Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019
O FIM DE UM SONHO AMAZÔNICO

No auge, hotel Ariaú Towers tinha uma receita de US$ 1 milhão mensalmente

Aliando a crise às dívidas, que hoje chegam a uma média de R$ 20 milhões, o hotel fechou as portas definitivamente no início de 2016



05/02/2017 às 05:00

Em uma época em que a Amazônia era conhecida como ‘inferno verde’ e a guerra fria preocupava o mundo, o oceanógrafo Jacques Cousteau idealizou um hotel no meio da selva durante sua primeira expedição pelo rio Amazonas. “Pouco se sabia sobre a Amazônia e Cousteau, em uma conversa com meu pai, disparou que futuramente ninguém mais estaria preocupado com a guerra, mas sim com a preservação do meio ambiente”, relata Ellen Ritta Honorato, filha do proprietário do hotel Ariaú, Francisco Ritta Bernardino, que já trabalhava no ramo de turismo na década de 1980. 

“Tínhamos o Hotel Mônaco e ganhamos uma concorrência para hospedar a equipe de Jacques Cousteau. Ele era um homem da natureza, visionário, previa a preocupação do mundo com a preservação e falou ao meu pai que seria uma grande sacada montar um hotel onde as pessoas pudessem ter acesso à floresta”, relembra. 



Por ter passado 17 anos no Centro de Instrução de Guerra do Exército, o empresário Ritta Bernardino conhecia a fundo a região onde o hotel foi erguido. Tudo começou com uma torre de apenas quatro apartamentos e um restaurante que funcionava em um barco. “A preocupação ambiental foi surgindo, as pessoas querendo visitar o hotel, e tudo foi crescendo. Meu pai sempre queria mais”. 

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No auge, o empreendimento tinha uma receita de US$ 1 milhão mensalmente, entre 1995 e 2001, antes do atentado contra as torres gêmeas em Nova Iorque. Recebia uma média de 3 mil turistas por mês e empregava, diretamente, 400 pessoas, divididos entre a selva e a agência em Manaus. Além de empregos indiretos, que beneficiavam ao menos 300 famílias no entorno do empreendimento. 


O visionário empresário Ritta Bernardino posa para foto no Ariaú, ainda no auge (Foto: Arquivo/Alberto Cesar Araújo)

Decadência

“Com a queda das torres gêmeas paramos de ganhar em dólar, o custo fixo era muito alto e passar a ganhar em real fez o hotel parar de lucrar muito, visto que 90% dos hóspedes eram americanos. Então começamos a investir no mercado brasileiro, mas o hotel é sensível, com altos custos de manutenção, e em 2014 o negócio foi caindo”. 

Aliando a crise às dívidas, que hoje chegam a uma média de R$ 20 milhões, o hotel fechou as portas definitivamente no início de 2016. Foi a leilão duas vezes no ano passado, por conta de uma dívida com a Petrobras Distribuidora, que soma R$ 1,5 milhão. “Esta dívida da Petrobras foi feita pelo Grupo Survivor, não foi o hotel que consumiu o petróleo. No entanto, é mais fácil processar a empresa brasileira do que a americana. Por conta disso, a dívida do hotel foi aumentando”, disse Ellen. 

Questionada se ainda tem esperança de reabrir o sonho amazônico, Ellen foi enfática. “Na atual circunstância eu acredito que não. Tentamos vender, oferecemos o hotel em Dubai, Estados Unidos, e não conseguimos. O passivo é muito alto e além disso existe um problema de má gestão e divergências em família. Infelizmente, o impacto maior é para o homem da selva, porque o hotel empregava o verdadeiro amazônida”, lamentou.

Vivência na floresta

Visita a comunidades indígenas, casas de caboclos, pescaria, passeios ao encontro das águas, ao arquipélago de Anavilhanas (o maior do mundo), passeios para interação com os botos, sobrevivência na selva, focagem de jacaré e até voos panorâmicos pela Amazônia eram algumas das atrações oferecidas aos visitantes. Os pacotes de hospedagem chegaram a custar, em média, entre US$ 500 a US$ 2 mil.

Divulgador da floresta

Para a presidente da Amazonastur, Oreni Braga, o Ariaú foi um dos principais empreendimentos que contribuiu para a divulgação do Amazonas no Brasil e no exterior. “Durante décadas, os operadores de turismo e jornalistas especializados, além das personalidades do mundo artístico e empresarial, conheciam o Amazonas por intermédio do Ariaú”, declaro


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