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Manaus
ELEIÇÕES 2018

No Amazonas, 138,8 mil analfabetos estão aptos a votar na próxima eleição

Número é superior a total de eleitores dos municípios de Parintins e Itacoatiara, os dois maiores colégios eleitorais do interior do Estado 26/09/2018 às 02:42 - Atualizado em 26/09/2018 às 07:40
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Foto: Reprodução/Internet
Vitor Gavirati Manaus (AM)

Nas eleições deste ano, 138.865 analfabetos estão aptos a votar no Amazonas, de acordo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número é superior à soma do total de eleitores dos municípios de Parintins e Itacoatiara (134.648), os dois maiores colégios eleitorais do interior do Estado.

O total de analfabetos equivale a 5,72% do número de eleitores credenciados no Amazonas para o próximo pleito (2.428.098 pessoas). A marca de analfabetos no Estado está acima da média nacional, que é de 4,46%. O Brasil tem 147.306.275 eleitores e 6.574.188 deles são analfabetos, segundo as estatísticas do TSE.

Na região Norte, o estado com o maior número de analfabetos aptos a votar é o Pará: são 345.806 do total de 5.499.283 eleitores. A média paraense de 6,29%, no entanto, é superada no Acre, onde 9,49% (51.987) do eleitorado (547.680) é formado por analfabetos.

De acordo com o TSE, no Amazonas, 187.868 aptos a voto apenas leem e escrevem (7.74% do eleitorado). Essa categoria é a 5ª maior fatia de eleitores do estado. Os analfabetos são a 2ª menor parcela do eleitorado.

Eleitores com Ensino Médio completo são maioria no AM

A maioria do eleitorado amazonense é composta por pessoas com o Ensino Médio completo. Ao todo, 712.752 eleitores possuem esse nível de formação, o que corresponde a 29,35% do total de eleitores. Na sequência aparecem os votantes com Ensino Fundamental Incompleto: 533.590 (21,98%).

Os eleitores com Superior Completo aparecem em 4º lugar na formação do eleitorado local. São 218.703 pessoas, equivalente a 9,01% do total.

Analfabetos podem influenciar de forma positiva, diz especialista

Para o sociólogo e advogado Carlos Santiago, um dos coordenadores do Comitê de Combate à Corrupção e Caixa Dois no Amazonas, há uma contradição na participação do analfabeto no processo eleitoral brasileiro.

“O analfabeto pode votar, mas não pode ser votado. Eu acho que é até salutar que as pessoas que não têm a sabedoria da escrita, mas têm a sabedoria da vida, pagam também seus impostos e que acabam sofrendo as consequências de uma péssima escolha política também tenham direito a participar do processo político”, afirma.

Contrariando qualquer possível preconceito que possa ser associado à baixa instrução escolar, Santiago afirma que a participação dos analfabetos nas eleições pode ter um resultado positivo.

“Isso pode influenciar no processo político? Pode. Pode influenciar até de forma positiva. Muitos deles, pela sabedoria de vida, pelo conhecimento que têm da prática, do cotidiano, têm maior lucidez da importância do processo político que alguns com instrução superior. Você vê por exemplo candidaturas pregando truculência e o perfil maior desse tipo de candidatura é o de pessoas bem instruídas, pessoas que tem poder aquisitivo alto e jovem” explica o sociólogo, falando sobre a relação entre a escolaridade e a atuação dos políticos brasileiros.

“Não podemos ser enfáticos e dizer que o iletrado é responsável pela péssima qualidade política e de gestores públicos do país. A responsabilidade é de todos. O exemplo clássico é de que quem está no governo hoje e nas esferas legislativas são pessoas letradas e não estão respondendo à altura da necessidade do interesse coletivo da sociedade brasileira. Nós temos pessoas iletradas que têm capacidade, entendimento de vida, uma visão coletiva da sociedade e da vida pública muito maior que muitos letrados”, avalia.

Em oposição ao perfil do eleitor amazonense, a maioria dos candidatos deste pleito no estado declarou ao TSE que possui nível superior completo.

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