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No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, veja obstáculos sofridos por eles no Centro local

No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado hoje, A CRÍTICA mostra os percalços no caminho daqueles que possuem necessidades especiais e precisam andar no “escuro” 03/12/2014 às 11:00
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Atravessar a rua, subir e descer calçadas são alguns dos principais desafios dos portadores de deficiência visual em Manaus
oswaldo neto Manaus (AM)

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Com sua bengala especial e uma audição perspicaz, o massoterapeuta Carlos Pereira da Silva, hoje com 67 anos, garante que a perda da visão aos 44 anos abriu sua mente sobre as dificuldades enfrentadas por uma pessoa cega. Os obstáculos aumentam infinitamente e, segundo ele, todo cuidado é pouco ao circular em áreas onde a acessibilidade é mínima, como no Centro da capital. No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado hoje, A CRÍTICA mostra os percalços no caminho daqueles que possuem necessidades especiais e precisam andar no “escuro”.

Os primeiros problemas são apontados por Carlos logo nos primeiros minutos de caminhada pelo Centro. Na rua Barroso, próximo à Biblioteca Pública Estadual do Amazonas, parte do piso tátil destinado aos deficientes visuais está danificado, oferecendo riscos não só às pessoas cegas que decidem circular no local, mas também para idosos, crianças e usuários de cadeiras de rodas.

“O Centro não tem ruas acessíveis e qualquer coisa é difícil aqui”, afirma Carlos. “A situação fica ainda mais complicada se formos pensar na área do mercadão, onde o fluxo de pessoas é maior e não há preocupação com leis de trânsito e com os pedestres”, relata.

Próximo à rua Henrique Martins, já em direção ao Teatro Amazonas, diversos obstáculos como bueiros, vendedores ambulantes e desníveis em calçadas dificultam o passeio de Carlos. A falta de sinalização e a pressa por parte de motoristas e pedestres também revelam um outro problema: a exclusão social e o desrespeito. Conforme Carlos conta, acidentes nesse trecho se tornaram comuns.

“Uma vez eu escorreguei em um bueiro aberto perto da Praça da Polícia (Heliodoro Balbi). Graças a Deus não aconteceu nada de grave. Com o tempo você começa a achar esse tipo de situação normal,mas seria bom se a Prefeitura tomasse alguma providência que não beneficie só quem é cego, mas o deficiente físico também. A acessibilidade é um direto que pertence a todos os tipos de deficientes, seja ele cego, mudo ou cadeirante”, desabafou.

Conselho aponta avanços

De acordo com o Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência (Coned-AM), a capital apresentou avanços em acessibilidade para cegos. O presidente do Conselho, Mário Célio, afirma que a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped) vem atuando em conjunto com a Prefeitura, responsável pelas reformas na área central.

“Nós temos promovido discussões com a Câmara, especialmente com a Comissão Permanente de Acessibilidade”. Ainda segundo Célio, a Secretaria vem investindo em novas tecnologias destinadas aos cegos. “Recentemente apresentamos o Dosvox, um sotware que auxilia pessoas cegas a palestrar como professores. Além disso, estamos aguardando um relatório do “cão guia robô”. Essas medidas visam inserir os deficientes visuais na sociedade”.

 População

Conforme dados divulgados pelo IBGE em 2010, o Amazonas possui cerca de 500 mil pessoas com algum tipo de deficiência visual. Um indivíduo é caracterizado como deficiente visual se sofre de baixa visão. Caso ele não enxergue totalmente, a pessoa pode ser descrita como “cega”.

Atualmente o Estado possui três ONGs que incentivam a inserção destas pessoas na sociedade. São elas: Associação dos Deficientes Visuais do Amazonas (Advam), União dos Deficientes Visuais de Manaus (Udevima) e União dos Deficientes Visuais de Parintins (Udevip).

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