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No Amazonas, 50% das detentas foram presas por envolvimento com o tráfico de drogas

Segundo Seap, mais de 50% das encarceradas estão presas por tráfico de drogas e 95% delas assumem negócio dos parceiros 09/11/2015 às 09:35
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Até em 2014, 528 mulheres estavam presas em cadeias do Amazonas. A maioria delas é negra e de baixa escolaridade
Isabelle Valois ---

Mãe de cinco filhos, com ensino fundamental incompleto e desempregada, se viu obrigada a assumir a ‘boca de fumo’ do companheiro, após ele ser preso no momento em que comercializava drogas. Além de precisar sustentar a família, Maria de Souza (nome fictício para preservar a imagem da fonte), precisava conseguir dinheiro para pagar as dívidas do esposo - o material que havia sido apreendido no momento do flagrante -, e para conseguir dinheiro rápido de forma fácil não viu outra forma a não ser se envolver com o crime.

Depois de seis meses comandando o negócio herdado do companheiro, Maria foi surpreendida com a visita da polícia. “Naquele momento eu só pensei nos meus filhos. Como seria a vida deles com os pais presos”, relembrou. Os cinco filhos foram morar com as mães de Maria, enquanto ela precisou passar alguns meses na penitenciária.

De acordo com o titular da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, assim como Maria, 95% das companheira de traficantes ou pessoas envolvidas com o tráfico de drogas acabam assumindo a ‘boca’ do companheiro quando ele é preso e, após um tempo, acabam também indo parar na penitenciária para pagar a pena pelo mesmo crime do parceiro.

Isso confirma os dados divulgados nesta semana do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, que afirmam o aumento de 89% da população carcerária feminina nos último 14 anos. Mas, este aumento não ocorre só no Estado, em todo o País houve um aumento de 567% no mesmo período de 2007 a 2014.

Até em 2014, haviam 528 mulheres presas. Desses dados, 59% são de presas sem condenação, 24% são entre a faixa etária de 18 a 24 anos, 23% da faixa etária de 25 a 29 anos, 24% entre 30 a 34 anos, 17% entre 25 a 45 anos e 12% entre 26 a 60 anos.

Pela estatística de mulheres encarceradas no Amazonas, 19% são brancas e 81% são negras. Pelo menos, 8% são analfabetas, 12% possui alfabetização sem cursos regulares, 41% possui o ensino fundamental incompleto, 11% possui ensino fundamental completo, 16% de ensino médio incompleto, 8% ensino médio completo, 4% com ensino superior incompleto e 1% com ensino superior completo.

Assim como em todo País, a maioria dos casos das mulheres encarceradas respondem pelo crime de tráfico de entorpecentes. No Amazonas, são 54% dos casos, 1% por quadrilha ou bando, 4% por roubo, 5% por furto, 1% por receptação, 2% por homicídio, 2% por latrocínio, 5% por desarmamento, 1% por violência doméstica e 25% por outros crimes.

Estrangeiras envolvidas com drogas

Até 2014, no Amazonas havia sete presas estrangeiras do continente americano, mas da metade envolvidas no tráfico de drogas.

O titular da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), Pedro Florêncio, informou que a secretaria tem todas as orientações da Organização das Nações Unidas (ONU), das formas e projetos que devem ser desenvolvidos para realizar a inclusão social dos carcerários.

“Nós estamos fazendo a nossa parte. Mas o estado precisa criar condições de trabalho, estudo, saneamento básico, esporte, outros meios para evitar a presença do crime. Estamos buscando meios de fazer a reintegração das carceirarias na sociedade, além de transformar o ambiente familiar mais agradável, uma forma de evitar que quando elas retornarem para as casas não volte a delinquir, por isso que nas unidades penitenciárias elas voltam a estudar, fazem cursos profissionalizantes, tudo para melhorar a qualidade de vida”, explicou.

Em números

567 % foi o aumento de mulheres encarcerarias em todo Brasil, nos últimos 15 anos. No Amazonas, houve um aumento de 89%. Até 2014, eram 528 mulheres presas.


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