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No Dia dos Professores, docentes realizam manifestação em busca de melhorias nas salas de aula

Dia de refletir e protestar: profissionais das redes municipal e estadual de educação aproveitam a data em homenagem a eles para cobrar melhores condições de trabalho 14/10/2014 às 21:52
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Durante a mobilização, serão apresentadas pautas específicas de reivindicação para as secretarias municipal e estadual de Educação.
Florêncio Mesquita Manaus (AM)

Professores das redes municipal e estadual de Educação aproveitarão a data dedicada a homenagear profissionais da docência para protestar, reivindicando melhores condições de trabalho. A manifestação, coordenada pela Associação Movimento dos Professores em Luta de Manaus (Asprom), será realizada a partir das 8h, na praça Heliodoro Balbi, conhecida como praça da Polícia, no Centro.

A ideia é mostrar que não há motivos para comemorar a data, em meio à série de dificuldades enfrentadas pelos professores. Segundo o coordenador da Asprom, Lambert Melo, o Dia do Professor é uma data de luta da categoria para fazer com que direitos conquistados sejam cumpridos.

Durante mobilização, serão apresentadas pautas específicas de reivindicação para as secretarias municipal (Semed) e estadual (Seduc) de Educação.

De acordo com o coordenador da Asprom, Lambert Melo, desde março que o Governo do Estado não honra com compromissos firmados com a categoria na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). Um deles é o reajuste salarial, que foi de 10%, mas que, segundo Lambert, o Estado está pagando apenas 5,61%, sendo que os professores querem que o reajuste seja cumprido integralmente.

Também para o Estado, o coordenador afirma que as reivindicações aprovadas e que deveriam estar em vigor, como a aplicação do auxílio alimentação, auxílio transporte e hora de trabalho coletivo pedagógico (HTPC) na qual o professor pode usar um terço da jornada de trabalho para planejar suas aulas, não estão sendo cumpridas.

Rede municipal

No âmbito municipal, a reivindicação é sobre a redução de 10% do salário dos professores. Ele explicou que o município reduziu o salário dos professores, a partir de junho, pegou os 10% do valor do vencimento e colocou como uma gratificação, fazendo o salário permanecer o mesmo.

“Queremos que a Semed devolva os 10% que foi tirado do vencimento-base do professor, que representa um absurdo, e também faça a revisão dos planos de Cargos, Carreiras e Salários, além do reajustes do auxílio alimentação, que está estagnado há sete anos”, disse Lambert, complementando que eles também vão cobrar que o auxílio alimentação seja pago em dobro na dupla jornada de trabalho.

Convocação

Nos últimos 15 dias, a Asprom esteve nas escolas das zonas Norte e Leste, mobilizando professores para o protesto. Esta semana, a ação foi intensificada nas escolas das zonas Sul e Centro-Sul. Muitos confirmaram participação pelas redes sociais.

Falta de respeito nas escolas

A falta de limites e a indisciplina do aluno têm sido algumas das maiores dificuldades enfrentadas hoje pelos educadores com as crianças em idade de  alfabetização em  Manaus. São alunos com menos de dez anos que não respeitam a figura do professor e nem os colegas de aula, e chegam ao ponto de bater nos profissionais que estão em sala para ensinar.

“Uma aluna, com seis anos, batia na professora e, para a nossa surpresa, o pai dela não apoiou a educadora, e sim a filha, que não tinha limites. Esse é um dos maiores problemas que enfrentamos”, comentou a professora Rosa Maria Ferreira Rodrigues, que leciona há 32 anos e hoje atua na Escola Estadual Aristóteles Conte de Alencar, no bairro do Coroado, Zona Leste.

O professor Paulo Romano, que trabalha com estudantes do 3º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Madre Tereza, no Morro da Liberdade, Zona Sul, disse que as crianças chegam à escola sem regras e que muitas famílias jogam as suas responsabilidades na educação dos filhos para as escolas e professores.

“Sentimos falta do apoio dos pais e responsáveis, que não têm feito direito o seu papel, até para acompanhar o desenvolvimento dos filhos”, declarou, enfatizando que a família é para servir como suporte das ações da escola e dos educadores, realizando um trabalho em parceria, visando à educação da criança; e que a escola é para levar conhecimento e ajudá-la na construção de um futuro.

“O que vemos hoje é que muitas crianças são criadas sem regras e quando o professor impõe responsabilidades, eles se acham no direito de não cumprir; o pai e mãe não cobram, por que o professor está cobrando? É dessa maneira que pensam”, disse Paulo Romano, que leciona para 30 alunos, entre 8 e 9 anos.

“Os pais precisam entender o processo educacional começa na família. É importante aprender, dentro de casa, o ‘por favor’, ‘obrigado’, ‘com licença’, ter horários para estudar e para dormir; mas muitas famílias entendem que a escola é a responsável por essa educação e não têm compromisso com o professor”, comentou o Secretário de Estado de Educação, Rossiele Soares da Silva.

Esse tipo de situação acaba prejudicando o processo educacional e causa um efeito cascata, pois o aluno não terá um bom desempenho nos demais níveis. A proposta da Seduc é levar a família para dentro da escola, buscando o envolvimento de pais e responsáveis pela criança. Denúncias de abusos podem ser feitas junto à Ouvidoria do órgão, implantado há dois meses. O telefone é o 0800-0921622.

Secretaria quer família como aliada

Dependendo do tipo de agressão, a escola adota algumas medidas - de buscar uma solução dentro de sala junto ao aluno, convocar os pais para uma conversa, e, se avaliar que limites foram ultrapassados, psicólogas e assistentes sociais podem realizar um acompanhamento multiprofissional do aluno e da família.

A intenção da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) é fazer com que os pais participem mais da escola para melhorar o processo educacional dos seus filhos, por isso o órgão está estruturando o Dia da Família em cada unidade de ensino. A secretaria vai buscar também apoio ao projeto das empresas do Polo Industrial, para que liberem o funcionário em determinados dias a fim de acompanhar as atividades escolares dos filhos.

BLOG: Lambert Melo, coordenador da Asprom

“Infelizmente,  o professor, no Amazonas, não tem muito o que comemorar, e o Dia do Professor não é de festa, e sim de luta.   E serve para lembrar que precisamos lutar muito para melhorar as condições de trabalho e para que o Estado cumpra direitos e benefícios conquistados na nossa data-base, mas que até agora não foram cumpridos. Não queremos festa com sorteios de brindes como vão fazer agora, porque não aceitamos a política do pão e circo, que repudiamos. O professor enfrenta dificuldades e também vê as que o aluno enfrenta, desde a falta de merenda, que é uma grande realidade. Ao invés de festa, deveriam valorizar o professor com ações concretas, como melhores salários e condições de trabalho, que têm reflexo direto na qualidade do ensino ofertado aos alunos. Dia do professor é, também, o dia de mostrar como somos tratados.”


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