Terça-feira, 02 de Março de 2021
OPINIÃO

Novo superintendente deve agregar forças em defesa da ZFM, avalia Serafim

Políticos do AM receberam com expectativa a nomeação do general da reserva Algacir Antônio Polsin para o comando do modelo



GENERAL-ALGACIR-ANTONIO-POLSIN-SUFRAMA-2_4FC85096-0D49-4EF2-98DE-C620ED7014A6.jpg Foto: Divulgação
17/06/2020 às 08:38

Aristide Furtado e Lucas Vasconcelos

Economista, auditor fiscal aposentado e estudioso da Zona Franca de Manaus (ZFM), o deputado Serafim Corrêa (PSB) sintetizou, ontem, a expectativa da classe política e empresarial a respeito do novo superintendente da Suframa, o general da reserva Algacir Antônio Polsin: “Que ele venha com o espírito de agregar, de somar, de reunir, de dialogar com todos os setores da sociedade e com a classe política principalmente”.



A nomeação de Polsin foi publicada na edição de segunda-feira do Diário Oficial da União (DOU), uma semana depois da exoneração, “a pedido”, do  coronel da reserva Alfredo Menezes.

“A Suframa não pode ser uma ilha isolada. Ela tem que estar integrada com o setor industrial, com o setor comercial, agropecuário, empresarial de modo geral, com o governador do Estado, com o prefeito da capital, com as forças políticas, no sentido de atuar lado a lado, ombro a ombro”, ressaltou Serafim, que é autor do livro ‘Zona Franca de Manaus – História, Mitos e Realidade'.

Diferente de Menezes que protagonizou diversos atritos com a bancada federal do Amazonas, Polsin, na avaliação do parlamentar, deve buscar agregar forças em torno da defesa e fortalecimento do modelo ZFM.

“A crítica que se tem ao superintendente que saiu é que ao invés de ser um agregador ele era um espanador. Ele espanava todo mundo. Aí, o resultado, quando chegava na hora dos pleitos da Suframa, ele tinha dificuldade de encaminhar esses pleitos. Depois, o governo federal é obviamente hostil ao projeto Zona Franca. O ministro Paulo Guedes é hostil. Sem que haja quebra de hierarquia, mas existirão momentos em que o superintendente da Suframa terá que defender a instituição ainda que isso possa lhe custar o cargo. Mas ele tem que defender a instituição”, aconselhou. 

Atritos

Um dos atritos do ex-superintendente se deu em torno da alíquota do polo de concentrados, objeto, no início deste ano, de um decreto presidencial. A fixação do IPI em 8% pelo período de apenas seis meses (junho a novembro) provocou críticas de empresários e políticos. No episódio, a classe política e empresarial local  foi tachada por ele como a 'turma do mimimi'. 

“O que se viu nesse período é que o superintendente que saiu ele tinha o discurso de que estava ali pra cumprir ordens. Ele não se posicionava na defesa do modelo. Se posicionava na defesa de posições do governo federal embora fossem contrárias aos nossos interesses. E aí fica ruim. O novo superintendente não vai precisar agredir ninguém. Tratar mal ninguém no governo federal, mas o que precisa fazer é a defesa obviamente dentro dos limites da civilidade, da boa educação, da urbanidade de defender o nosso modelo”, disse. 

Recessão

Diante da recessão econômica mundial provocada pela pandemia do novo coronavírus, o modelo ZFM precisa, mais do que nunca, segundo o economista, de um dirigente com traquejo político, econômico e social.

“Ele não pode ser um deus que fique isolado no céu. Tem que estar aqui na terra recebendo empresário, recebendo político, recebendo pressões, demandas, reivindicações. E administrá-las da melhor maneira possível. Que ele seja  agregador,  que inspire confiança em toda a sociedade. Tem que ser facilitador dessa retomada (da economia), interagindo com o governo do Estado, com a prefeitura, com os próprios órgãos federais para que essa retomada ocorra o mais rapidamente”, afirmou. 

Denúncia

No início de fevereiro, a bancada de senadores do Amazonas pediu Tomada de Contas Especial ao  Tribunal de Contas da União (TCU) de um contrato de R$ 3,6 milhões da Suframa com a Construtora Brilhante na gestão Menezes.

“A Suframa aderiu ilegalmente à ata de registro de preços e houve fraude na licitação da obra em questão”, dizia o documento. Pedido semelhante havia sido entregue dias antes pelo deputado federal Marcelo Ramos (PL) ao Ministério da Economia. O parlamentar alegou que o contrato foi direcionado. À imprensa, a Suframa rebateu a denúncia.

Blog: José Ricardo, deputado federal pelo PT e economista

“Eu espero que o novo superintendente da Suframa possa fazer alguma coisa para fortalecer a instituição. Na verdade, o governo federal, através do Ministério da Economia não está dando nenhuma importância à Suframa e como um agende de desenvolvimento regional deveria fortalecer, ampliar funcionários. A Suframa deveria ser um órgão de busca de empreendimentos, de investimentos para Manaus e para o Amazonas. Isso não está acontecendo. Sai um militar e coloca outro militar. Pessoas que não têm nada a ver com um órgão tão importante como a Suframa. Acredito que não vai ter grandes mudanças”.

Autonomia

O deputado federal Marcelo Ramos (PL) espera que Polsin  tenha postura firme em defender o modelo econômico da Zona Franca de Manaus. “Estamos em um momento muito difícil por conta da visão hostil que o Ministério da Economia tem em relação ao modelo econômico da região. Nós sabemos que o cargo de Superintendência da Suframa é um cargo submisso ao Ministério da Economia, mas precisamos de alguém que tenha autonomia na defesa dos nossos interesses. Eu quero crer que o novo superintendente tenha esse perfil e a autoridade para ir ao Ministério da Economia, não de forma submissa, mas de uma forma altiva em defesa da Amazônia”, disse.

Para o deputado federal Silas Câmara (Republicanos), o novo titular da autarquia tem que dialogar com as forças políticas. “O general Polsin é um homem conhecedor da região. E até onde ouvi falar, é um homem de boa relação. Acredito que seja isso que está faltando na direção da Suframa. Um bom relacionamento e respeito com as bancadas federais e governadores da região. Saber se relacionar é algo importante devido o momento em que o país está vivendo. Espero que ele conheça e defenda a importância do modelo econômico da ZFM”, disse. 

Pós-pandemia

A expectativa de uma relação mais direta com o novo dirigente da Suframa  também é defendida pelo senador Plínio Valério (PSDB).  “É preciso estar comprometido a nossa causa que é a ZFM e para isso, acredito que o primeiro passo é que ele reúna toda a bancada federal para que juntos possamos discutir ideias para alavancar o Pólo Industrial do Amazonas”, disse.

Na avaliação do deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos), uma das prioridades da Suframa é tirar o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) do papel.

“Ele precisa ter uma personalidade jurídica para atrair investimentos do próprio PIM. Nós precisamos criar uma matriz econômica diferenciada. Utilizando a nossa biodiversidade. Seria trabalhar na nossa vocação. Isso gera emprego não só pra capital, mas pra todo interior.  O PIM tem todas as condições e incentivos para que o Brasil retome o crescimento, sua produtividade”, afirmou. 

Para o senador Omar Aziz, o pós-pandemia exigirá diversificação do  PIM. “Após a pandemia, o mercado interno brasileiro a qual nos exportamos muito, terá que ser reinventado. Temos muitos problemas a serem resolvidos daqui pra frente. É necessário manter a competitividade do Distrito Industrial. A nova política do governo encaminha para uma grande importação de produtos de bens finais. É preciso diversificar o modelo, além de eletroeletrônicos, informática, pólo de duas rodas. Nós temos que trazer novas indústrias para o Amazonas, indústria dos segmentos têxtil, cosméticos e alimentos. Porque se ficarmos apenas com a indústria atual. A tendência é cada vez mais a automação da produção, gerando um aumento e com isso há a diminuição da quantidade de empregos”, disse.

Desafios

Para o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o setor econômico do Estado possui grandes desafios e que o trabalho desenvolvido pela Suframa é primordial para desenvolver economicamente não só a capital, mas como também o interior do Amazonas.

“Muitos são os desafios. Nós temos aí uma Reforma Tributária que será tratada pelo parlamento. Em paralelo, temos as ações que a Suframa precisa reforçar e fortalecer para diversificarmos as atividades do pólo industral. Ações como a fixação dos PPBs (Processos Produtivos Básicos), com mais celeridade para atrair ainda mais investimentos para a ZFM. Além disso, é necessário que haja uma exploração das potencialidades que o Estado tem. Precisamos vencer as barreiras que nos impendem a desenvolver atividades como a mineração, bioeconomia, o turismo, a psicultura, a fruticultura”, frisou Wilson.

Impasse

O prefeito Artur Neto (PSDB) disse que tem algumas coisas a tratar com o novo superintendente da Suframa, Algacir Polsin,  em relação ao andamento de um impasse burocrático.

“Espero que ele seja uma pessoa muito aberta para que a gente consiga resolver esse impasse. Ele possui a importante missão de reformar o parque industrial de Manaus, tornar contemporâneo, um parque que está velho e cansado. Aproveitar o momento de crise para quando a economia abrir de verdade com pessoas com dinheiro no bolso, a nossa região possa estar com um pé na economia 4.0”, disse o prefeito. 

A prefeitura firmou no ano passado convênio, de R$ 150 milhões, com a Suframa para recuperação das ruas do Distrito Industrial de Manaus. As obras ainda não foram concluídas. E estão suspensas, aguardando análise de aditivos (ajustes ao projeto original).

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