Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
NÃO AGRADOU

No AM, sindicatos reagem a fala de Guedes sobre servidores 'parasitas'

Comentário foi feito pelo ministro da Economia quando ele se referia a necessidade de uma reforma administrativa. Para Sindesp- AM, declaração é “agressiva” e “desrespeitosa”



PAULO-Gueses_995F3AC1-CD3D-499A-BB18-B1BA58F2666E.jpg Foto: Reprodução/Internet
09/02/2020 às 15:31

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em palestra promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para discutir o pacto federativo, comparou funcionários públicos a “parasitas”, na sexta-feira (7). Declaração foi rechaçada por representantes de sindicatos federais no Amazonas.

O comentário foi feito pelo ministro quando ele se referia a necessidade de uma reforma administrativa, medida entendida pelo Governo Federal como central para diminuir o déficit bilionário das contas públicas, que no ano passado atingiu 61,872 bi.

"O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele (funcionário público) quer aumento automático", falou o ministro. 

Guedes pontuou que os servidores públicos já têm como privilégio a estabilidade no emprego e o reajuste anual dos salários e ainda uma "aposentadoria generosa". 



O titular da Economia ponderou que a questão fiscal dificulta o pagamento destes direitos constitucionais aos servidores, principalmente na esfera municipal de governo, por isso, a carreira de funcionário público deve ser repensada.

Guedes falou da expectativa para tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional. O ministro acredita que a medida vai sofrer menos dificuldade do que a reforma da previdência.
 Para ele, o sentimento de que o funcionalismo público brasileiro é improdutivo também é compartilhado pelos brasileiros. 

"A população não quer isso [reajuste automático do funcionalismo público]. 88% da população brasileira é a favor, inclusive, de demissão no funcionalismo público", afirmou.

Guedes completou analisando que nos EUA, funcionários públicos não contam com tantos direitos e que por esta razão a máquina pública americana funciona melhor. 

Críticas 

O sindicato dos servidores públicos federais do estado do Amazonas, entidade representativa de funcionários do Ipaam, Incra, Ibama, Funai, Funasa e Conab reagiu às críticas de Paulo Guedes. 

O diretor de administração do Sindesp- AM, Jorge Lobato chamou de “agressiva” e “desrespeitosa” o juízo de Paulo Guedes sobre o funcionalismo.

“Não se trata em defender o servidor público, o ataque do senhor Guedes é um ataque ao serviço público e à sociedade que depende dele, ele está esquecendo que o papel do serviço público na sociedade é muito importante. Há problemas em vários seguimentos, agora não se pode usar isso para generalizar uma categoria que serve a sociedade. Fico indignado como servidor público concursado”, reclamou. 

Lobato lembrou que o governo faz a recomposição dos quadros e rechaça o argumento de que a máquina pública está “inchada".

“Esses ataques contra o serviço público causam um problema tremendo na imagem, a sociedade fica achando que a máquina está inchada e não é isso. Há esvaziamento do serviço público porque não há mais recomposição dos quadros. Qual é a solução do Governo Federal agora? Colocar militares da reserva para resolver o problema das filas do INSS”, afirmou. 

O presidente do Sindifisco-AM, Elias Aquino, organização que representa os auditores fiscais estaduais do estado, observa que sem a existência da estabilidade do funcionalismo público, a fiscalização realizada pelos auditores pode ser prejudicada. 

Segundo ele, o auditor “ficaria na mão do político”.

“Se você perder a estabilidade, você fica na mão chefe, que na verdade, é um político. A fiscalização pode sofrer com isso, se for fiscalizar os negócios do amigo do chefe, vai ser mandado para outro lado do estado, alertou.


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