Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
Manaus

No Amazonas, 25 pacientes podem estar infectados com zika; um caso já foi confirmado

Todos os casos são em Manaus. O aumento no número de suspeitos de zika é forte evidência de que o vírus esteja circulando na região, afirmou especialista



1.jpg Alguns dos sintomas da zika são febre, coceira, dores no corpo, cabeça, atrás dos olhos, e nas juntas, além de manchas vermelhas pelo corpo
11/12/2015 às 16:37

O número de casos suspeitos de zika vírus no Amazonas passou de 18 para 25. Três do total de casos já notificados, que esperam a confirmação do laboratório, são em mulheres grávidas. A informação foi divulgada no final da tarde de ontem pelo Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs). O vírus zika é apontado como causador de microcefalia em recém-nascidos.

Para o vice-diretor de Pesquisa do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, o aumento no número de casos suspeitos de zika na capital amazonense é uma forte evidência de que o vírus está circulando na região, mas não é uma prova. “A prova é a confirmação laboratorial em vários casos autóctones – quando é originado no próprio município”, ressaltou.



A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que devido à intensificação das ações de combate ao aedes aegypti, o mosquito transmissor do zika e também da dengue e febre chikungunya, todo e qualquer caso com sintoma relacionado ao zika é imediatamente enviado para ser analisado.

Desta forma, conforme a Semsa pode-se fazer o bloqueio químico e mecânico, ou seja, identificar os focos do mosquito e fazer borrifação de veneno numa área de 300 metros de onde a pessoa com o caso suspeito mora, para evitar que o aedes aegypti  transmita o vírus a outras pessoas.

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, declarou que dos três casos suspeitos de zika envolvendo grávidas, duas estão na fase final da gestação e apenas uma no primeiro trimestre da gravidez. Ele também destacou que, até o momento, o Estado tem apenas um caso de zika vírus confirmado, cuja transmissão foi autóctone (interna).

Albuquerque disse que entre os casos suspeitos, a transmissão do zika vírus pode ter sido tanto autóctone quanto “importada” (quando o doente foi infectado fora do Estado). “Nós temos referência de viagem, mas temos suspeitos com permanência em Manaus, inclusive, os casos envolvendo as grávidas, que são da capital”, disse.

O vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, afirmou que a instituição recebeu 11 amostras nesta semana, que terão os resultados concluídos até hoje. Outras oito ainda estão em análise.

Técnica PCR

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) anunciou nesta sexta (11) que a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) passará a adotar, a partir de janeiro, a técnica do PCR em tempo real (Polymerase Chain Reaction – Reação em Cadeia da Polimerase), que permitirá obter informações para detecção e diagnóstico da doença.

A Fiocruz já adota a metodologia, no Amazonas, e com a FMT a capacidade de oferta do serviço será ampliada. A FMT está concluindo os últimos ajustes para começar a adotar a técnica do PCR, método de biologia molecular de amplificação do DNA, utilizado para o sequenciamento de genes e diagnóstico de doenças hereditárias, assim como para detecção e diagnóstico de doenças infecciosas.

A diretora-presidente da FMT-HVD, Graça Alecrim, explica que a técnica tem como diferencial a sua versatilidade, que permite a aplicação em diversos materiais biológicos. “É um método capaz de identificar o patógeno (vírus, protozoários, dentre outros), fornecendo informações precisas da sua presença no material analisado. É muito importante para a confirmação do diagnóstico”, destacou.

Sintomas 

Inicialmente, os sintomas do zika vírus podem ser confundidos com o da  gripe: febre, entre 37,8°C e 38,5°C; dor nas articulações, principalmente das mãos e pés; dor nos músculos  e cabeça (atrás dos olhos).

Transmissão

O zika não é contagioso e não passa de uma pessoa para outra. A única forma de pegar a doença é ser picado pelo mosquito. Mas se um mosquito que não tem o zika  picar uma pessoa que está doente, ele é contaminado e começa a passar a doença para outras pessoas com  suas picadas.

Unidades-sentinela

Como parte das ações para reforçar o monitoramento dos casos de dengue, chikungunya e, agora, principalmente de zika vírus, a Susam já definiu quatro unidades sentinelas: o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e o Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste, na rede pública e o Hospital Adventista, da rede particular.

Além disso, a Susam expediu notas técnicas, assinadas em conjunto com o município, contendo orientações a serem adotadas nas maternidades e no atendimento ao pré-natal, na atenção básica.

Indicadores

Conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), em 2015, em todo o Estado, foram registrados 7.191 casos de dengue. Em relação à febre chikungunya, neste ano foram notificados 152 casos da doença no Amazonas, somente 12 confirmados, 75 descartados e 65 permanecem sob investigação. Dos 12 casos confirmados, cinco foram de transmissão autóctone (interna) e os sete restantes “importados” (o doente foi infectado fora do Estado). Do zika vírus são 22 casos suspeitos e apenas um confirmado e com transmissão autóctone.

Alerta a boatos

Graça Alecrim, da FMT-HVD, integra o Comitê de Apoio ao Monitoramento, Prevenção e Controle dos casos de Microcefalia no Amazonas, que é presidido pelo secretário estadual de Saúde, Pedro Elias. Na segunda reunião do Comitê, ontem, Pedro Elias informou que a FMT-HVD passará a ser a unidade de referência, na rede de saúde, responsável por realizar os exames de necropsia, caso haja algum óbito de bebê com microcefalia associado a caso suspeito de zika vírus durante a gestação.

Na reunião, Pedro Elias fez um alerta sobre os boatos que vêm circulando, principalmente nas redes sociais, com informações falsas e que prejudicam o trabalho realizado pelos órgãos de saúde. “O fenômeno ocorre em todo o país e vem preocupando as autoridades de saúde. São atitudes irresponsáveis, que acabam tumultuando e gerando pânico. É preciso tranquilidade e buscar os canais corretos para esclarecimento, no atendimento médico ou nas unidades de saúde”, afirmou.

Na reunião, ficou também estabelecido que as ações do Comitê estarão concentradas em três eixos: mobilização social, com a organização de atividades nas escolas, repartições públicas, nas ruas, dentre outros locais; combate ao mosquito transmissor da doença, com ações de campo; e atenção às pessoas, com o manejo clínico de pacientes.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.