Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
MOBILIDADE

No dia deles, idosos cobram solução para problemas das calçadas de Manaus

A impossibilidade de caminhar pelas ruas e avenidas da capital amazonense é preocupante e impacienta os idosos, que já possuem diversas dificuldades de locomoção na cidade



idosos1_2DA92193-C8F5-47C9-BC7E-25020933FEED.JPG Ontem, Dia Internacional da Pessoa Idosa, eles aproveitaram para jogar as tradicionais partidas de dominó, mas também cobrar direitos / Foto: Karol Rocha
02/10/2019 às 07:20

Diferentes histórias, porém uma semelhança em comum. No dia Internacional da Pessoa Idosa, comemorado ontem, 1º de outubro, a dificuldade unânime que os idosos amazonenses apontaram é a impossibilidade de caminhar pelas ruas e avenidas de Manaus. Uma dessas pessoas, que descreveram a dificuldade, é a aposentada Ana Coelho, de 81 anos.

Amazonense, ela mudou-se para Belém aos 12 anos, onde viveu até 2016 quando retornou e, atualmente, mora com a filha, na capital. Ana ressaltou, como dificuldades, a falta de estrutura das calçadas e inclinações que segundo ela, não haviam na capital do Pará.



“Após tantos anos, agora que eu vim conhecer Manaus. Digo isso por que eu sou filha de Parintins. Eu sou amazonense, tenho orgulho disso, mas o que não gostei foi da capital por que é muito difícil para idoso andar”, afirmou. “É muito sobe e desce. Uma vez, fui para o Centro e fiquei apavorada com medo de cair, principalmente ali por perto da Praça da Matriz. Então, a minha tristeza é não poder caminhar com tranquilidade para conhecer, o que não acontecia em Belém”, acrescentou a octagenária.

 
Pedestres, principalmente os idosos, enfrentam dificuldade nas vias da cidade / Foto: Arquivo/AC

O aposentado Hermelindo Viga, 74 anos, morador da avenida Leonardo Malcher no Centro de Manaus, tem o discurso parecido com o da dona Ana. Ele fez questão de pedir providências aos órgãos competentes para que revejam as ocupações irregulares nas calçadas. “O que eu vejo é o problema das calçadas em Manaus. Bares, restaurantes, vendedores e ambulantes tomaram as calçadas, o que impede de nós, idosos, andarmos pela calçada. A qualquer momento, você pode sofrer algum tipo de acidente, cair ou ser atropelado”, contou.

Viga destacou as partes da área central, onde é difícil a caminhada. “Na rua Ferreira Pena colocaram a garagem até o asfalto e como faz para passar? A rua Tapajós é a mesma situação. Na avenida Tarumã até a avenida Leonardo Malcher, você não tem condições de andar, por que o estacionamento de veículos é grande. As autoridades têm que ver isso por que o problema é antigo. Está (assim) há mais de 20 anos e ninguém faz absolutamente nada. O povo não tem consciência”, ressaltou.

Para a aposentada, Fátima Rebelo, 65 anos, o principal medo são assaltos registrados principalmente na área central. “Eu gosto muito de ir ao Centro, mas atualmente, não ando mais por causa dos assaltos. Eles se esbarram na gente, derrubam, tomam a bolsa e correm. Já levaram o meu carro, uma vez”.

Manaus é a 15ª em calçadas

Conforme o estudo Campanha Calçadas pelo Brasil 2019, divulgado pela Mobiliza Brasil, Manaus está na 15ª posição entre as 27 capitais brasileiras avaliadas quanto à condição das calçadas. A mais bem analisada é São Paulo.

Versão da Prefeitura

As calçadas, passeios e logradouros públicos, pelo Plano Diretor, devem ser mantidos em bom estado pelo proprietário do lote, de forma a permitir, com acessibilidade, o trânsito de pedestres e cadeirantes. O artigo 36 do Código de Postura, parágrafo único, informa que “cabe ao proprietário realizar as obras necessárias ao calçamento e conservação do passeio” correspondente ao imóvel. É o que informou a Prefeitura de Manaus. Abaixo, o comunicado enviado pela comunicação do poder municipal:

"De janeiro a agosto de 2019, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) fez 699 notificações relacionadas exclusivamente a problemas com logradouros públicos, incluindo desde obstruções até construções. No mesmo período foram aplicadas 152 multas, realizados 221 embargos e 9 apreensões de materiais. O órgão ainda fez 20 interdições e 10 demolições em calçadas.

Segundo o Código de Posturas de Manaus, nenhuma via pode ser obstruída por nenhum modo sem autorização prévia da Prefeitura e apenas quando a legislação permite. Em caso de irregularidade detectada, o proprietário é notificado e no caso de descumprimento, o responsável estará sujeito a outras sanções previstas em lei, como aplicação de multas, apreensões e até mesmo demolição. As demolições mais comuns são de muretas, muros, degraus e obstáculos construídos no passeio, que impedem o trânsito livre de pessoas.

O artigo 38 do Código de Posturas estabelece que os “logradouros públicos deverão atender às normas gerais e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida”. Os passeios devem ser livres de qualquer entrave, ou obstáculo, fixo ou removível, que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas, disponibilizando uma faixa livre com largura mínima de 1,50 metro. Também é proibido o uso do logradouro para a operação de carga e descarga.

A obstrução dos logradouros públicos é alvo constante de ações dos fiscais da Divisão de Controle (Dicon) do Implurb. Para ampliar o acesso à informação com campanhas de conscientização e de mudança de comportamento, foi criada a cartilha da “Calçada Legal”, com conteúdo bem didático e explicando, com exemplos na cidade, o que é certo e errado no cuidado e no uso do passeio público.

Ela traz ainda informações sobre como construir uma calçada, qual melhor material e o que não usar na construção ou reforma. O material está disponível para consulta no site do Implurb: implurb.manaus.am.gov.br. O material visa informar à população sobre os direitos e deveres em relação ao logradouro público, e explicar como manter, conservar e construir uma calçada nos padrões universais e de acessibilidade, onde se possa andar com segurança e sem obstáculos.

Os fiscais de postura de Manaus encontram, nas notificações nas ruas, todo tipo de irregularidade, desde as obstruções com material de construção, ocupação com expositores de lojas, pequenas construções, e até mesmo obras inteiras e invasões instaladas em logradouros, onde o acesso deveria ser público, mas acaba apropriado por particulares".

“O Implurb atua diuturnamente na fiscalização das calçadas, atendendo denúncias, o que já faz parte da nossa rotina no órgão. Com a cartilha e a campanha, buscamos novas formas de instruir a população e definir políticas públicas de incentivo para que Manaus possa ter melhores calçadas, com piso no padrão, que pode ser o mais simples, em cimento e concreto. E infelizmente temos questões culturais, de muitos tomarem as calçadas como extensão de suas residências, comércios”, ressaltou o presidente do Implurb, engenheiro Cláudio Guenka.

Denúncias podem ser feitas ao Disk Ordem do Implurb, que funciona para receber denúncias, atende no 161, em horário comercial, de segunda à sexta-feira, ou no (92) 3625-5340.

Para eles, nunca é tarde para ser feliz

A quantidade da população acima dos 60 anos vem crescendo no Amazonas. Conforme a última projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2018 para o Estado, a quantidade de população idosa se somada, por faixa etária, é de 311.473 habitantes, para 2019.

Nesse viés de crescimento populacional dos idosos, em 2060, essa quantidade deve triplicar para 1.357.607 habitantes acima dos 60 anos, conforme dados de projeção por sexo e idade simples do órgão nacional. Enquanto a idade os permite, os idosos procuram manter a qualidade de vida com exercícios físicos e psíquicos como faz o aposentado, Alberto das Chagas, 68 anos. Ele utiliza seu tempo entre jogos como xadrez, dança de salão e o resgate da língua francesa. Seu Alberto relembrou que estudou o idioma estrangeiro quando tinha 25 anos de idade. Após tantos anos, ele retornou com os estudos do idioma favorito.

“Nada é difícil, depende se a pessoa tiver boa vontade para aprender. É o que está acontecendo comigo, eu encontrei essa oportunidade e estou recuperando o tempo perdido. Realmente, com essa atividade, tenho me sentido rejuvenescido e me fez recuar no tempo”.

Quem dispensa o tédio é a aposentada Arnalda Nazaré Araújo, 77 anos. Frequentadora há mais de 10 anos do Parque Municipal do Idoso, localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, ela conta que a interação com as pessoas é primordial para a idade. “A primeira coisa que faço é chegar às 6h para começar a minha caminhada, tomo meu café e vou para a piscina fazer hidroginástica. Desse exercício, vou para a ginástica elaborada e ainda faço oficina da memória. Quando saio dos meus exercícios, bato papo com as minhas amigas. A minha vida é bem ativa e passo o dia todo fora”, destacou ela. 

 


Após alguns anos, seu Alberto retornou com os estudos de língua francesa / Foto: Karol Rocha

Parque do Idoso

O Parque Municipal do Idoso oferece atividades de grau leve, como canto, oficina de memória, ginástica elaborada, meditação e artesanato, e de moderada intensidade como yoga, hidroginástica, tênis de mesa, dança de salão, pilates, dentre outros. A partir dos 50 anos de idade, o interessado pode inscrever-se nas atividades bastando dirigir-se até a secretaria com documentos necessários ao espaço localizado na rua Rio Mar, 1324, bairro Nossa Senhora das Graças. Mais informações: 3584-6274.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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