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Novo presidente da CMM, Wilker Barreto promete cortar gastos e investir em estrutura tecnológica

Aos 39 anos, Wilker Barreto chega ao posto de presidente da Câmara Municipal de Manaus com a bênção do prefeito Artur Neto, mas sob a desconfiança de aliados e companheiros de parlamento 11/01/2015 às 20:07
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Wilker Barreto, é formado em economia, tem mestrado em sustentabilidade e especialista em políticas públicas
RAPHAEL LOBATO Manaus (AM)

Eleito presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) sob a promessa de preencher também a lacuna da ausência de um vice-prefeito na capital, o vereador Wilker Barreto (PHS) minimiza a  avalanche de criticas que recebeu da própria base durante a disputa e desacredita que os partidos que ameaçam vereadores de expulsão no pós-eleição irão concretizar a promessa feita em público.

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, Barreto adianta as prioridades que elegeu para a sua gestão, ressaltando que cortará gastos para investir em infraestrutura tecnológica. Ele projeta uma Câmara melhor informatizada e promete levar pautas encalhadas há mais de dois anos para votação até o fim do primeiro semestre. Apesar de não concordar com críticas à gestão de recursos na Casa, Wilker diz que quer melhorar a “transparência”.  

No ano passado, a Câmara foi criticada pelo descontrole no uso da Ceap para a compra de combustíveis. O senhor planeja melhorar essa gestão?

A questão da Ceap (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar) é que a nossa não é cumulativa. Eu acho que determinados itens deveriam ser cumulativos. Por exemplo, se eu quiser fazer uma campanha sobre uma determinada lei, eu não consigo fazer isso com dois ou três mil reais, com outdoors. Outro exemplo, no caso de fazer uma avaliação trimestral do mandato. Eu juntaria os recursos de mídia de um trimestre e faria a campanha. É necessário abrir essa discussão. Todas as despesas são publicadas na internet. A Câmara vai cumprir as determinações legais e se nós discordarmos, nós vamos recorrer.

O senhor, então, descarta que medidas de ampliação do controle desses gastos ?

O controle será mais rígido. Nós temos todas as notais fiscais onde se comprova que as empresas são idôneas, tem atividade. Os vereadores trabalham muito. Nós temos uma grande metrópole como Manaus. As equipes rodam a cidade inteira e nós só temos um carro para 19 comissões. Nós vamos melhorar a estrutura das comissões. Se um vereador quiser fazer uma diligência hoje, ele não terá nenhum suporte. Eu não tenho dúvida que todos os recursos da Câmara são usados com integridade.

O senhor tem falado em medidas de cortes de gastos. Qual será o tamanho desses cortes?

Nós temos uma estimativa de R$ 12 milhões de superávit, no orçamento da casa. Mas eu conversando com meu professor de economia, fui aconselhado a trabalhar com o mesmo orçamento de 2014 e mais 3%. Eu posso chegar ao final deste ano e não ter superávit. Eu vou tentar, dos contratos da Câmara, reduzir 10% de todos. Vou chamar a Prodam, por exemplo, e questionar sobre a possibilidade de redução ou a revisão do contrato. Esses cortes podem me render R$ 600 mil por mês.

O resultado dessa economica será revertido em que tipos de medidas?

Esses R$ 600 podem me salvar, por exemplo, na questão dos equipamentos da Câmara, para o parque de Internet. Precisamos melhorar os nossos sistemas de Tecnologia da Informação. Se nós melhorarmos isso, melhoramos também a conectividade da Câmara com a sociedade em todos os sentidos. Na questão do estacionamento da Casa, nós temos mais de mil servidores e vagas para apenas 52. A projeção é que o espaço seja ampliado para 120 vagas, o que acomodaria servidores e visitantes.

O ex-presidente enfrentou um rombo milionário nas contas. Essa necessidade de cortes é resultado de um mau cenário nas contas da Casa?

As nossas contas estão no azul. Nós temos R$ 400 mil para o pagamento de indenizações acumuladas. Agora, eu sou um economista, o que era um custo de tecnologia há dois anos hoje pode não ser mais. O mesmo aparelho que antes custava R$ 2 mil hoje pode ser comprado por R$ 1 mil. Ninguém quer perder um cliente como a Câmara, que paga em dia. 

Durante as eleições para a presidência, o senhor foi criticado pela base, que o acusou de pouco diálogo. O senhor reconhece as queixas?

Olha, nós tivemos 35 votos nas eleições. A minha postura como líder era uma e, agora, como magistrado, será outra. Tivemos candidaturas de colegas da própria base do governo. Eu tenho um ótimo relacionamento com todos, inclusive com a oposição. Agora, quando chega na hora de votar, a amizade fica de lado, você pode votar em si ou no amigo, é uma escolha.

Alguns partidos tiveram manifestações raivosas durante a disputa. Como o senhor viu esses movimentos contra a sua candidatura?

Não é uma questão em relação ao vereador Wilker. Há um contexto político por trás disso. No PPS, trata-se de uma divergência do partido com o prefeito Artur. E se teve um prefeito que prestigiou o PPS foi o prefeito Artur. Agora, o prefeito avalia a gestão com muita serenidade. Se o secretário não atender as demandas, ele troca, ele faz gestão. Não vejo que isso vai prosperar porque o vereador, ao votar, não está desrespeitando ideologias partidárias, está escolhendo um gestor.

Essa reação, inclusive, ameaça o  vereador Elias Emanuel,  escolhido para liderar o prefeito na casa...

Acredito que o vereador Elias tem muita tranquilidade em relação a isso. O negócio não é assim sem ordenamento. Um processo de cassação tem todo um rito. Obviamente que os vereadores terão oportunidade de defesa. E mais, terão todo o apoio e a orientação da Câmara.

E quanto à falta de profundidade nas justificativas apresentadas pelos vereadores em faltas. O senhor planeja alguma mudança no sistema?

Enquanto isso for permitido pelo regimento, o vereador poderá usar esse método. Eu vou propor que até o final de março nós possamos concluir a análise e votação da nossa Loman e do regimento interno. Até o fim do primeiro semestre eu quero avançar nisso.

Os vereadorem têm falado sobre a necessidade de aumentar a exposição dos trabalho da casa. Haverá avanço nas negociações para para a implantação da TV Câmara?

Espero poder contar com os companheiros da TV Cultura, que já tem uma estrutura que pode ajudar a Casa. O importante é que a Câmara será a primeira Casa Legislativa municipal a ter o seu canal aberto.

O senhor foi eleito sob a promessa de preencher a lacuna do vice-prefeito. O senhor acha que atuará mais na Câmara ou na prefeitura?

Eu vejo o prefeito com uma grande missão pela frente. Nós temos vários empréstimos tramitando em Brasília, que precisam ser liberados pelo Tesouro Nacional. Por mais que você mande o melhor técnico para Brasília, não é a mesma coisa que a ida do prefeito Artur. Na ausência do prefeito, o meu papel é dar continuidade aos trabalhos do Artur. Ele tem uma gestão bem avaliada e é claro que eu quero contribuir.

Perfil

O vereador Maurício Wilker de Azevedo Barreto é graduado em economia, mestre em sustentabilidade e especialista em políticas públicas, Wilker foi eleito vereador pela primeira vez em 2009. Já no segundo mandato, foi líder do prefeito Artur Neto (PSDB) na Casa, disputou as eleições para deputado federal e agora conseguiu chegar a presidência da Câmara Municipal (CMM).

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