no nível do rio Negro para 2019, a Defesa Civil de Manaus informou que, para serem traçadas estratégias e para uma previsão das famílias afetadas pela cheia, é preciso que haja o primeiro alerta de cheia do CPRM.

“Tão logo aconteça, de forma preventiva, a Defesa Civil  atuará junto à Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) na identificação de famílias residentes nos 15 bairros passíveis de alagação, por conta do fenômeno”, destacou em nota.

Cheia e as chuvas preocupam

Moradora do Beco do Aterro, no bairro Betânia, Zona Sul de Manaus, a aposentada Clarise Fernandes, 68, relembra as enchentes ocorrida na capital, em 2012, ao ver o nível que o rio está hoje. Além do medo da enchente, ela receia as alagações por conta das chuvas.  

“Lembro que nessa época a Defesa Civil cadastrou as famílias e deram pra gente as madeiras para fazer as marombas. A gente não sabe como vai ser a cheia desse ano, mas espera não ser tão expressiva por moramos na beira do igarapé e não direto no rio”, avalia ela. 

Nos últimos dias foram registrados 70 mm de chuva na capital.  A previsão é de mais chuvas para os próximos dez dias conforme o Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil (Inmet).


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